O que fazer quando a vontade de dar aquela trepada é grande, mas o corpo não reage mais da maneira desejada?
Muitos homens passam por isso, devido a idade ou problemas de saúde, e optam pelos estimulantes sexuais. Tenho alguns clientes funcionando super bem com os benditos medicamentos, mas é sempre bom lembrar que antes de tomar qualquer remédio, a ida ao médico é obrigatória! Vai conversar com o doutor, fazer um check-up... Nada de sair tomando remédio sem indicação, só porque "deu certo com o amigo".
Uma vez atendi um garoto, de 19 aninhos, que tomou um "azulzinho" pra ver como era (como se precisasse). Resultado: o menino teve taquicardia, suava frio, tremia, e mesmo assim tentou transar por teimosia. Não rolou, claro. Acabou indo embora passando mal, e de pau duro.
Outra experiência que não foi muito legal aconteceu com um taxista que de tanto me levar pra casa após as noitadas nas boates acabou ficando quase íntimo. Ele me contou que conseguiu um esqueminha com duas moças, e ficou nervoso, sem saber se daria conta do recado. Lá foi ele, tomar o remedinho "milagroso" pra não fazer feio na hora. Resumo da ópera: transou pra caramba mas não conseguiu gozar de jeito nenhum, as mulheres pediram peloamordeDeus pra parar e acabaram todos dormindo. No dia seguinte ele estava com o saco roxo, inchado, sem conseguir nem andar direito de tanta dor. Ligou pra farmácia e acabou gozando com uma compressa de gelo nas bolas.
Teve uma bela noite que eu estava de papo com um senhor (na boate), tomando umas doses na conta dele, e jogando todo meu charme pra conseguir um programa.
"Vou no banheiro e em 30 minutinhos a gente vai pro quarto" - ele me disse.
Ele foi pro banheiro e demorou pra voltar. De repente fico sabendo que ele tentou tomar o remédio na pia do banheiro, deixou a pílula cair pelo ralo, e como se não bastasse ARRANCOU O CANO pra ver se conseguia pegar a pílula de volta. Imaginem só o desespero da pessoa pra fazer uma coisa dessas!!
Não teve jeito, e não teve foda. Fazer o quê?
Por fim, não podia deixar de citar um senhorzinho que frequentava a casa de massagem. Ele devia ter seus 80 anos (ou mais) e já não estava na melhor forma física, tanto que o taxista precisava ajudar a subir os 3 degraus da porta. Chegando lá, ele chamava umas 4 ou 5 meninas pro quarto e pedia pra ficar fazendo carinho nele.
Esse não tomava remédio nenhum, e não conseguia ereção, mas se deliciava vendo todas aquelas garotas peladas o acariciando.
"Se fosse uns 50 anos atrás eu tava comendo todas vocês", ele dizia. E eu me divertia, pensando o quanto aquele vozinho já tinha aprontado.
O tempo passa pra todo mundo, é a vida! A gente pode até amadurecer, mudar de opinião, melhorar alguma coisa... Mas a nossa essência, essa continua. E se a pessoa gosta de sexo, não tem jeito, pode fazer 100 anos e vai continuar gostando da coisa. Se a Medicina pode ajudar, bora ser feliz e continuar transando até quando der!!
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Nojo e Preconceito
Esses dias uma criatura me chamou no Whatsapp pedindo informações sobre meu atendimento, e depois perguntou se poderia penetrar sem camisinha. Minha resposta foi óbvia: é claro que não!
Ao ser questionada "porquê não?", respondi que se ele não tem amor a vida e a família eu tenho.
Imagine só, sair transando sem camisinha por aí!
E foi aí que tive uma resposta do tipo:
"Se você se preocupasse com a família não seria puta".
Não perdi meu tempo e nem gastei meus dedos digitando alguma resposta, apenas bloqueei - uma pessoa que até hoje não aprendeu a respeitar os outros e a ter humildade só aprende com a vida (isso é, SE aprender). Discutir não adianta quando a ignorância está falando...
O pior é que isso não é um caso isolado. Claro que nem todos os dias recebo esse tipo de mensagem (graças), mas o preconceito existe e já falei dele por aqui.
Tem homens que inclusive procuram garotas de programa, mas no fundo são cheios de preconceito. Tipo um "nojo", sabe?
Já atendi homens que mal encostaram em mim, como se eu tivesse uma doença contagiosa. E fazer sexo sem encostar em alguém é tipo colocar a pessoa de 4 na beirada da cama, meter, gozar, e ir embora. Muitas vezes sem trocar nem uma palavra direito.
Também já me perguntaram se meu noivo tem coragem de transar comigo sem camisinha. Oi? Gente, o fato de eu ser GP não me torna uma doida que sai dando pras pessoas sem preservativo. Tenho certeza que me cuido muito mais do que muitas mulheres que nunca colocaram o pé em uma zona, como eu coloquei um dia.
É muito ruim quando esse tipo de coisa acontece, me faz ver que existem pessoas com pensamentos bem primitivos ainda.
Mas num mundo em que as pessoas odeiam alguém por ser gay, ou negro, ou de uma religião/opinião diferente - e milhares de outros fatores, não é de se espantar que exista esse preconceito e pensamentos errados sobre as GPS.
Minha opinião (e quem sabe dica) é a seguinte:
Se você tem nojo de encostar em uma garota de programa, não procure uma. (Compre uma boneca inflável ou bata punheta).
Se você acha que a GP vai transar/chupar/beijar outro e depois disso não vai tomar banho/escovar os dentes, não a contrate. (A menos que esteja procurando uma GP de profissionalismo duvidoso)
Se você acha que a GP é uma pessoa errada, sem idéias, sem vida pessoal, sem noções de saúde/higiene, não marque nada. (Até porque uma mulher assim provavelmente não seja uma boa companhia).
Agora, se você viu anúncios, ou foi em um local/boate/casa de massagem e ESCOLHEU uma mulher, NÃO a trate mal, NÃO a trate como um ser inferior.
Gentileza gera gentileza.
Obrigada, de nada!
Ao ser questionada "porquê não?", respondi que se ele não tem amor a vida e a família eu tenho.
Imagine só, sair transando sem camisinha por aí!
E foi aí que tive uma resposta do tipo:
"Se você se preocupasse com a família não seria puta".
Não perdi meu tempo e nem gastei meus dedos digitando alguma resposta, apenas bloqueei - uma pessoa que até hoje não aprendeu a respeitar os outros e a ter humildade só aprende com a vida (isso é, SE aprender). Discutir não adianta quando a ignorância está falando...
O pior é que isso não é um caso isolado. Claro que nem todos os dias recebo esse tipo de mensagem (graças), mas o preconceito existe e já falei dele por aqui.
Tem homens que inclusive procuram garotas de programa, mas no fundo são cheios de preconceito. Tipo um "nojo", sabe?
Já atendi homens que mal encostaram em mim, como se eu tivesse uma doença contagiosa. E fazer sexo sem encostar em alguém é tipo colocar a pessoa de 4 na beirada da cama, meter, gozar, e ir embora. Muitas vezes sem trocar nem uma palavra direito.
Também já me perguntaram se meu noivo tem coragem de transar comigo sem camisinha. Oi? Gente, o fato de eu ser GP não me torna uma doida que sai dando pras pessoas sem preservativo. Tenho certeza que me cuido muito mais do que muitas mulheres que nunca colocaram o pé em uma zona, como eu coloquei um dia.
É muito ruim quando esse tipo de coisa acontece, me faz ver que existem pessoas com pensamentos bem primitivos ainda.
Mas num mundo em que as pessoas odeiam alguém por ser gay, ou negro, ou de uma religião/opinião diferente - e milhares de outros fatores, não é de se espantar que exista esse preconceito e pensamentos errados sobre as GPS.
Minha opinião (e quem sabe dica) é a seguinte:
Se você tem nojo de encostar em uma garota de programa, não procure uma. (Compre uma boneca inflável ou bata punheta).
Se você acha que a GP vai transar/chupar/beijar outro e depois disso não vai tomar banho/escovar os dentes, não a contrate. (A menos que esteja procurando uma GP de profissionalismo duvidoso)
Se você acha que a GP é uma pessoa errada, sem idéias, sem vida pessoal, sem noções de saúde/higiene, não marque nada. (Até porque uma mulher assim provavelmente não seja uma boa companhia).
Agora, se você viu anúncios, ou foi em um local/boate/casa de massagem e ESCOLHEU uma mulher, NÃO a trate mal, NÃO a trate como um ser inferior.
Gentileza gera gentileza.
Obrigada, de nada!
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Cliente J
-Nossa! Quando o J te ver vai ficar louco. Ele costuma ficar horas e horas no quarto, é um cliente muito bom. - dizia a cafetina nos meus primeiros dias de trabalho.
J era um cliente conhecido nas madrugadas da casa de massagem assim que comecei a trabalhar.
Paralelamente, eu ouvia outras garotas falando:
-Ah, eu odeio atender o J. Ele é irritante.
E outras:
-Eu adoro, só fico lá deitada e deixo ele falar.
As opiniões eram divididas, algumas diziam que ele era querido, outras o achavam maluco, e eu - que estava iniciando "carreira" na putaria não conseguia imaginar o que esse tal J tinha de diferente.
Eu perguntava e ninguém me contava nada demais, o J era meio que uma piada interna:
-Ele é tranquilo. Quando você conhecer vai entender. - Algumas me falavam.
Até que pela terceira ou quarta noite o tal do J chegou. Devia ter entre 35 e 40 anos, alto, ruivo, e bem elegante.
A cafetina estava certa: ele gostou de mim, e me escolheu para irmos ao quarto.
Entramos, trocamos algumas palavras, e ele perguntou se eu me importaria se ele cheirasse cocaína ali. Eu deixei, afinal eu já tinha percebido que aquela cena seria mais comum do que ele mesmo podia imaginar.
Ele cheirou, sentou na beirada da cama ainda de roupa e começou a conversar.
Disse que gostava de curtir o momento, que nem sempre chegava a transar com as meninas. Pediu pra que eu não tirasse minha roupa, e então ele mesmo tirou meus sapatos e eu comecei a entender porque as meninas riam tanto ao falar nele.
Começou a fazer massagem nos meus pés e falava:
-Oxiiii... Que péjinho munito menina! - com a voz de bebê mais enjoada que você puder imaginar.
-Xabe Juju, eu goxtu muito muito muito di converxar...
E seguiu me fazendo perguntas bem banais tendo em vista o ambiente que nos encontrávamos, como comida preferida, tipo de filme, etc. Cheirou cocaína e conversou (com voz de bebê) durante umas 3 horas seguidas.
No início eu achei que poderia ser um nojento com tendências pedofilas, mas ele não falou nada sobre sexo em nenhum momento - e nem tiramos a roupa. Apenas falava comigo e fazia carinho nas mãos e pés, não aparentava excitação sexual nenhuma.
As vezes me dava vontade de rir ao ver aquele homem falando daquele jeito. Mas eu me continha, afinal vai saber a reação da criatura, né? Eu ia dando assunto, e deixando ele falar.
Ele continuou frequentando a casa durante um bom tempo. Na grande maioria das vezes a cena se repetia: conversava por horas com voz de bebê (só ele, claro haha). Acho que transamos uma vez só, quando ele apareceu falando normalmente - nem parecia o mesmo J.
Em todas as vezes, já no final do atendimento (quando a droga tinha acabado), ele começava a se arrepender por estar ali, falava que estava gastando muito dinheiro e as vezes até chorava.
A depressão não durava muito, pois sempre sumia por no máximo um mês.
Depois que saí de lá nunca mais vi o J, e nem sei que lugar anda frequentando.
Nunca tive coragem de perguntar se ele não achava interessante procurar um psicólogo ou analista. Mas no fim das contas torço pra que esteja bem e, quem sabe, recuperado. Pois apesar de toda aparente loucura, sei que ele era uma boa pessoa!
J era um cliente conhecido nas madrugadas da casa de massagem assim que comecei a trabalhar.
