sábado, 12 de setembro de 2015

Vendedora de Ilusões

Quase toda semana pelo menos um cliente me pergunta se eu gosto do que faço. Claro que minha resposta é sempre positiva - como responder algo diferente para um cliente? Seria extremamente brochante transar com uma mulher que você sabe que está ali somente pelo dinheiro.
No fundo, eles sabem a verdade. Tirando uma porcentagem de clientes que tem certo conhecimento sobre "meu mundo", e me encaram como profissional do sexo, outros tantos querem mesmo é comprar uma ilusão. E é nesses momentos que nos tornamos verdadeiras atrizes.
Não é que TODOS os clientes sejam desagradáveis. Alguns são companhias legais! Mas o que VENDE mesmo é a imagem de mulher safada, que adora fazer sexo mesmo que seja 10 vezes por dia, liberal e boa de cama. Ninguém quer pagar para transar com uma mulher fria e que fique falando de problemas. E estão certos!
Aprendi que como uma profissional do sexo, é necessário ser realmente profissional. Já que me dispus a fazer isso, que faça o meu melhor!
A Juliana precisa ser simpática, safada, ter bom papo, estar sempre arrumada e cheirosa, satisfazer o cliente. A Juliana é um personagem, fato! Mesmo que ela tenha um "Q" de mim mesma, mas é como se eu incorporasse na hora, rs.
Afinal, eu preciso de dinheiro e quero que meus clientes voltem sempre. Meu raciocínio é de que quanto mais clientes, mais dinheiro, e mais rápido saio dessa.
E é aí que retorno a questão: se eu gosto do que eu faço? Claro que não! Gosto do dinheiro, do retorno que me dá. Foi o caminho mais rápido que encontrei para conseguir as coisas que quero.
E é pelo fato de não gostar que me esforço para em breve parar.
Isso não significa que eu seja uma pessoa infeliz. Muito pelo contrário! Me considero "de bem com a vida". Tenho alguns dias difíceis, como qualquer ser humano. Só não estou na profissão dos meus sonhos, mas na vida tudo é questão de tempo e determinação!

Um brinde a vida e a todos os aprendizados que ela nos traz!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sem camisinha NÃO!

Sexta-feira aconteceu uma coisa muito, muito chata.
Atendi durante o dia no apartamento, o dia foi tranquilo. Na hora que estava indo embora, um cliente me ligou e me convidou para ir ao motel.
Eu nunca havia saído com ele. Nos conhecemos em uma boate que trabalhei, mas apenas conversamos, bebemos um drink, e ele pegou meu telefone e me deu uma "caixinha" (caixinha é quando o cliente dá algum dinheiro sem fazer programa, ou quando dá a mais do que o valor que pedi).
Pois bem, como era sexta-feira, eu não pensei duas vezes e fui atendê-lo. Dinheirinho a mais, é sempre bom! Depois disso, iria poder descansar o feriadão todo.
Nos encontramos no Mercado Público aqui de Florianópolis, e fomos para o Motel. O escolhido foi o Millenium, na entrada do Cacupé.

No carro, tudo ok. Ele é um senhor de mais idade, deve ter uns 60 e poucos anos, ou quase isso. Muito gentil, bem vestido, um carro lindo. Chegamos no Motel, tomei um banho, e ele também.
E é aí que começou minha tortura.

Na hora que fui pegar a camisinha, ele já começou a reclamar:
-Não faz isso comigo linda.

Fingi que não ouvi, continuamos nas preliminares, e na hora H fui encapar o bicho, obviamente. Transar sem camisinha está TOTALMENTE fora de cogitação. Mas quem disse que o coroa deixava colocar a camisinha?
Começou a reclamar, resmungar, dizia que ia brochar (problema dele, aprenda a se acostumar com a capa). E se fazia de coitadinho:

-Não faz isso comigo, por favor.
-Eu não saio com meninas de programa, só tenho relação com minha mulher. (Aham, eu fui a primeira, tá bom!).

Fui usando todas minhas técnicas de calma e paciência. Sempre acho que "com jeitinho" tudo se resolve. Mas tem horas que não dá pra ser boba.
Fico abismada com esses homens que procuram garotas de programa para transar sem camisinha.
Eu já recebi propostas em que o cara paga até R$500 a mais (além do programa) para meter sem. Sem chance! 
Tenho o seguinte raciocínio:

1- O homem que faz essa proposta pra mim, já fez para outras garotas. E quantas delas já devem ter topado!
2- A garota que topa transar sem camisinha com cliente, já não tem nada a perder. Afinal, volto pro item 1, com quantas ele já deve ter transado sem proteção! Se alguma topa, ou é muito inocente mesmo de cair no papo do cliente (acho difícil) ou já tem alguma coisa e não tá nem aí!
3- Não importa o valor que ele pague. A vida não tem preço!

Mas voltando ao caso de sexta-feira. O velho incomodou, reclamou, e eu tentando ser o mais profissional possível. Até que ele me apertou, meio que deitando por cima de mim e tentava esfregar o pinto em mim e dizia:
-É só um carinho.
-É mais gostoso assim.

Me senti QUASE estuprada. Isso mesmo, eu, uma garota de programa, me senti praticamente estuprada! Aquele velho em cima de mim, tentando meter sem camisinha praticamente a força (poxa, já havia falado que NÃO, e ele forçando a barra).
Reuni todas as forças, me levantei com ele por cima de mim, e falei alto:

-Poxa! Já falei que sem camisinha NÃO TEM CONDIÇÕES. Não faço, não faço e pronto!

Ele resmungou mais um pouco, tentou se explicar (com aquela história de que não é acostumado com preservativo), deixou o dinheiro em cima da mesa e foi embora. Fiquei no quarto do motel sozinha, chamei um táxi, e até a camareira entrou no quarto para conferir o que foi consumido já que ele já estava pagando a conta.
Nem preciso dizer como me senti mal naquele momento. Foi muito ruim. Nessa horas a gente pensa se realmente vale a pena passar por esse tipo de coisa. Mas aí me lembro os motivos que já me trouxeram até aqui, e creio que logo essa fase vai se encerrar. Em toda profissão sempre existe um ou outro cliente que incomoda, não é na minha que seria diferente.
Mas enfim, passou.
Pelo menos ganhei meu dinheiro!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Pinto Gigante

Lá estava eu na casa de massagem, assim que comecei a trabalhar, quando entra um negrão de quase 2 metros de altura (ou mais, pois tinha que abaixar a cabeça pra passar pela porta), roupas de basquete, e adivinha quem ele escolhe pra ir pro quarto? Sim, euzinha.
Eu estava começando na profissão, e sentia muita dor, tinha infecção urinária direto (na verdade ás vezes ainda sinto dor, e odeio pintos exagerados, muito grandes ou muito grossos). 
Quando ele tirou a cueca, cheguei a me assustar. Gente, nunca vi um pinto tão grande na minha vida. Enorme! Parecia meu braço. Que medo!
O problema não era só o pinto grande. Era o jeito do cara. Queria meter como se fosse um pinto normal.
Homens, por favor! Se seu pinto é exageradamente grande/grosso, meta com cuidado, com jeitinho, pois machuca (pelo menos a maioria das mulheres). Não queira dar uma de Kid Bengala em filme pornô.
Colocar a camisinha foi um trabalho, ele trouxe uma especial, pois NEM a Prudence Extra (que é a que eu costumo usar para os mais avantajados) servia. Era praticamente uma camisinha de cavalo! 
Bicho encapado, o negrão pediu pra eu ficar de 4. Atolei de gel lubrificante e pimba. Mas quando ele começou a colocar, parecia que estava me rasgando ao meio.
Prendi a respiração, e as lágrimas vieram nos olhos. Que dor!
Pedi pra ele tirar e tentar de novo, mais devagar. Mas não tinha jeito, o cara era ignorante mesmo e socou com força. Bombou uma. Bombou duas. Bombou três. E foi quando eu vi que não ia aguentar. Doía demais! Pedi pra parar, e expliquei que não estava aguentando de dor.
O negócio nem cabia direito em mim. 
Ele, grosseiramente, me disse que eu era profissional e que tinha que aguentar o tranco. 
Porque não enfia no cu dele um pau daquele tamanho?

Tentei manter a calma. Falei pra ele que não ia dar, pois estava machucada (infecção urinária, trabalhando na marra mesmo), e não estava aguentando de dor. Ele começou a falar um monte de besteira, que eu não estava sendo competente, não estava sendo profissional, e que essas putas não servem pra nada pois não aguentam o pau dele. Que todo lugar que ia era a mesma coisa (ou seja, eu não era a primeira a fugir da raia)!
Peguei minhas coisas, minha roupa, e falei que ia devolver o dinheiro. 
Quando saí do quarto, pra pegar o dinheiro de volta com a cafetina dona da casa, pensei "Po... Chupei o cara, me viu pelada, meteu, e foi estupido comigo". Quer saber?

-Não vou devolver porra nenhuma!

Falei pelo lado de fora da porta e saí correndo para a parte de baixo da casa.
Ele esperou mais uns 10 minutos na sala, perguntou se outras meninas queriam atendê-lo, mas ninguém encarou. Desistiu e foi embora.