Paralelamente, eu ouvia outras garotas falando:
-Ah, eu odeio atender o J. Ele é irritante.
E outras:
-Eu adoro, só fico lá deitada e deixo ele falar.
As opiniões eram divididas, algumas diziam que ele era querido, outras o achavam maluco, e eu - que estava iniciando "carreira" na putaria não conseguia imaginar o que esse tal J tinha de diferente.
Eu perguntava e ninguém me contava nada demais, o J era meio que uma piada interna:
-Ele é tranquilo. Quando você conhecer vai entender. - Algumas me falavam.
Até que pela terceira ou quarta noite o tal do J chegou. Devia ter entre 35 e 40 anos, alto, ruivo, e bem elegante.
A cafetina estava certa: ele gostou de mim, e me escolheu para irmos ao quarto.
Entramos, trocamos algumas palavras, e ele perguntou se eu me importaria se ele cheirasse cocaína ali. Eu deixei, afinal eu já tinha percebido que aquela cena seria mais comum do que ele mesmo podia imaginar.
Ele cheirou, sentou na beirada da cama ainda de roupa e começou a conversar.
Disse que gostava de curtir o momento, que nem sempre chegava a transar com as meninas. Pediu pra que eu não tirasse minha roupa, e então ele mesmo tirou meus sapatos e eu comecei a entender porque as meninas riam tanto ao falar nele.
Começou a fazer massagem nos meus pés e falava:
-Oxiiii... Que péjinho munito menina! - com a voz de bebê mais enjoada que você puder imaginar.
-Xabe Juju, eu goxtu muito muito muito di converxar...
E seguiu me fazendo perguntas bem banais tendo em vista o ambiente que nos encontrávamos, como comida preferida, tipo de filme, etc. Cheirou cocaína e conversou (com voz de bebê) durante umas 3 horas seguidas.
No início eu achei que poderia ser um nojento com tendências pedofilas, mas ele não falou nada sobre sexo em nenhum momento - e nem tiramos a roupa. Apenas falava comigo e fazia carinho nas mãos e pés, não aparentava excitação sexual nenhuma.
As vezes me dava vontade de rir ao ver aquele homem falando daquele jeito. Mas eu me continha, afinal vai saber a reação da criatura, né? Eu ia dando assunto, e deixando ele falar.
Ele continuou frequentando a casa durante um bom tempo. Na grande maioria das vezes a cena se repetia: conversava por horas com voz de bebê (só ele, claro haha). Acho que transamos uma vez só, quando ele apareceu falando normalmente - nem parecia o mesmo J.
Em todas as vezes, já no final do atendimento (quando a droga tinha acabado), ele começava a se arrepender por estar ali, falava que estava gastando muito dinheiro e as vezes até chorava.
A depressão não durava muito, pois sempre sumia por no máximo um mês.
Depois que saí de lá nunca mais vi o J, e nem sei que lugar anda frequentando.
Nunca tive coragem de perguntar se ele não achava interessante procurar um psicólogo ou analista. Mas no fim das contas torço pra que esteja bem e, quem sabe, recuperado. Pois apesar de toda aparente loucura, sei que ele era uma boa pessoa!
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Casarão
Quando saí da casa de massagem fiquei perdida. Saí de lá em meio a uma discussão com a cafetina e outra garota, com 250 reais na carteira, aluguel e babá por vencer e sem saber pra onde correr, pois eu não conhecia outros lugares.
Voltei à estaca zero e comecei a ligar pra várias casas de massagem perguntando se precisavam de garotas. Algumas já estavam cheias, e outras fui visitar. Contei a saga toda por aqui.
O problema é que era muito difícil encontrar um ambiente "decente". A casa onde eu trabalhava podia ser horrível em questão de tratamento com as garotas, valor e clientes, mas era muito limpa e isso eu não posso negar.
Quando fui visitar outras, vi algumas que além de tudo de ruim, ainda por cima eram sujas, não trocavam nem o lençol e as toalhas.
Em uma dessas "visitas" em casas, fui parar num casarão desses antigos. Quando cheguei me deparei com a dona, uma coroa de biquíni amarelo.
Entrei e ela começou a me mostrar a casa. Na hora já não gostei, os quartos eram improvisados e alguns em vez de porta tinha apenas uma cortina, mas fiquei sem jeito de falar pra ela na hora.
Então ela foi me mostrar a "área de lazer".
-A gente gosta de deixar os clientes à vontade. Às vezes eles ficam na piscina, bebendo, depois resolvem fazer algum programa.
Quero que nesse momento, querido leitor, você imagine a cena que vou descrever: a parte dos fundos de um casarão antigo, grama precisando ser cortada urgentemente, sacos de lixo nos cantos das paredes, latas de cerveja e bituca de cigarro por tudo quanto é canto. Eis a piscina: de plástico, com suporte de ferro, a água devia bater na altura do meu joelho, mais ou menos. Ao lado, uns 4 homens e umas meninas nada simpáticas se revezando em cadeiras plástica e cadeiras de praia meio rasgadas e enferrujadas. O cenário perfeito para propagação de dengue, zika, chycungunha, micose, tétano e toda sorte de doenças imagináveis.
Queria sair dali correndo.
-Ah! E você ganha 2 reais por cada cerveja que o cliente pagar pra você.
Uau! Parece tentador hein! (Só que não).
-Você pode se trocar naquele banheiro ali. SAI DAÍ JENIFER! A MENINA VAI SE ARRUMAR! - A dona da casa disse enquanto me levava até o banheiro, enxotando outra menina que estava retocando a maquiagem.
Eu realmente queria ir embora dali. Mas fiquei com vergonha de falar, não sabia como dizer que me senti péssima naquele ambiente e não entendia como as garotas e os clientes se sujeitavam aquilo.
-Poxa, agora que lembrei. Esqueci de trazer meu buscopam, estou com uma cólica terrível. Vou na farmácia e já volto.
Sim, eu sei que poderia ter simplesmente ido embora, mas na hora preferi inventar uma desculpa.
Qual foi minha surpresa quando a dona falou que eu não precisava sair que tinha remédio lá.
Me entregou, e disse que qualquer coisa estaria na piscina.
Entrei no banheiro, esperei 2 minutos e saí de volta.
Fui em direção a porta de saída, uma das garotas ficou me encarando e eu disse:
-Vou ali e já volto.
Desci aquela rua sem olhar pra trás, com os passos mais rápidos que eu podia. Nunca mais voltei!
Voltei à estaca zero e comecei a ligar pra várias casas de massagem perguntando se precisavam de garotas. Algumas já estavam cheias, e outras fui visitar. Contei a saga toda por aqui.
O problema é que era muito difícil encontrar um ambiente "decente". A casa onde eu trabalhava podia ser horrível em questão de tratamento com as garotas, valor e clientes, mas era muito limpa e isso eu não posso negar.
Quando fui visitar outras, vi algumas que além de tudo de ruim, ainda por cima eram sujas, não trocavam nem o lençol e as toalhas.
Em uma dessas "visitas" em casas, fui parar num casarão desses antigos. Quando cheguei me deparei com a dona, uma coroa de biquíni amarelo.
Entrei e ela começou a me mostrar a casa. Na hora já não gostei, os quartos eram improvisados e alguns em vez de porta tinha apenas uma cortina, mas fiquei sem jeito de falar pra ela na hora.
Então ela foi me mostrar a "área de lazer".
-A gente gosta de deixar os clientes à vontade. Às vezes eles ficam na piscina, bebendo, depois resolvem fazer algum programa.
Quero que nesse momento, querido leitor, você imagine a cena que vou descrever: a parte dos fundos de um casarão antigo, grama precisando ser cortada urgentemente, sacos de lixo nos cantos das paredes, latas de cerveja e bituca de cigarro por tudo quanto é canto. Eis a piscina: de plástico, com suporte de ferro, a água devia bater na altura do meu joelho, mais ou menos. Ao lado, uns 4 homens e umas meninas nada simpáticas se revezando em cadeiras plástica e cadeiras de praia meio rasgadas e enferrujadas. O cenário perfeito para propagação de dengue, zika, chycungunha, micose, tétano e toda sorte de doenças imagináveis.
Queria sair dali correndo.
-Ah! E você ganha 2 reais por cada cerveja que o cliente pagar pra você.
Uau! Parece tentador hein! (Só que não).
-Você pode se trocar naquele banheiro ali. SAI DAÍ JENIFER! A MENINA VAI SE ARRUMAR! - A dona da casa disse enquanto me levava até o banheiro, enxotando outra menina que estava retocando a maquiagem.
Eu realmente queria ir embora dali. Mas fiquei com vergonha de falar, não sabia como dizer que me senti péssima naquele ambiente e não entendia como as garotas e os clientes se sujeitavam aquilo.
-Poxa, agora que lembrei. Esqueci de trazer meu buscopam, estou com uma cólica terrível. Vou na farmácia e já volto.
Sim, eu sei que poderia ter simplesmente ido embora, mas na hora preferi inventar uma desculpa.
Qual foi minha surpresa quando a dona falou que eu não precisava sair que tinha remédio lá.
Me entregou, e disse que qualquer coisa estaria na piscina.
Entrei no banheiro, esperei 2 minutos e saí de volta.
Fui em direção a porta de saída, uma das garotas ficou me encarando e eu disse:
-Vou ali e já volto.
Desci aquela rua sem olhar pra trás, com os passos mais rápidos que eu podia. Nunca mais voltei!
segunda-feira, 6 de junho de 2016
A Jessica Tá Louca
Dizem que nessa vida é difícil encontrar amigas verdadeiras, mas eu posso dizer que encontrei algumas pelo meio do caminho sim!
Meu conceito de amizade não é aquele de "tem que falar todo dia" ou "viver na casa do outro". Pelo contrário... Na minha opinião bons amigos são aqueles que seguem caminhos diferentes mas ao mesmo tempo estão sempre por perto, que a gente sabe que pode contar e vice-versa.
Minha amizade com a Jessica (nome de guerra) é assim. Ela tem a vida dela e eu a minha, não nos vemos com tanta frequência, mas temos um carinho grande uma pela outra e já tivemos boas provas de amizade.
Lembro do primeiro dia que ela chegou pra trabalhar na boate. Eu ja estava lá a alguns meses e pude notar que ela estava perdida: nunca havia trabalhado. Sempre gostei de dar uma mão pras meninas que estavam começando, porque sei que o começo é bem assustador e difícil, então eu e a Jessica começamos a conversar, beber, e rir juntas todas as noites. Logo ela estava craque, cheia de clientes, uma puta de primeira. Eu brincava que ela havia nascido pra isso, hahaha.
Quando comecei a fazer show de strip (sim gente, na noite eu me virava nos 30 pra garantir dinheiro no bolso rsrs) convidei ela pra fazer também, mas a danada morria de vergonha de ficar lá pelada na frente de todo mundo... Até que a tequila entrou na vida dela.
Certa noite um cliente começou a pagar doses de tequila, e a Jessica se empolgou. Não lembro o número exato de doses, mas ela tomou muitas. Resultado: em poucos minutos já estava dançando em cima do balcão, e não demorou muito pra tirar a roupa toda - a vergonha foi embora e ela alegrou a noite dos homens que estavam lá hahaha!
O cliente que estava pagando as doses era um velho conhecido, daquele que até os funcionários da zona conhecem pelo nome. Então ele convidou a Jessica para ir dormir na casa dele, e ela foi.
Detalhe: ela foi só de sobretudo, descalça, sem nada por baixo. Entraram no carro e tchau.
Dizem que chegando lá nem fizeram nada direito, pois estavam pra lá de Bagdá.
O melhor de tudo foi o dia seguinte: como ela ia fazer pra ir embora, sem roupa?
Pois chamaram um táxi, e ela foi novamente de sobretudo, sem nada por baixo, de volta pra zona, pra pegar o sapato e as roupas que tinham ficado por lá, descabelada, pálida, e morrendo de dor de cabeça.
Tem histórias que não dá pra deixar passar. Como uma boa amiga, eu não poderia deixar de registrar esse capítulo da tequila!!