Por isso que eu digo, mais vale um pequeno brincalhão do que um grande bobalhão!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"Causos" da Noite - O Assalto!

Quase 1 ano trabalhando como garota de programa, já vivi e vi mais coisas que em toda minha vida. Fatos engraçados, estranhos, tristes, enfim.
Aparece e acontece de tudo.

Vou contar alguns casos por aqui (não de uma vez só, pois são muitos, calma!). Começando por um dos momentos mais tensos que vivi.
Muitas vezes corremos riscos em casas que não oferecem a segurança devida (principalmente quando iniciamos e não temos muito conhecimento sobre as casas e formas de trabalho).
Certa vez estava trabalhando em uma casa de massagem no centro de Floripa, e toda semana ia lá uma vendedora de produtos importados. Por ordem da dona da casa, a vendedora não podia levar os produtos para dentro do local, pra não causar tumulto, então ela (a vendedora) estacionava seu carro quase em frente, e levava as meninas interessadas uma a uma para ver os produtos dentro do carro.
Enquanto a vendedora fazia a festa, um cliente entrou, me escolheu, e fomos para o quarto. Tiramos a roupa, e quando estávamos começando, comecei a ouvir as meninas gritando, correndo de um lado pro outro:

"Chama a polícia"
"Abre a porta"
"Estão armados"
"Não abre, eles vão entrar!"
"Anda, chama a polícia"

-Pronto! A casa está sendo assaltada. -Pensei. (Já ouvi muitas histórias assim, e morria de medo disso).

Pois bem, a casa não estava sendo assaltada. Mas sim a vendedora e uma menina, dentro do carro. Uns 5 caras, dizem que estavam armados, e de dentro da casa as meninas estavam vendo a cena pela câmera (do que adianta ter câmera, se não tem como agir em uma situação como essa). 
Mas eu, que estava dentro do quarto com o cliente, não sabia o que estava acontecendo, achava que os bandidos estavam invadindo a casa, pois só ouvia os gritos e a mulherada desesperada sem saber o que fazer.

O cliente que estava comigo falava apenas do carro dele
"Meu carro tá lá fora, é um Veloster, tenho que ver meu carro"
-Foda-se seu carro cara, eu não vou abrir a porta.

Meu coração estava quase saindo pela boca. Já imaginava a cena dos bandidos arrombando a porta do quarto, enfim... Um filme passou pela minha cabeça.
Quando percebi que tudo se acalmou, tomei coragem e abri a porta, e enfim me explicaram o que havia acontecido. Os bandidos já tinham ido embora, levaram a mercadoria que estava no carro, e já estavam todas mais calmas (pois dos males, foi o menor). O cliente correu para ver o carro dele, e estava tudo ok.

Eu, ainda trêmula do susto e da situação toda:
-Vou devolver seu dinheiro, já que nem deu de fazer nada.
-Claro que não, agora que já vi que não aconteceu nada com meu carro, vamos trepar!

Sangue frio? Não, imagina!
E eu atendi, normalmente. Susto passou, dinheiro no bolso, e bola pra frente!

Sobre a Vida Atualmente

Após tentar trabalhar em casas de massagem (pagam muito pouco), e em boates (a noite judia demais), enfim acho que encontrei uma forma melhor de trabalhar: em local próprio. Bom, na verdade o local não é próprio, e sim de uma amiga, mas é somente por anuncio e é bem melhor trabalhar assim.
Simples, pois o cliente vê o anuncio, liga, marca horário, e vem. Nada de ficar caçando, ou disputando cliente com outras meninas.
Em boate o valor dos programas é bom, mas não paga o desgaste de aturar clientes bêbados (em sua maioria, não todos), às vezes drogados, sem falar que alguns acham que podem ficar passando a mão, alisando, sem estar pagando nem ao menos um drink! Além de que viver só a noite é complicado, perdemos o dia, viramos praticamente zumbis. Enfim, é estressante. Resolvi ir em boate somente uma vez por semana, e olhe lá.
Ser garota de programa não é o sonho de nenhuma mulher (penso eu), mas já que estou nessa, que o stress seja evitado ao máximo. Afinal, minha vida não é só isso, não é só ganhar dinheiro, existe o outro lado, que é a minha vida pessoal e eu jamais quero vê-la abalada por conta de stress.

Minha meta era parar de trabalhar assim em Dezembro. Eu disse era, pois pelo andar da carruagem não vou conseguir todos meus objetivos até lá (minha casa e meu negócio próprio). A crise bateu pra todo mundo, inclusive para nós, garotas de programa, então nada de pânico! Resolvi alcançar os objetivos sem um prazo determinado, o importante é que estou lutando por eles. Também não pretendo me prolongar muito nessa, mas quem sabe até o fim do verão..!

sábado, 22 de agosto de 2015

Vida Fácil - Só Que Não!