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Sobre a Aposentadoria
5 meses... Menos de meio ano... É SÓ isso que falta para eu "pendurar as calcinhas" como dizem por aí. Sei que vai passar rápido, e tem horas que sinto um frio na barriga.
Como vai ser depois? Será que eu vou sentir falta? E os clientes? Devo manter amizade com os mais "chegados"? Continuo escrevendo no blog? E se um dia me faltar dinheiro?
Não é uma vida fácil. Está longe disso. Mas não posso negar que tem seus prazeres e confortos.
Dinheiro é bom e todo mundo gosta, e mesmo que não seja uma fortuna é sempre bom saber que "vai ter". Não adianta: pouco ou muito, toda puta ganha dinheiro. Sempre tem cliente. Se um dia não dá tão bom, no outro já melhora, e assim vai. Também posso me dar o luxo de simplesmente não trabalhar se eu não estiver num dia legal... Adoro ser dona do meu nariz e não ter que dar satisfação pra nenhum patrão haha.
Mas sinto que está chegando a hora mesmo, sabe? O cansaço e o stress às vezes afetam um pouco a rotina. Talvez muitas pessoas não se dêem conta disso, mas nós, garotas de programa, vivemos em clima de tensão, afinal nunca sabemos quem iremos encontrar. Sem falar no fato de estarmos sendo julgadas o tempo inteiro por algo tão íntimo: nosso corpo e nosso jeito de transar.
E tem aquilo que já comentei por aqui, que é muitíssimo importante pra mim: minha vida pessoal me chama. Aliás, ultimamente ela não chama, ela grita. Minha filha está virando uma mocinha cada vez mais esperta - o que só me impulsiona a parar, e surgiu alguém na minha vida. Na verdade surgiu no inicio, quando fazia apenas 2 meses que eu estava nessa - e lidar com minha cabeça dura de "só vou parar quando conseguir o que eu quero" não é fácil pra ele. Mas o tempo de espera nos fez ver que é isso mesmo, que não era fogo de palha, e eu quero muito aproveitar a chance de ter encontrado alguém que nos ame (a mim e minha pequena) e que me faz sentir que tenho, enfim, uma família. Quero tentar.
Ando sentindo vontade de ter uma vida mais normal mesmo, estudos, trabalho, família, aquela coisa com um Q de Amélia (mas uma Amélia moderna, viu gente!).
Enfim, acho que é praticamente uma contagem regressiva para o fim de um ciclo e início de um novo.
Desejo apenas que esse encerre em paz e que o próximo seja ainda mais feliz...
Que venham os últimos meses!
Como vai ser depois? Será que eu vou sentir falta? E os clientes? Devo manter amizade com os mais "chegados"? Continuo escrevendo no blog? E se um dia me faltar dinheiro?
Não é uma vida fácil. Está longe disso. Mas não posso negar que tem seus prazeres e confortos.
Dinheiro é bom e todo mundo gosta, e mesmo que não seja uma fortuna é sempre bom saber que "vai ter". Não adianta: pouco ou muito, toda puta ganha dinheiro. Sempre tem cliente. Se um dia não dá tão bom, no outro já melhora, e assim vai. Também posso me dar o luxo de simplesmente não trabalhar se eu não estiver num dia legal... Adoro ser dona do meu nariz e não ter que dar satisfação pra nenhum patrão haha.
Mas sinto que está chegando a hora mesmo, sabe? O cansaço e o stress às vezes afetam um pouco a rotina. Talvez muitas pessoas não se dêem conta disso, mas nós, garotas de programa, vivemos em clima de tensão, afinal nunca sabemos quem iremos encontrar. Sem falar no fato de estarmos sendo julgadas o tempo inteiro por algo tão íntimo: nosso corpo e nosso jeito de transar.
E tem aquilo que já comentei por aqui, que é muitíssimo importante pra mim: minha vida pessoal me chama. Aliás, ultimamente ela não chama, ela grita. Minha filha está virando uma mocinha cada vez mais esperta - o que só me impulsiona a parar, e surgiu alguém na minha vida. Na verdade surgiu no inicio, quando fazia apenas 2 meses que eu estava nessa - e lidar com minha cabeça dura de "só vou parar quando conseguir o que eu quero" não é fácil pra ele. Mas o tempo de espera nos fez ver que é isso mesmo, que não era fogo de palha, e eu quero muito aproveitar a chance de ter encontrado alguém que nos ame (a mim e minha pequena) e que me faz sentir que tenho, enfim, uma família. Quero tentar.
Ando sentindo vontade de ter uma vida mais normal mesmo, estudos, trabalho, família, aquela coisa com um Q de Amélia (mas uma Amélia moderna, viu gente!).
Enfim, acho que é praticamente uma contagem regressiva para o fim de um ciclo e início de um novo.
Desejo apenas que esse encerre em paz e que o próximo seja ainda mais feliz...
Que venham os últimos meses!
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Clientes
Não sei dizer quantos clientes já atendi desde que comecei a trabalhar como GP, nem sei se eu gostaria de fazer essa conta rsrs, mas foi o suficiente para me deixar "um pouco" mais experiente e para aprender a lidar com eles também.
Existe cliente de tudo que é tipo, estilo, idade, nacionalidade. São muitos os homens que pagam por sexo - isso é fato.
Alguns deles aparecem só de vez em quando, e outros tornam-se clientes fixos - são os que "sempre" vem, todo mês, toda semana, quase todo dia, enfim...
Certa vez atendi um cliente que começou a vir religiosamente todos os dias, durante umas 3 semanas. Não falhou nem um dia sequer! Até que simplesmente não apareceu mais... Acho que faliu, ou enjoou mesmo (espero que não tenha sido nada grave).
Entre tantos clientes, são diversas personalidades - claro.
Tem alguns que não querem só sexo, querem companhia mesmo. Conversar, namorar, passar o tempo com alguém.
Alguns mandam mensagens de bom dia, boa tarde, boa noite, e mandam mensagem pra perguntar se está tudo bem durante a semana.
Outros já separam bem o lado profissional do pessoal, e realmente só procuram quando querem marcar um horário.
A grande maioria é bem gente boa, transam, batem um papinho, e quando o tempo acaba pagam e vão embora.
Com alguns chega a rolar um carinho, tipo "amigos que fazem sexo", gosto quando rola essa afinidade, o programa flui e se torna leve.
Mas claro que existem os sem-noção também. Começando pelos grosseiros, ou que tem algo muito incômodo (como um que cheira cocaina e vive com o nariz escorrendo, eca). Esses normalmente eu atendo apenas uma vez e coloco na lista negra pra nunca mais atender. Tenho vários contatos nomeados de "não atender" ou "somente emergência" (que são aqueles que dá pra encarar mas só se estiver precisando muito de dinheiro rsrs).
Ou uns que tomam liberdade demais, e daí é preciso cortar as asinhas.
Já tive caso de cliente que achava que eu devia alguma satisfação. Ele vinha toda semana e às vezes me ligava pra saber como eu estava. Eu atendia e era simpática com ele, afinal era um bom cliente. Certa vez ele ligou no fim de semana, e eu não atendi (meu celular costuma ficar desligado). Na segunda-feira tive que ouvir ele me perguntando se eu estava tão ocupada que não podia atendê-lo, que ele queria me convidar pra sair (sabendo que só atendo de segunda a sexta), e queria saber o que eu estava fazendo. Oi?
E não para por aí... Pra não perder o costume, lembrei de um cliente da casa de massagem. Ele era motoboy, entregava lanches de madrugada, e de vez em quando ia me fazer uma visita. Sempre ficava meia hora, e até então nunca tinha me incomodado
Uma bela noite ele apareceu e tudo rolava bem, até que nosso tempo acabou. Ele pediu mais 5 minutos, e eu deixei. A cafetina começou a bater na porta, precisava liberar o quarto. Ele novamente pediu mais 5 minutos, e eu tentei explicar que realmente não dava, só se ele pagasse mais. Além da pressão da cafetina, eu também não tinha tempo a perder, ganhava pouco por programa e precisava atender outros clientes.
Ele começou a dizer que eu não tinha consideração por ele, que eu preferia os outros, saiu bufando e dizendo
-Vai lá vai... Vai atender teus clientinhos!
(Hoje claro que não brigo com ninguém por causa de 5 ou 10 minutos, mas quando trabalhamos para os outros não é tão simples assim).
Tento entender esse povo até hoje... Mas o que mais gosto nisso tudo é que o contato íntimo com os clientes me faz enxergar como as pessoas são diferentes uma das outras (ainda bem!).
Existe cliente de tudo que é tipo, estilo, idade, nacionalidade. São muitos os homens que pagam por sexo - isso é fato.
Alguns deles aparecem só de vez em quando, e outros tornam-se clientes fixos - são os que "sempre" vem, todo mês, toda semana, quase todo dia, enfim...
Certa vez atendi um cliente que começou a vir religiosamente todos os dias, durante umas 3 semanas. Não falhou nem um dia sequer! Até que simplesmente não apareceu mais... Acho que faliu, ou enjoou mesmo (espero que não tenha sido nada grave).
Entre tantos clientes, são diversas personalidades - claro.
Tem alguns que não querem só sexo, querem companhia mesmo. Conversar, namorar, passar o tempo com alguém.
Alguns mandam mensagens de bom dia, boa tarde, boa noite, e mandam mensagem pra perguntar se está tudo bem durante a semana.
Outros já separam bem o lado profissional do pessoal, e realmente só procuram quando querem marcar um horário.
A grande maioria é bem gente boa, transam, batem um papinho, e quando o tempo acaba pagam e vão embora.
Com alguns chega a rolar um carinho, tipo "amigos que fazem sexo", gosto quando rola essa afinidade, o programa flui e se torna leve.
Mas claro que existem os sem-noção também. Começando pelos grosseiros, ou que tem algo muito incômodo (como um que cheira cocaina e vive com o nariz escorrendo, eca). Esses normalmente eu atendo apenas uma vez e coloco na lista negra pra nunca mais atender. Tenho vários contatos nomeados de "não atender" ou "somente emergência" (que são aqueles que dá pra encarar mas só se estiver precisando muito de dinheiro rsrs).
Ou uns que tomam liberdade demais, e daí é preciso cortar as asinhas.
Já tive caso de cliente que achava que eu devia alguma satisfação. Ele vinha toda semana e às vezes me ligava pra saber como eu estava. Eu atendia e era simpática com ele, afinal era um bom cliente. Certa vez ele ligou no fim de semana, e eu não atendi (meu celular costuma ficar desligado). Na segunda-feira tive que ouvir ele me perguntando se eu estava tão ocupada que não podia atendê-lo, que ele queria me convidar pra sair (sabendo que só atendo de segunda a sexta), e queria saber o que eu estava fazendo. Oi?
E não para por aí... Pra não perder o costume, lembrei de um cliente da casa de massagem. Ele era motoboy, entregava lanches de madrugada, e de vez em quando ia me fazer uma visita. Sempre ficava meia hora, e até então nunca tinha me incomodado
Uma bela noite ele apareceu e tudo rolava bem, até que nosso tempo acabou. Ele pediu mais 5 minutos, e eu deixei. A cafetina começou a bater na porta, precisava liberar o quarto. Ele novamente pediu mais 5 minutos, e eu tentei explicar que realmente não dava, só se ele pagasse mais. Além da pressão da cafetina, eu também não tinha tempo a perder, ganhava pouco por programa e precisava atender outros clientes.
Ele começou a dizer que eu não tinha consideração por ele, que eu preferia os outros, saiu bufando e dizendo
-Vai lá vai... Vai atender teus clientinhos!
(Hoje claro que não brigo com ninguém por causa de 5 ou 10 minutos, mas quando trabalhamos para os outros não é tão simples assim).
Tento entender esse povo até hoje... Mas o que mais gosto nisso tudo é que o contato íntimo com os clientes me faz enxergar como as pessoas são diferentes uma das outras (ainda bem!).
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Amor Próprio É Tudo
Nada melhor do que amar a si mesmo... Depois que a gente descobre o quanto é especial, não é qualquer coisa que nos abala.
Viver no meio da prostituição me tornou muito mais forte. Descobri uma força em mim que nem eu mesma sabia que existia, e nesse período eu aprendi a me amar e me valorizar mais. Não falo em questão de cachê, dinheiro, mas de auto-estima e segurança mesmo, sabe?
Dou risada quando lembro, mas quando comecei a pensar na hipótese de virar uma garota de programa, uma das minhas dúvidas era: será que alguém vai pagar pra transar comigo?
Hahaha! Não sou nenhuma Gisele Bündchen, mas nunca servi pra feia, modéstia a parte. Só que apesar de sempre receber elogios, eu não me enxergava assim. Até me achava bonita, mas quase sempre me sentia inferior em relação a outras pessoas.
Também achava que nessa vida da putaria só tinha lugar pras Panicats. E eu vi que não... São mulheres normais, como eu, e qualquer outra mulher que a gente vê na rua todo dia. Claro que o dinheiro faz a gente melhorar, afinal o que a natureza não dá o dinheiro compra rsrs... Mas todas se preocupam com estrias, celulites, pontas duplas, imperfeições, enfim. Mulheres normais!
Foi vendo tudo isso que comecei a me aceitar mais, a gostar mais de mim mesma do jeito que eu sou. E então descobri que amor próprio é o primeiro passo pra ser realmente feliz.
Percebi que na verdade eu estava me cercando de pessoas que me colocavam "pra baixo", e que o problema estava nelas, e não em mim (relacionamentos doentios podem fazer grandes estragos - não só físicos, mas principalmente emocionais).
Quando "emputeci", a procura dos clientes por mim também foi um fator que fez minha auto estima melhorar muito. Os elogios, mais ainda.
Comecei a ver que existem sim pessoas que não só pagam pra sair comigo, como muitas vezes gostam, voltam, e se sentem bem ao meu lado. Dessa forma eu enxerguei que eu não precisava me arrastar aos pés de ninguém (como já fiz no passado, confesso).
O melhor de tudo isso é que a mudança é visível e praticamente "milagrosa". A partir do momento que a gente se ama e se aceita, aprende também a impor limites. Tomamos consciência que não nascemos pra ser pisados, humilhados, ignorados, enfim... A gente realmente se dá conta que merece o melhor, sempre!
Hoje em dia acordo me achando linda, gostosa, poderosa (menos quando estou de TPM). Continuo enxergando aquela imperfeição ali, outra aqui, mas penso "as outras qualidades superam" rsrs e assim vou vivendo, me amando, me descobrindo mais a cada dia e com a certeza que todos nós temos muito poder e brilho próprio... É só despertar!
Viver no meio da prostituição me tornou muito mais forte. Descobri uma força em mim que nem eu mesma sabia que existia, e nesse período eu aprendi a me amar e me valorizar mais. Não falo em questão de cachê, dinheiro, mas de auto-estima e segurança mesmo, sabe?
Dou risada quando lembro, mas quando comecei a pensar na hipótese de virar uma garota de programa, uma das minhas dúvidas era: será que alguém vai pagar pra transar comigo?
Hahaha! Não sou nenhuma Gisele Bündchen, mas nunca servi pra feia, modéstia a parte. Só que apesar de sempre receber elogios, eu não me enxergava assim. Até me achava bonita, mas quase sempre me sentia inferior em relação a outras pessoas.
Também achava que nessa vida da putaria só tinha lugar pras Panicats. E eu vi que não... São mulheres normais, como eu, e qualquer outra mulher que a gente vê na rua todo dia. Claro que o dinheiro faz a gente melhorar, afinal o que a natureza não dá o dinheiro compra rsrs... Mas todas se preocupam com estrias, celulites, pontas duplas, imperfeições, enfim. Mulheres normais!
Foi vendo tudo isso que comecei a me aceitar mais, a gostar mais de mim mesma do jeito que eu sou. E então descobri que amor próprio é o primeiro passo pra ser realmente feliz.
Percebi que na verdade eu estava me cercando de pessoas que me colocavam "pra baixo", e que o problema estava nelas, e não em mim (relacionamentos doentios podem fazer grandes estragos - não só físicos, mas principalmente emocionais).
Quando "emputeci", a procura dos clientes por mim também foi um fator que fez minha auto estima melhorar muito. Os elogios, mais ainda.
Comecei a ver que existem sim pessoas que não só pagam pra sair comigo, como muitas vezes gostam, voltam, e se sentem bem ao meu lado. Dessa forma eu enxerguei que eu não precisava me arrastar aos pés de ninguém (como já fiz no passado, confesso).
O melhor de tudo isso é que a mudança é visível e praticamente "milagrosa". A partir do momento que a gente se ama e se aceita, aprende também a impor limites. Tomamos consciência que não nascemos pra ser pisados, humilhados, ignorados, enfim... A gente realmente se dá conta que merece o melhor, sempre!
Hoje em dia acordo me achando linda, gostosa, poderosa (menos quando estou de TPM). Continuo enxergando aquela imperfeição ali, outra aqui, mas penso "as outras qualidades superam" rsrs e assim vou vivendo, me amando, me descobrindo mais a cada dia e com a certeza que todos nós temos muito poder e brilho próprio... É só despertar!
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Crises Existenciais
Logo que comecei a trabalhar tive umas crises de existência, ou de identidade - como quiser chamar.
Do dia pra noite eu, que nunca nem sequer tinha pisado em uma zona, estava lá, trabalhando.
Lembro até hoje de como escolhi o nome Juliana e da roupa que eu usei na primeira noite (um short vermelho e uma blusinha preta - que estavam largos e bem batidos). Apesar de não fazer tanto tempo assim (pouco mais de 1 ano e meio), já vivi tanta coisa nesse período que parece que fui puta a vida inteira.
Claro que foi uma escolha minha e que eu tinha consciência que não seria fácil. Mas na prática tudo é mais complicado, né?
Meu primeiro dia de trabalho foi uma "maravilha". Os clientes não eram dos melhores, mas eu estava meio que em "modo automático" de tão nervosa, e mal raciocinava. Pensava apenas em ganhar dinheiro e tornar aquilo o mais agradável possível.
"Vou tirar de letra" - pensei. Mas mal sabia o que me aguardava...
Nos dias seguintes já tive uns altos e baixos, mesmo com o dinheiro entrando eu pensava "será que vale a pena?" "e se alguém descobrir?" - eu estava saindo de um relacionamento doentio e morria de medo de ser descoberta (tenho certeza que, na época, ele me mataria). Hoje em dia, não me importo mais. As pessoas que precisam saber, sabem. E se alguém que ainda não sabe "descobrir", paciência!
Lembro que no início tinha dias que eu torcia pra campainha daquela casa de massagem não tocar, mesmo sabendo que precisava que ela tocasse para ganhar dinheiro - caso contrário eu estaria ali perdendo tempo. Certa vez me senti tão angustiada que comecei a chorar no meio do programa, e pedi pro cliente não contar nada pra cafetina e que eu mesma devolveria o dinheiro dele - e assim fiz.
Outra vez, já nas boates, também tive uma crise de choro no meio do salão, peguei minhas coisas e fui embora ainda no início da noite. Me sentia suja e perdida naquele meio.
Mas logo vinha o dia seguinte, a necessidade do dinheiro, e eu pensava "eu aguento". Aos poucos as coisas vão se tornando normais.
Não sei em que momento o nome "Juliana" passou a fazer parte de mim definitivamente. Em que momento tudo isso se tornou rotineiro. Quando foi que a ideia de ser uma garota de programa deixou se der novidade.
Fui me acostumando aos poucos, o que não quer dizer que tenha sido fácil. Longe disso! Vários dias não fui trabalhar, ou desisti no meio da noite, por não estar bem psicologicamente.
As coisas começaram a melhorar quando passei a trabalhar por anúncios, e somente durante o dia. Voltei a ter uma rotina normal, e viver mais a minha vida pessoal, e isso me fez muito bem.
Atualmente posso dizer que estou bem, mesmo. Não que nas outras épocas não estivesse, mas a fase das crises existenciais passou. Hoje me sinto mais segura, mais convicta do que quero, e até melhor como pessoa.
A prostituição me ensinou muita coisa, muita coisa mesmo. E não falo só de sexo, mas sim sobre a vida, as pessoas, e sobre mim mesma principalmente.
Do dia pra noite eu, que nunca nem sequer tinha pisado em uma zona, estava lá, trabalhando.
Lembro até hoje de como escolhi o nome Juliana e da roupa que eu usei na primeira noite (um short vermelho e uma blusinha preta - que estavam largos e bem batidos). Apesar de não fazer tanto tempo assim (pouco mais de 1 ano e meio), já vivi tanta coisa nesse período que parece que fui puta a vida inteira.
Claro que foi uma escolha minha e que eu tinha consciência que não seria fácil. Mas na prática tudo é mais complicado, né?
Meu primeiro dia de trabalho foi uma "maravilha". Os clientes não eram dos melhores, mas eu estava meio que em "modo automático" de tão nervosa, e mal raciocinava. Pensava apenas em ganhar dinheiro e tornar aquilo o mais agradável possível.
"Vou tirar de letra" - pensei. Mas mal sabia o que me aguardava...
Nos dias seguintes já tive uns altos e baixos, mesmo com o dinheiro entrando eu pensava "será que vale a pena?" "e se alguém descobrir?" - eu estava saindo de um relacionamento doentio e morria de medo de ser descoberta (tenho certeza que, na época, ele me mataria). Hoje em dia, não me importo mais. As pessoas que precisam saber, sabem. E se alguém que ainda não sabe "descobrir", paciência!
Lembro que no início tinha dias que eu torcia pra campainha daquela casa de massagem não tocar, mesmo sabendo que precisava que ela tocasse para ganhar dinheiro - caso contrário eu estaria ali perdendo tempo. Certa vez me senti tão angustiada que comecei a chorar no meio do programa, e pedi pro cliente não contar nada pra cafetina e que eu mesma devolveria o dinheiro dele - e assim fiz.
Outra vez, já nas boates, também tive uma crise de choro no meio do salão, peguei minhas coisas e fui embora ainda no início da noite. Me sentia suja e perdida naquele meio.
Mas logo vinha o dia seguinte, a necessidade do dinheiro, e eu pensava "eu aguento". Aos poucos as coisas vão se tornando normais.
Não sei em que momento o nome "Juliana" passou a fazer parte de mim definitivamente. Em que momento tudo isso se tornou rotineiro. Quando foi que a ideia de ser uma garota de programa deixou se der novidade.
Fui me acostumando aos poucos, o que não quer dizer que tenha sido fácil. Longe disso! Vários dias não fui trabalhar, ou desisti no meio da noite, por não estar bem psicologicamente.
As coisas começaram a melhorar quando passei a trabalhar por anúncios, e somente durante o dia. Voltei a ter uma rotina normal, e viver mais a minha vida pessoal, e isso me fez muito bem.
Atualmente posso dizer que estou bem, mesmo. Não que nas outras épocas não estivesse, mas a fase das crises existenciais passou. Hoje me sinto mais segura, mais convicta do que quero, e até melhor como pessoa.
A prostituição me ensinou muita coisa, muita coisa mesmo. E não falo só de sexo, mas sim sobre a vida, as pessoas, e sobre mim mesma principalmente.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
La Gringa
Umas semanas atrás postei sobre a noite e as drogas. Hoje, pensando no assunto, lembrei de uma grande figura que conheci nos primeiros meses de trabalho.
Chamávamos ela de Gringa. Era argentina, paraguaia ou uruguaia - não lembro direito. Muitas meninas de países vizinhos vem trabalhar aqui no Brasil.
A Gringa tinha quase 40 anos, e cheirava muita cocaína. Ela meio que vivia para o vício (mas não incomodava ninguém), estava quase sempre sem grana, morava longe da filha e vivia em um relacionamento abusivo.