Gostaria de descobrir quem inventou a expressão vida fácil para se referir à garotas de programa.
Definitivamente, ser garota de programa está longe de ser fácil, e ganhar dinheiro em troca de sexo não é tão simples.
A grande maioria das mulheres que optam por "essa vida" são realmente guerreiras e, em sua grande maioria, ambiciosas. Creio que assim como eu muitas passam por altos e baixos em meio a profissão.
Tem dias que dá vontade de mandar tudo à merda e ter uma "vida normal", mas logo lembramos porquê estamos nessa, e pensamos no dinheiro, nos sonhos, muitas vezes nos filhos.
Já conheci tantas mulheres admiráveis, batalhadoras, de bom coração! Outras nem tanto, normal em qualquer profissão. Mas a verdade é que por trás de cada "nome de guerra" existe um coração cheio de vontades.
O meu não é diferente. Não quero jamais me tornar escrava desse dinheiro, mas sei os motivos que me levaram a dar minha cara a tapa. Já que estou nessa, não vou sair de mãos abanando.

*Voltei a escrever no blog!
*Não sei quem acessa aqui, mas muito obrigada se alguém me ler!
*Listei todos meus objetivos hoje em um papel.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Rodando Bolsinha

Quase 5h da manhã, e eu aqui de calcinha e sutiã fumando um baseado com o notebook no colo.
Faz 6 meses que trabalho como garota de programa, e posso garantir que não é um dinheiro fácil. Mas como sempre falo: é um dinheiro rápido.
Fiz muita burrada na minha vida mas quando me vi com 25 anos, em um quarto úmido e mofado, há quase 2 meses sem ver minha filha, apanhando e vivendo praticamente refém de um relacionamento doentio, resolvi que era hora de fazer alguma coisa pela vida. Eu decidi que precisava ganhar dinheiro, pois andava numa fase que trabalhava hoje pra comer amanhã, e olhe lá. Havia acabado de sair de uma lanchonete, mal tinha dinheiro pra pagar o aluguel, e estava há tempo empurrando a vida com a barriga (uma hora vai melhorar, mas atitude que é bom nada). Arranjei 60 reais emprestado, e comprei formas e chocolates para fazer trufas, e saía todo dia para vendê-las. Mas o dinheiro das trufas não estava sendo suficiente. E então numa bela noite eu decidi ser puta. Não sou feia. Um amigo já havia me dado a idéia, mas me faltava coragem. Só que como dizem por aí, gato com fome lambe até sabão... Eu já tinha dado pra tanto mala por carência, que ganhar dinheiro pra fazer sexo não podia ser tão difícil assim. Comecei a ler blogs, sites, ver filmes, e reunir todas as informações possíveis sobre a prostituição. E quanto mais eu lia a respeito, mais coragem me dava.
Tanta menina faz isso, eu também posso conseguir.
Um dia fui na lan-house, pesquisei por "casa de massagem centro de Florianópolis", e liguei perguntando algo como "precisa de gente pra trabalhar?". Já no primeiro telefonema a resposta foi positiva, peguei o endereço e fiquei de passar lá a tarde.
Não tinha noção do que estava me esperando. No caminho tentava imaginar, os pole-dance, as mulheres estilo panicats peladas e lindas, a cafetina poderosa cheia de ouro, e tudo o mais que se espera na primeira vez que se vai em uma zona.
Levei minha caixa de trufas pra ir vendendo no caminho. Quanto mais perto chegava, mais frio na barriga me dava. "Vai dar certo. Vai dar certo. Vai dar certo". Cheguei no endereço indicado, uma casa azul bem no centro de Florianópolis, em meio a prédios residenciais e lojas comuns. Quando toquei a campainha uma menina bem magrinha e com o olho super carregado de maquiagem verde limão me atendeu. Corta a idéia das panicats. A casa nada mais era que uma sala com dois sofás, tinha um barzinho e 2 portas que eram os quartos. Nada de pole-dance. E lá veio a cafetina, com o cabelo em um coque de ficar em casa, uma bermuda manchada de Ki-Boa e uma camiseta de alguma banda de rock. Ok, a cafetina não é tão chique como eu imaginava. Fomos no bar, e ali ela me explicou como funcionava a casa, os horários, e os valores. R$70 meia hora e R$140 uma hora. Metade pra menina, metade pra ela.
"É muito pouco", pensei. "É, mas se você fizer 10 de meia hora por dia já são R$350" ela me respondeu. Ganhar R$350 por dia, na época, era incrível pra mim e eu não tinha noção de como consumia energia transar com 10 homens por dia!
Topei, e fiquei ali por 4 meses...