O marido dela era envolvido com tráfico e já tinha sido preso algumas vezes. De vez em quando ele ligava pra ela, pressionando-a a ganhar mais dinheiro. Eu ouvia ela falando:
-Mas mi amor, o movimento está fraco!
Ela era uma "puta velha". Não me refiro a idade, mas sim a experiência nessa vida. Trabalhava a muitos anos e me ensinou bastante coisa, até sobre minha própria segurança. Ela era uma pessoa boa.
Lembro de uma vez que a zona fechou e fomos dormir, e ela ficou me contando algumas histórias cabeludas que já tinha passado, como ficar refém de homens armados ou pular de um carro em movimento (ela trabalhou na rua - o que eu considero arriscado demais).
Também falou sobre o "amado" dela, e do medo que ela tinha dele.
Aprendi a não julgar as pessoas, e a Gringa me serviu de lição. Apesar de ser usuária, e aparentemente uma pessoa que, talvez, não tenha feito escolhas muito boas na vida, ela tinha um bom coração.
Quem somos nós pra julgar as escolhas dos outros? Ainda mais quando essas escolhas não fazem mal pra ninguém, a não ser para a própria pessoa?
Nossa cafetina vivia implicando com ela. Humilhava-a na frente de todas as garotas. Eu me perguntava como ela aguentava aquilo!
Um dia a humilhação chegou ao extremo... Era um sábado de movimento, e o marido da Gringa estava na cidade e ela precisou ir embora mais cedo. A cafetina começou a gritar, xingar, e jogou as coisas dela na rua. Foi horrível.
Ela foi embora, e eu nunca mais a vi.
Tenho um anel e um brinco que ela me deu. Não sei porque, mas um dia ela falou "é pra você...pra dar sorte". Não chegamos a ser mui amigas, mas o pouco tempo que convivemos foi o suficiente para notar algo de bom uma na outra.
A vida é feita disso... Pessoas que vem, que vão, algumas que servem de lição, de experiência, que nos ensinam algo, e algumas que se tornam especiais mesmo que sigam caminhos diferentes.
E eu desejo sorte para ela, onde estiver!
🍀🍀🍀
Chamávamos ela de Gringa. Era argentina, paraguaia ou uruguaia - não lembro direito. Muitas meninas de países vizinhos vem trabalhar aqui no Brasil.
A Gringa tinha quase 40 anos, e cheirava muita cocaína. Ela meio que vivia para o vício (mas não incomodava ninguém), estava quase sempre sem grana, morava longe da filha e vivia em um relacionamento abusivo.
O marido dela era envolvido com tráfico e já tinha sido preso algumas vezes. De vez em quando ele ligava pra ela, pressionando-a a ganhar mais dinheiro. Eu ouvia ela falando:
-Mas mi amor, o movimento está fraco!
Ela era uma "puta velha". Não me refiro a idade, mas sim a experiência nessa vida. Trabalhava a muitos anos e me ensinou bastante coisa, até sobre minha própria segurança. Ela era uma pessoa boa.
Lembro de uma vez que a zona fechou e fomos dormir, e ela ficou me contando algumas histórias cabeludas que já tinha passado, como ficar refém de homens armados ou pular de um carro em movimento (ela trabalhou na rua - o que eu considero arriscado demais).
Também falou sobre o "amado" dela, e do medo que ela tinha dele.
Aprendi a não julgar as pessoas, e a Gringa me serviu de lição. Apesar de ser usuária, e aparentemente uma pessoa que, talvez, não tenha feito escolhas muito boas na vida, ela tinha um bom coração.
Quem somos nós pra julgar as escolhas dos outros? Ainda mais quando essas escolhas não fazem mal pra ninguém, a não ser para a própria pessoa?
Nossa cafetina vivia implicando com ela. Humilhava-a na frente de todas as garotas. Eu me perguntava como ela aguentava aquilo!
Um dia a humilhação chegou ao extremo... Era um sábado de movimento, e o marido da Gringa estava na cidade e ela precisou ir embora mais cedo. A cafetina começou a gritar, xingar, e jogou as coisas dela na rua. Foi horrível.
Ela foi embora, e eu nunca mais a vi.
Tenho um anel e um brinco que ela me deu. Não sei porque, mas um dia ela falou "é pra você...pra dar sorte". Não chegamos a ser mui amigas, mas o pouco tempo que convivemos foi o suficiente para notar algo de bom uma na outra.
A vida é feita disso... Pessoas que vem, que vão, algumas que servem de lição, de experiência, que nos ensinam algo, e algumas que se tornam especiais mesmo que sigam caminhos diferentes.
E eu desejo sorte para ela, onde estiver!
🍀🍀🍀
terça-feira, 12 de abril de 2016
A Rica!!!
Hoje estava conversando com um cliente sobre como foi quando comecei a "ganhar dinheiro". Não, eu não fiquei rica. Teria que ter "emputecido" mais cedo, ou adiar (e muito) minha aposentadoria pra isso.
Não posso negar que muita coisa mudou, tendo em vista que quando comecei eu morava em um quarto/banheiro úmido e mofado e mal tinha dinheiro pra me alimentar decentemente. Mas, em resumo, continuo sendo uma mera mortal que tem contas a pagar.
Só que conversando sobre isso, lembrei de uma história bizarra que não sei como não tinha virado post ainda!
Gente... Assim que comecei a ver a cor do dinheiro, me deslumbrei "um pouco". Comprei roupas e mais roupas, maquiagens, calçados, e tudo mais que eu tinha vontade e não podia trabalhando como caixa de lanchonete ou vendedora de trufas.
Lá pela terceira semana de trabalho combinei de sair com uma menina da casa, que trabalhava junto comigo. Fomos jantar fora. Casquinha de siri, camarão, ostras, e cerveja - MUITA cerveja.
Encontramos dois conhecidos meus, e eu pedia pra ela "Pelo amor de Deus, não me chama de Juliana. Eles não podem descobrir que sou GP!" - estava começando, e ainda não tinha uma opinião formada sobre se deveria falar ou não a origem da "mudança repentina" em minha vida.
Só que a cerveja já tinha sido tanta, que 10 minutos depois eu mesma já tava falando:
-Sou puta mesmo! - e abria a carteira, dava risada e me achava rica.
Acho horrível gente bêbada. Principalmente quando essa gente sou eu hahaha.
Na continuação da noite tive uma brilhante ideia:
-Vamos comprar vodka e energético e vamos beber num motel.
Lá fomos nós. Chegando na recepção eu dizia:
-Quero a suíte mais caraaa! A melhooor!
Eu estava tão deslumbrada que jogava os sais de banho para o ar e gritava
-Acabou a miséria!!
-Agora só quero Victoria Secret!!
(A LOKA!)
Sei que o dia amanheceu, e eu precisava viajar.
Chegando na rodoviária, enquanto esperava o ônibus, ajudei dois pedintes. Dei 100 reais pra cada um e ainda tentava dar uma ajuda moral:
-Eu sei como é passar dificuldade, eu virei garota de programa a pouco tempo, estou mudando minha vida.
(OLHA OS ASSUNTOS!!)
Pensem na minha cara quando lembrava das coisas depois (e quando olhava pra minha carteira, principalmente).
Foi uma experiência pra nunca mais, hahaha.
Depois dessa aprendi que quem guarda sempre tem, e que meu dinheiro não vem fácil, então não pode ir tão fácil também.
Mas dou boas risadas quando lembro dessa cena toda que eu mesma fiz! Pobre quando ganha dinheiro é foda! 😂😂
Não posso negar que muita coisa mudou, tendo em vista que quando comecei eu morava em um quarto/banheiro úmido e mofado e mal tinha dinheiro pra me alimentar decentemente. Mas, em resumo, continuo sendo uma mera mortal que tem contas a pagar.
Só que conversando sobre isso, lembrei de uma história bizarra que não sei como não tinha virado post ainda!
Gente... Assim que comecei a ver a cor do dinheiro, me deslumbrei "um pouco". Comprei roupas e mais roupas, maquiagens, calçados, e tudo mais que eu tinha vontade e não podia trabalhando como caixa de lanchonete ou vendedora de trufas.
Lá pela terceira semana de trabalho combinei de sair com uma menina da casa, que trabalhava junto comigo. Fomos jantar fora. Casquinha de siri, camarão, ostras, e cerveja - MUITA cerveja.
Encontramos dois conhecidos meus, e eu pedia pra ela "Pelo amor de Deus, não me chama de Juliana. Eles não podem descobrir que sou GP!" - estava começando, e ainda não tinha uma opinião formada sobre se deveria falar ou não a origem da "mudança repentina" em minha vida.
Só que a cerveja já tinha sido tanta, que 10 minutos depois eu mesma já tava falando:
-Sou puta mesmo! - e abria a carteira, dava risada e me achava rica.
Acho horrível gente bêbada. Principalmente quando essa gente sou eu hahaha.
Na continuação da noite tive uma brilhante ideia:
-Vamos comprar vodka e energético e vamos beber num motel.
Lá fomos nós. Chegando na recepção eu dizia:
-Quero a suíte mais caraaa! A melhooor!
Eu estava tão deslumbrada que jogava os sais de banho para o ar e gritava
-Acabou a miséria!!
-Agora só quero Victoria Secret!!
(A LOKA!)
Sei que o dia amanheceu, e eu precisava viajar.
Chegando na rodoviária, enquanto esperava o ônibus, ajudei dois pedintes. Dei 100 reais pra cada um e ainda tentava dar uma ajuda moral:
-Eu sei como é passar dificuldade, eu virei garota de programa a pouco tempo, estou mudando minha vida.
(OLHA OS ASSUNTOS!!)
Pensem na minha cara quando lembrava das coisas depois (e quando olhava pra minha carteira, principalmente).
Foi uma experiência pra nunca mais, hahaha.
Depois dessa aprendi que quem guarda sempre tem, e que meu dinheiro não vem fácil, então não pode ir tão fácil também.
Mas dou boas risadas quando lembro dessa cena toda que eu mesma fiz! Pobre quando ganha dinheiro é foda! 😂😂
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Amadurecendo
O amadurecimento acontece através das experiências. Não é de uma hora pra outra, nem do dia pra noite. Ninguém acorda um belo dia e "puff" - amadureceu.
As vezes é necessário sofrer um pouco, como um fruto que passa dias, noites, sol, chuva, até atingir o ponto ideal. Alguns não chegam a amadurecer, outros ficam ótimos e suculentos!
Também não tem nada a ver com idade ou tempo. Ser uma pessoa madura não significa ser ranzinza ou sério demais. Pelo contrário: podemos dizer que amadurecemos quando paramos de nos aborrecer diante de qualquer coisinha e começamos a levar a vida com mais calma e leveza. Conheço pessoas de 60 anos que ainda não aprenderam, e outras de 20 e poucos que "dão um banho".
Eu posso dizer que amadureci muito nos últimos tempos. Gosto de chamar esse amadurecimento de evolução também. Evolui como pessoa, mãe, mulher, ser humano. Tive lições de humildade e de auto conhecimento que jamais imaginaria. Superei a mim mesma incontáveis vezes. Conheci e continuo conhecendo todo tipo de gente e milhares de histórias de vida.
Aprendi a priorizar o que é realmente importante, e focar no que eu quero - afinal, certas coisas só dependem de mim mesma.
Aprendi também a me valorizar. Pasmem! Em meio a prostituição, onde muitas mulheres sem sentem sujas e inferiores, e mesmo cercada de tanto preconceito, foi onde descobri que tenho valor - e não é só financeiro.
Aprendi a pensar mais em mim, a me impor. Vivo num meio em que é "cada um por si, Deus por todos", e por mais que a gente conheça pessoas legais no meio do caminho, cada um está atrás do seu dinheiro (ou do seu prazer). Pensar em mim não é egoísmo, mas é amor próprio - até porque as pessoas que nos querem bem, vão sempre ficar feliz ao ver a gente "indo pra frente".
E por fim, mas não menos importante, hoje mais do que nunca sei que a vida é feita de fases, ciclos, ou como quiser chamar.
Um dia de cada vez, e devagar se vai longe!
As vezes é necessário sofrer um pouco, como um fruto que passa dias, noites, sol, chuva, até atingir o ponto ideal. Alguns não chegam a amadurecer, outros ficam ótimos e suculentos!
Também não tem nada a ver com idade ou tempo. Ser uma pessoa madura não significa ser ranzinza ou sério demais. Pelo contrário: podemos dizer que amadurecemos quando paramos de nos aborrecer diante de qualquer coisinha e começamos a levar a vida com mais calma e leveza. Conheço pessoas de 60 anos que ainda não aprenderam, e outras de 20 e poucos que "dão um banho".
Eu posso dizer que amadureci muito nos últimos tempos. Gosto de chamar esse amadurecimento de evolução também. Evolui como pessoa, mãe, mulher, ser humano. Tive lições de humildade e de auto conhecimento que jamais imaginaria. Superei a mim mesma incontáveis vezes. Conheci e continuo conhecendo todo tipo de gente e milhares de histórias de vida.
Aprendi a priorizar o que é realmente importante, e focar no que eu quero - afinal, certas coisas só dependem de mim mesma.
Aprendi também a me valorizar. Pasmem! Em meio a prostituição, onde muitas mulheres sem sentem sujas e inferiores, e mesmo cercada de tanto preconceito, foi onde descobri que tenho valor - e não é só financeiro.
Aprendi a pensar mais em mim, a me impor. Vivo num meio em que é "cada um por si, Deus por todos", e por mais que a gente conheça pessoas legais no meio do caminho, cada um está atrás do seu dinheiro (ou do seu prazer). Pensar em mim não é egoísmo, mas é amor próprio - até porque as pessoas que nos querem bem, vão sempre ficar feliz ao ver a gente "indo pra frente".
E por fim, mas não menos importante, hoje mais do que nunca sei que a vida é feita de fases, ciclos, ou como quiser chamar.
Um dia de cada vez, e devagar se vai longe!
quarta-feira, 30 de março de 2016
Empata Foda
Às vezes me surgem um monte de ideias para escrever aqui no blog, mas nem sempre dá tempo de postar. Se o dia tivesse umas 3 ou 4 horinhas a mais, não seria nada mal. Mas como a realidade não é essa, vou me virando nos 30 (ou melhor, nas 24h).
Os dias no meu local costumam ser corridos (mutchas gracias!), e além da putaria, tenho minha filha, casa, gatos, obra, yoga... Sem falar que na segunda vou começar a correr, e logo as aulas começam também. Ufa! Que haja saúde e disposição, e o resto se dá um jeito!
Mas vamos ao "causo".
Uma tarde dessas estava atendendo um cliente, quando começaram a bater na minha porta. Meu local é uma sala em prédio comercial (que transformei em um apezinho). Atendo sozinha, então organizo meus horários para que não haja encontro entre clientes. E todos eles sabem que só atendo com hora marcada, por isso não aparecem de surpresa (ainda bem!).
Ignorei as batidas na porta, mas elas continuaram.
"Deve ser alguém vendendo alguma coisa" - de vez em quando aparece algum vendedor ou alguém fazendo propaganda de alguma coisa porta a porta.
Continuei o serviço. Já estávamos sem roupa, o cliente pronto pro abate, mas as batidas continuavam e estavam ficando insistentes demais.
E a pessoa não se contentou em bater. Eu estava prestando um serviço oral(leia-se pagando boquete hahaha) quando começaram a mexer na maçaneta da porta e depois enfiavam alguma coisa na fechadura, tentando abrir.
"Agora tá demais!"
A essa altura o cliente já estava todo encolhido, pelado, se escondendo ao lado da geladeira, apavorado achando que poderia ser a mulher dele. Eu também pensei nessa hipótese.
"Como vou esconder esse homem numa sala de 35m2?"
Bom... Não podia deixar alguém ficar forçando minha porta né? "Se for a mulher dele eu me faço de louca e não deixo ela entrar, e se for algum doido eu taco spray de pimenta", foi meu pensamento na hora. Então criei coragem, me enrolei na toalha e abri uma frestinha da porta (nesse dia vi a importância de colocar um olho mágico - preciso urgente!). Dei de cara com uma senhora, tentando abrir a minha porta com uma chave.
"Não é aqui que está pra alugar?"
"Não senhora.
"Mas o moço me disse que é aqui. Me deu até a chave."
Olhei a chave, que tinha o número da sala gravado.
"Senhora, você está no andar errado!" - e apontei para o número da minha sala, que fica bem na porta.
Ela ficou sem jeito, pediu mil desculpas e foi embora.
Acho que nem imagina o susto que deu por alguns instantes! Era tão simples olhar e ver que estava no lugar errado (e na hora mais errada ainda rsrs).
Passado o susto, o atendimento fluiu normalmente.
Coisas que acontecem!!
Os dias no meu local costumam ser corridos (mutchas gracias!), e além da putaria, tenho minha filha, casa, gatos, obra, yoga... Sem falar que na segunda vou começar a correr, e logo as aulas começam também. Ufa! Que haja saúde e disposição, e o resto se dá um jeito!
Mas vamos ao "causo".
Uma tarde dessas estava atendendo um cliente, quando começaram a bater na minha porta. Meu local é uma sala em prédio comercial (que transformei em um apezinho). Atendo sozinha, então organizo meus horários para que não haja encontro entre clientes. E todos eles sabem que só atendo com hora marcada, por isso não aparecem de surpresa (ainda bem!).
Ignorei as batidas na porta, mas elas continuaram.
"Deve ser alguém vendendo alguma coisa" - de vez em quando aparece algum vendedor ou alguém fazendo propaganda de alguma coisa porta a porta.
Continuei o serviço. Já estávamos sem roupa, o cliente pronto pro abate, mas as batidas continuavam e estavam ficando insistentes demais.
E a pessoa não se contentou em bater. Eu estava prestando um serviço oral
"Agora tá demais!"
A essa altura o cliente já estava todo encolhido, pelado, se escondendo ao lado da geladeira, apavorado achando que poderia ser a mulher dele. Eu também pensei nessa hipótese.
"Como vou esconder esse homem numa sala de 35m2?"
Bom... Não podia deixar alguém ficar forçando minha porta né? "Se for a mulher dele eu me faço de louca e não deixo ela entrar, e se for algum doido eu taco spray de pimenta", foi meu pensamento na hora. Então criei coragem, me enrolei na toalha e abri uma frestinha da porta (nesse dia vi a importância de colocar um olho mágico - preciso urgente!). Dei de cara com uma senhora, tentando abrir a minha porta com uma chave.
"Não é aqui que está pra alugar?"
"Não senhora.
"Mas o moço me disse que é aqui. Me deu até a chave."
Olhei a chave, que tinha o número da sala gravado.
"Senhora, você está no andar errado!" - e apontei para o número da minha sala, que fica bem na porta.
Ela ficou sem jeito, pediu mil desculpas e foi embora.
Acho que nem imagina o susto que deu por alguns instantes! Era tão simples olhar e ver que estava no lugar errado (e na hora mais errada ainda rsrs).
Passado o susto, o atendimento fluiu normalmente.
Coisas que acontecem!!
quinta-feira, 24 de março de 2016
Aposentadoria
Ultimamente eu tenho pensado bastante na minha aposentadoria. Quando entrei nessa vida, estabeleci algumas metas que aos poucos estou conseguindo, enfim, alcançar.
A grande maioria das pessoas que eu comento sobre isso pergunta se eu vou conseguir realmente parar, algumas até afirmam que eu não vou conseguir. Eu confesso que às vezes fico frustrada com essas opiniões negativas. É incrível como muitas pessoas desacreditam que alguém possa ter uma vida normal depois da prostituição. Ainda bem que há tempos parei de viver em torno da opinião alheia - caso contrário, nem teria entrado nessa.
Eu não nasci puta, e não quero ser puta pra sempre. Eu tenho noção que esse não é um dinheiro eterno, e que apesar de o dinheiro realmente rolar, eu não posso e não devo me acostumar com ele. Por isso aprendi a não esbanjar, e focar no que é realmente importante pra mim. Aproveitar essa fase na prostituição para me adiantar, e não para estagnar aqui.
Dinheiro é bom. Ótimo, aliás! Mas a vida segue, e não dá pra viver só em torno dele. Prostituição é uma profissão que se mistura muito com nossa vida pessoal, inevitavelmente, e tem horas que isso pesa.
Se eu fosse solteira (assunto que pouco comento aqui, mas tem uma pessoa esperando ansiosamente pelo momento da minha parada), e não tivesse filho, acho que eu até ficaria mais um (bom) tempo nessa. Pra falar a verdade, gostaria de ter emputecido mais cedo e aproveitado mais. Mas comecei aos 25, estou chegando aos 27 e com vontade de ter uma vida normal de novo (ou melhor dizer, pela primeira vez). Enfim, cada pessoa tem seu tempo e seus motivos né?
Eu tenho me esforçado pra alcançar as coisas que faltam, e aos poucos estou conseguindo. Não pretendo parar hoje, nem amanhã ou semana que vem, mas é questão de mais alguns meses, creio eu.
O que vou fazer depois? É o que a maioria me pergunta. Bom... Vida que segue, né? Pretendo trabalhar normalmente, como sempre trabalhei. A diferença é que dessa vez com casa própria, carro, e a vida mil vezes mais estabilizada. Totalmente diferente de quando comecei, que morava em um quartinho úmido e mofado, longe da minha filha, e às vezes tinha que viver a base de miojo por falta de grana pra uma refeição decente.
Agora em Abril retomo meus estudos, e esse é um dos passos que mais me alegra. Parei de estudar logo que a minha mãe faleceu, e lá no fundo sentia que "fiquei pra trás", mas não dava o passo de voltar aos estudos por falta de tempo, dinheiro, vergonha na cara (principalmente), enfim... Dar esse passo é um recomeço real na minha vida. Depois vem faculdade e tudo mais que eu quero... Mas não há motivos pra ter pressa. Estou procurando viver um dia de cada vez (o Yoga tem sido um grande aliado, me ensinando a estar no momento presente).
A prostituição me serviu (e ainda serve) pra pular bastante degraus, mas em algum momento vou ter que voltar a subir devagarinho - e com calma tudo se consegue!
A grande maioria das pessoas que eu comento sobre isso pergunta se eu vou conseguir realmente parar, algumas até afirmam que eu não vou conseguir. Eu confesso que às vezes fico frustrada com essas opiniões negativas. É incrível como muitas pessoas desacreditam que alguém possa ter uma vida normal depois da prostituição. Ainda bem que há tempos parei de viver em torno da opinião alheia - caso contrário, nem teria entrado nessa.
Eu não nasci puta, e não quero ser puta pra sempre. Eu tenho noção que esse não é um dinheiro eterno, e que apesar de o dinheiro realmente rolar, eu não posso e não devo me acostumar com ele. Por isso aprendi a não esbanjar, e focar no que é realmente importante pra mim. Aproveitar essa fase na prostituição para me adiantar, e não para estagnar aqui.
Dinheiro é bom. Ótimo, aliás! Mas a vida segue, e não dá pra viver só em torno dele. Prostituição é uma profissão que se mistura muito com nossa vida pessoal, inevitavelmente, e tem horas que isso pesa.
Se eu fosse solteira (assunto que pouco comento aqui, mas tem uma pessoa esperando ansiosamente pelo momento da minha parada), e não tivesse filho, acho que eu até ficaria mais um (bom) tempo nessa. Pra falar a verdade, gostaria de ter emputecido mais cedo e aproveitado mais. Mas comecei aos 25, estou chegando aos 27 e com vontade de ter uma vida normal de novo (ou melhor dizer, pela primeira vez). Enfim, cada pessoa tem seu tempo e seus motivos né?
Eu tenho me esforçado pra alcançar as coisas que faltam, e aos poucos estou conseguindo. Não pretendo parar hoje, nem amanhã ou semana que vem, mas é questão de mais alguns meses, creio eu.
O que vou fazer depois? É o que a maioria me pergunta. Bom... Vida que segue, né? Pretendo trabalhar normalmente, como sempre trabalhei. A diferença é que dessa vez com casa própria, carro, e a vida mil vezes mais estabilizada. Totalmente diferente de quando comecei, que morava em um quartinho úmido e mofado, longe da minha filha, e às vezes tinha que viver a base de miojo por falta de grana pra uma refeição decente.
Agora em Abril retomo meus estudos, e esse é um dos passos que mais me alegra. Parei de estudar logo que a minha mãe faleceu, e lá no fundo sentia que "fiquei pra trás", mas não dava o passo de voltar aos estudos por falta de tempo, dinheiro, vergonha na cara (principalmente), enfim... Dar esse passo é um recomeço real na minha vida. Depois vem faculdade e tudo mais que eu quero... Mas não há motivos pra ter pressa. Estou procurando viver um dia de cada vez (o Yoga tem sido um grande aliado, me ensinando a estar no momento presente).
A prostituição me serviu (e ainda serve) pra pular bastante degraus, mas em algum momento vou ter que voltar a subir devagarinho - e com calma tudo se consegue!
sexta-feira, 18 de março de 2016
Pé de Cana
Não posso afirmar com toda certeza - pois não fiz nenhuma pesquisa sobre - mas no tempo que trabalhei à noite tive a impressão que o álcool é um problema maior do que as drogas entre as meninas.
Eu quase caí nessa.
Era muito mais tranquilo atender sob efeito de álcool. Eu descobri que ficava mais solta e relaxada, então em dias de mais movimento eu bebia para trabalhar melhor.
Logo chegou pra trabalhar uma menina que bebia mesmo, todos os dias, de manhã, de tarde e de noite. Quando ela dormia na casa, no café da manhã já tomava uma latinha de cerveja. O mais engraçado é que ela não ficava bêbada, pelo menos não parecia alterada, acho que era o estado natural dela rsrs!
Todos os dias ela chegava com uma garrafa de vodka e um energético ou refrigerante, e sem perceber eu e as outras meninas já estávamos no mesmo ritmo. Claro que não era culpa da moça, afinal bebe quem quer... E confesso que a gente se divertia bastante! Nós deixávamos uma garrafa atrás da televisão, cheia de vodka e um pouco de energético, e dávamos SUPER goles antes de cada atendimento.
Chegamos a fazer um rodízio, cada dia uma levava a bebida. E não sobrava nada pra contar história no dia seguinte!
Quando fui para as boates a bebedeira continuou. Geralmente as boates dão uma dose (ou umas, depende a boate) para as meninas no início da noite. Eu sempre pedia a minha dose bem forte: "caprichada, pra incorporar a Juliana". E continuava bebendo no decorrer da madrugada, pois (além de gostar) ganhava comissão pelas bebidas que os clientes pagavam pra mim.
Não demorou muito para ver que estava bebendo demais. Mal chegava na boate e sentia uma verdadeira necessidade de beber. Minha qualidade de vida também não estava aquelas coisas: acordava super indisposta no dia seguinte, me sentia inchada, minha imunidade caiu bastante e sem falar que cheguei tropeçando em casa algumas vezes, o que acho horrível.
Eu vi que não estava legal e fiz o caminho de volta, decidi parar de beber tanto.
Conversei com o pessoal do bar e pedi para fazerem uns drinks falsos pra mim. Geralmente colocavam só energético.
Não parei de beber totalmente (não dispenso minha cervejinha aos fins de semana), mas nada comparado a antes.
Lembro de uma menina que fazia shows que tomava umas doses fortíssimas antes de cada show, e ela fazia uns 3 show na noite - fora as bebidas que os clientes davam. Sem beber, ela não conseguia. E isso era muito comum entre as meninas que faziam show. Eu mesma só criava coragem pra fazer strip depois de uma dose de coragem (e uma de álcool).
Uma vez uma menina caiu do pole dance com as costas em um balcão de mármore e saiu de ambulância.
Teve uma época que as meninas estavam bebendo demais, então a dona da boate disse que daria somente UMA dose para cada. Como eu não estava bebendo, algumas pediam para eu pegar a minha dose pra dar pra elas, ofereciam até dinheiro.
Banheiro vomitado era rotina.
Uma das meninas era novinha, tinha acabado de fazer 19 anos e havia começado a trabalhar a pouco tempo. Em um mês ela se transformou, bebia demais e fazia uns escândalos fora de série. Lembro de uma ocasião em que eu estava conversando com um cliente e vi ela passando e esbarrando em umas mesas. Fiquei de olho, pois vi que ela não tava legal, e de repente vi ela "sumindo" nos últimos degraus de uma escadinha que levava ao camarim. Quando fui atrás, lá estava ela engatinhando pelo chão e pedindo pra deixar ela deitada em um canto da boate. Claro que não deixei.
No dia seguinte acordo com uma mensagem da criatura perguntando o que aconteceu, porque estava morrendo de dor no pé!
"Amiga, sua LOKA! Você caiu na escada, se espatifou no chão, andou "de gatinho" e queria dormir no chão. Só isso!".
A noite e seus encantos, hahaha!
Eu quase caí nessa.
Era muito mais tranquilo atender sob efeito de álcool. Eu descobri que ficava mais solta e relaxada, então em dias de mais movimento eu bebia para trabalhar melhor.
Logo chegou pra trabalhar uma menina que bebia mesmo, todos os dias, de manhã, de tarde e de noite. Quando ela dormia na casa, no café da manhã já tomava uma latinha de cerveja. O mais engraçado é que ela não ficava bêbada, pelo menos não parecia alterada, acho que era o estado natural dela rsrs!
Todos os dias ela chegava com uma garrafa de vodka e um energético ou refrigerante, e sem perceber eu e as outras meninas já estávamos no mesmo ritmo. Claro que não era culpa da moça, afinal bebe quem quer... E confesso que a gente se divertia bastante! Nós deixávamos uma garrafa atrás da televisão, cheia de vodka e um pouco de energético, e dávamos SUPER goles antes de cada atendimento.
Chegamos a fazer um rodízio, cada dia uma levava a bebida. E não sobrava nada pra contar história no dia seguinte!
Quando fui para as boates a bebedeira continuou. Geralmente as boates dão uma dose (ou umas, depende a boate) para as meninas no início da noite. Eu sempre pedia a minha dose bem forte: "caprichada, pra incorporar a Juliana". E continuava bebendo no decorrer da madrugada, pois (além de gostar) ganhava comissão pelas bebidas que os clientes pagavam pra mim.
Não demorou muito para ver que estava bebendo demais. Mal chegava na boate e sentia uma verdadeira necessidade de beber. Minha qualidade de vida também não estava aquelas coisas: acordava super indisposta no dia seguinte, me sentia inchada, minha imunidade caiu bastante e sem falar que cheguei tropeçando em casa algumas vezes, o que acho horrível.
Eu vi que não estava legal e fiz o caminho de volta, decidi parar de beber tanto.
Conversei com o pessoal do bar e pedi para fazerem uns drinks falsos pra mim. Geralmente colocavam só energético.
Não parei de beber totalmente (não dispenso minha cervejinha aos fins de semana), mas nada comparado a antes.
Lembro de uma menina que fazia shows que tomava umas doses fortíssimas antes de cada show, e ela fazia uns 3 show na noite - fora as bebidas que os clientes davam. Sem beber, ela não conseguia. E isso era muito comum entre as meninas que faziam show. Eu mesma só criava coragem pra fazer strip depois de uma dose de coragem (e uma de álcool).
Uma vez uma menina caiu do pole dance com as costas em um balcão de mármore e saiu de ambulância.
Teve uma época que as meninas estavam bebendo demais, então a dona da boate disse que daria somente UMA dose para cada. Como eu não estava bebendo, algumas pediam para eu pegar a minha dose pra dar pra elas, ofereciam até dinheiro.
Banheiro vomitado era rotina.
Uma das meninas era novinha, tinha acabado de fazer 19 anos e havia começado a trabalhar a pouco tempo. Em um mês ela se transformou, bebia demais e fazia uns escândalos fora de série. Lembro de uma ocasião em que eu estava conversando com um cliente e vi ela passando e esbarrando em umas mesas. Fiquei de olho, pois vi que ela não tava legal, e de repente vi ela "sumindo" nos últimos degraus de uma escadinha que levava ao camarim. Quando fui atrás, lá estava ela engatinhando pelo chão e pedindo pra deixar ela deitada em um canto da boate. Claro que não deixei.
No dia seguinte acordo com uma mensagem da criatura perguntando o que aconteceu, porque estava morrendo de dor no pé!
"Amiga, sua LOKA! Você caiu na escada, se espatifou no chão, andou "de gatinho" e queria dormir no chão. Só isso!".
A noite e seus encantos, hahaha!
terça-feira, 15 de março de 2016
As Drogas
No último post comentei algo sobre nunca ter usado drogas com clientes. Isso é verdade, e posso dizer que é um fato do qual me orgulho, tendo em vista meu passado.
Cresci numa casa onde cada um tinha seu vício. Meu pai era alcoólatra, frequentou o AA durante um tempo e chegou até a se internar em clínicas de reabilitação, mas sempre tinha recaídas e esse era um problema que afetava muito nossa convivência familiar.
Minha mãe tinha depressão, e acabou se viciando nos remédios tarja preta. Eu já estava acostumada com os altos e baixos dela, e sempre a ouvia falando que estava fazendo um tratamento para a depressão e por isso precisava tomar tantos remédios. Só descobri que as coisas estavam fora do controle no dia que a encontrei morta.
Desde nova sempre fui curiosa em relação a drogas. Experimentei tudo o que me ofereceram - e o que não ofereceram também - e cheguei ao extremo em algumas das minhas experiências. Não é nada que eu me orgulhe ou ache bonito , longe disso! Mas faz parte da minha história, entao fazer o quê?
Posso dizer que altos e baixos da minha vida tiveram muito a ver com meu envolvimento com a cocaína e falta de controle sobre mim mesma - principalmente.
Quando decidi começar a fazer programa eu já tinha passado a pior fase. Já tinha torrado uma boa quantia que recebi de herança e tido um horrível início de overdose. Definitivamente não era isso que eu queria pra mim.
Na primeira conversa com a cafetina o assunto veio à tona e ela comentou que grande parte dos clientes usam alguma coisa.
Naquele momento eu decidi que não iria cair na tentação. Estava começando a fazer programa pra "mudar de vida" e sabia que se voltasse a usar, todo meu esforço seria em vão. Eu não queria me tornar uma dessas garotas que fazem programa para sustentar o vício.
No primeiro ou segundo dia já atendi um cara que começou a cheirar no quarto. Me ofereceu várias vezes, e por mais que houvesse uma certa vontade, me mantive firme. Com o tempo vi que aquilo seria rotineiro. Muitos clientes cheiravam, e eu me acostumei com isso. Alguns passavam horas e horas no quarto usando droga e tentando fazer sexo (isso é, quando tentavam!!).
Conheci clientes que eram totalmente viciados, do tipo que torravam tudo e já eram conhecidos, e outros que nem de longe pareciam usar alguma coisa.
Vi poucas meninas usando. Na verdade nunca cheguei a ver nenhuma, mas sabia que algumas gostavam - apesar de nunca terem falado abertamente.
Rola? Claro que rola! Mas talvez por eu não usar mais, acabava "por fora" sem saber o que realmente acontecia.
Algumas não tinham como disfarçar: a cada vinda do banheiro voltavam mais falantes e "fungando" mais do que o habitual - daquele jeito que quem conhece os efeitos nota de longe.
Muitas gostavam de usar drogas sintéticas também, ficavam super animadas pra trabalhar - e algumas ficavam chatas com tanta energia, ou muito fora da casinha.
Não julgo ninguém. Aprendi que tudo que em excesso faz mal, não importa o que seja.
O grande problema que eu vi e presenciei MESMO na noite foi o alcoolismo. Tem muita menina alcoólatra!
Eu vou deixar pra escrever a respeito no próximo post, porque já começo a lembrar de algumas historias sobre a "mardita"!
Cresci numa casa onde cada um tinha seu vício. Meu pai era alcoólatra, frequentou o AA durante um tempo e chegou até a se internar em clínicas de reabilitação, mas sempre tinha recaídas e esse era um problema que afetava muito nossa convivência familiar.
Minha mãe tinha depressão, e acabou se viciando nos remédios tarja preta. Eu já estava acostumada com os altos e baixos dela, e sempre a ouvia falando que estava fazendo um tratamento para a depressão e por isso precisava tomar tantos remédios. Só descobri que as coisas estavam fora do controle no dia que a encontrei morta.
Desde nova sempre fui curiosa em relação a drogas. Experimentei tudo o que me ofereceram - e o que não ofereceram também - e cheguei ao extremo em algumas das minhas experiências. Não é nada que eu me orgulhe ou ache bonito , longe disso! Mas faz parte da minha história, entao fazer o quê?
Posso dizer que altos e baixos da minha vida tiveram muito a ver com meu envolvimento com a cocaína e falta de controle sobre mim mesma - principalmente.
Quando decidi começar a fazer programa eu já tinha passado a pior fase. Já tinha torrado uma boa quantia que recebi de herança e tido um horrível início de overdose. Definitivamente não era isso que eu queria pra mim.
Na primeira conversa com a cafetina o assunto veio à tona e ela comentou que grande parte dos clientes usam alguma coisa.
Naquele momento eu decidi que não iria cair na tentação. Estava começando a fazer programa pra "mudar de vida" e sabia que se voltasse a usar, todo meu esforço seria em vão. Eu não queria me tornar uma dessas garotas que fazem programa para sustentar o vício.
No primeiro ou segundo dia já atendi um cara que começou a cheirar no quarto. Me ofereceu várias vezes, e por mais que houvesse uma certa vontade, me mantive firme. Com o tempo vi que aquilo seria rotineiro. Muitos clientes cheiravam, e eu me acostumei com isso. Alguns passavam horas e horas no quarto usando droga e tentando fazer sexo (isso é, quando tentavam!!).
Conheci clientes que eram totalmente viciados, do tipo que torravam tudo e já eram conhecidos, e outros que nem de longe pareciam usar alguma coisa.
Vi poucas meninas usando. Na verdade nunca cheguei a ver nenhuma, mas sabia que algumas gostavam - apesar de nunca terem falado abertamente.
Rola? Claro que rola! Mas talvez por eu não usar mais, acabava "por fora" sem saber o que realmente acontecia.
Algumas não tinham como disfarçar: a cada vinda do banheiro voltavam mais falantes e "fungando" mais do que o habitual - daquele jeito que quem conhece os efeitos nota de longe.
Muitas gostavam de usar drogas sintéticas também, ficavam super animadas pra trabalhar - e algumas ficavam chatas com tanta energia, ou muito fora da casinha.
Não julgo ninguém. Aprendi que tudo que em excesso faz mal, não importa o que seja.
O grande problema que eu vi e presenciei MESMO na noite foi o alcoolismo. Tem muita menina alcoólatra!
Eu vou deixar pra escrever a respeito no próximo post, porque já começo a lembrar de algumas historias sobre a "mardita"!
terça-feira, 8 de março de 2016
Paranóia
Certa vez me perguntaram em um comentário aqui no blog qual foi o pior atendimento que já fiz. Confesso que entre tantos, fica difícil eleger o melhor e o pior, mas não pude deixar de lembrar de um caso que aconteceu a um tempo atrás.
Foi na época que eu trabalhava a noite. A noite é cheia de bêbados e drogados, então inevitavelmente acontecem algumas situações meio chatas vez ou outra.
O cara chegou e me escolheu. Não aparentava estar transtornado, nem nada disso. Negociamos o cachê e fomos para o quarto. Assim que entrou no quarto pediu uma dose de Whisky e jogou uma peteca bem gorda de cocaína sobre o criado mudo.
-Quer cheirar?
-Não, obrigada. - Recusei educadamente.
É muito comum acontecer isso na noite (clientes que usam drogas, e que nos oferecem). Perdi as contas de quantas vezes aconteceu (e nunca caí na tentação - bom, não com os clientes [assunto para outro post]).
Alguns nem conseguem fazer nada quando estão sob o efeito do pó, ficam falando/espiando/cheirando/bebendo, enfim, são poucos os que realmente conseguem manter uma ereção e gozar.
O cliente em questão sentiu-se bem a vontade e começou a usar seu pó branco. Até aí tudo bem, o nariz é dele, faça o que quiser - desde que esteja pagando pela minha companhia rs.
Ele começou a contar que estava se separando, que ele e esposa estavam brigando na justiça, essas coisas...
Ficamos umas 3 horas no quarto (sem nem ao menos tirar a roupa), até que o dinheiro dele acabou. Aí que começou o problema.
Ele cismou que a esposa estava no lado de fora esperando ele com a Polícia. Se encolhia no canto da parede e espiava pela cortina. Não tinha NINGUÉM, mas ele jurava que estava vendo. Resultado: não queria sair do quarto.
O horário tinha encerrado, ele não tinha mais dinheiro, e eu não conseguia convencê-lo a sair. Era uma noite de muito movimento na casa, tinha show com umas strippers de fora, e ninguém se deu conta que meu tempo havia estourado (geralmente batem na porta ou ligam para avisar).
Ao mesmo tempo que ele não queria sair, também não parava de cheirar - e cada vez ia ficando pior.
Continuei tentando convencê-lo que não tinha ninguém na rua, e que eu realmente precisava sair do quarto. E aí o sujeito simplesmente tirou a chave da porta!
Respirei fundo e falei que se ele não abrisse, eu iria começar a gritar. E então ele apertou meu braço tão forte que fiquei uma semana com manchas roxas. Ele apertava e mandava eu ficar quieta. Não me deixava chegar perto da porta e nem do interfone.
A essa altura eu já estava bem assustada, e havia percebido que ficar falando e insistindo só iria piorar as coisas.
Falei pela última vez que não havia ninguém, e expliquei calmamente que eu precisava sair do quarto. Fui tomar um banho e me arrumar, pensando no que iria fazer. Eu estava com medo de ele ficar mais agressivo do que já estava.
Por sorte, Deus, ou destino, quando saí do banho ele estava se preparando para sair do quarto também, e eu respirei aliviada. Não sei o que poderia ter acontecido naquele quarto, mas agradeço até hoje pelo fato de ele ter mudado de ideia.
Posso entender perfeitamente os motivos que levam a esposa a pedir separação. Eu hein!
Foi na época que eu trabalhava a noite. A noite é cheia de bêbados e drogados, então inevitavelmente acontecem algumas situações meio chatas vez ou outra.
O cara chegou e me escolheu. Não aparentava estar transtornado, nem nada disso. Negociamos o cachê e fomos para o quarto. Assim que entrou no quarto pediu uma dose de Whisky e jogou uma peteca bem gorda de cocaína sobre o criado mudo.
-Quer cheirar?
-Não, obrigada. - Recusei educadamente.
É muito comum acontecer isso na noite (clientes que usam drogas, e que nos oferecem). Perdi as contas de quantas vezes aconteceu (e nunca caí na tentação - bom, não com os clientes [assunto para outro post]).
Alguns nem conseguem fazer nada quando estão sob o efeito do pó, ficam falando/espiando/cheirando/bebendo, enfim, são poucos os que realmente conseguem manter uma ereção e gozar.
O cliente em questão sentiu-se bem a vontade e começou a usar seu pó branco. Até aí tudo bem, o nariz é dele, faça o que quiser - desde que esteja pagando pela minha companhia rs.
Ele começou a contar que estava se separando, que ele e esposa estavam brigando na justiça, essas coisas...
Ficamos umas 3 horas no quarto (sem nem ao menos tirar a roupa), até que o dinheiro dele acabou. Aí que começou o problema.
Ele cismou que a esposa estava no lado de fora esperando ele com a Polícia. Se encolhia no canto da parede e espiava pela cortina. Não tinha NINGUÉM, mas ele jurava que estava vendo. Resultado: não queria sair do quarto.
O horário tinha encerrado, ele não tinha mais dinheiro, e eu não conseguia convencê-lo a sair. Era uma noite de muito movimento na casa, tinha show com umas strippers de fora, e ninguém se deu conta que meu tempo havia estourado (geralmente batem na porta ou ligam para avisar).
Ao mesmo tempo que ele não queria sair, também não parava de cheirar - e cada vez ia ficando pior.
Continuei tentando convencê-lo que não tinha ninguém na rua, e que eu realmente precisava sair do quarto. E aí o sujeito simplesmente tirou a chave da porta!
Respirei fundo e falei que se ele não abrisse, eu iria começar a gritar. E então ele apertou meu braço tão forte que fiquei uma semana com manchas roxas. Ele apertava e mandava eu ficar quieta. Não me deixava chegar perto da porta e nem do interfone.
A essa altura eu já estava bem assustada, e havia percebido que ficar falando e insistindo só iria piorar as coisas.
Falei pela última vez que não havia ninguém, e expliquei calmamente que eu precisava sair do quarto. Fui tomar um banho e me arrumar, pensando no que iria fazer. Eu estava com medo de ele ficar mais agressivo do que já estava.
Por sorte, Deus, ou destino, quando saí do banho ele estava se preparando para sair do quarto também, e eu respirei aliviada. Não sei o que poderia ter acontecido naquele quarto, mas agradeço até hoje pelo fato de ele ter mudado de ideia.
Posso entender perfeitamente os motivos que levam a esposa a pedir separação. Eu hein!
quarta-feira, 2 de março de 2016
Péssima Memória Fotográfica
Lá estava eu na farmácia comprando o estoque de preservativo da semana, quando uma criatura se aproxima de mim e fala:
-Ju?
Bom, Juliana é meu nome "artístico" rs, mas já me acostumei tanto com ele que quando escuto um "Ju" ou "Juliana" é impossível não olhar. Em alguns momentos até me dá um branco quando perguntam meu nome, raciocino uns 2 segundos antes de responder (pra analisar a situação que estou rs).
Olhei. E era comigo mesmo.
O sujeito pergunta:
-Lembra de mim?
Eu dou aquele sorriso amarelo (não fazia ideia) e aquele:
-Oi, tudo bem?
Ele falou alguma coisa sobre eu ter atendido ele um tempo atrás. Eu falei mais alguma coisa, e fui pro caixa. Nada contra clientes me cumprimentarem na rua, mas é que a minha memória fotográfica é REALMENTE péssima. Memorizo textos e datas com facilidade. Mas imagens... Sou péssima! Eu preciso ver a pessoa algumas vezes até memorizar o rosto, e isso já me rendeu alguns constrangimentos.
Na casa de massagem tinha entra-e-sai o dia inteiro. Era bem difícil decorar o nome ou a fisionomia de todos. Eu tinha costume de chamar todos por nomes carinhosos, como "gatão", "coração" (hoje em dia costumo chamar de meu anjo ou amore rsrs)... Certo dia atendi um moreno que gostou muito de mim. Atendimento normal, tudo ok.
Alguns dias depois ele volta, e eu abro a porta:
-Oi gatão, tudo bem?
Ele me dá um beijo no rosto, entra, e eu pergunto:
-Você já conhece a casa? - Eu realmente não lembrava que era o mesmo sujeito que eu havia atendido alguns dias antes!
-Você não lembra de mim?
-Annn... Não!
-Então você chama todos de gatão?
-Sim... (Sou sincera!).
Ele fez uma cara muito triste. Coitado. Mas realmente não foi intencional, a culpa é da memória fotográfica!
Fizemos o programa, mas ele não apareceu mais.
Outra vez atendi um cliente na boate numa segunda-feira, e na terça ele voltou. Pensem no conjunto: boate, bebida, luz negra... Tudo fica mais complicado ainda! Cheguei e comecei a puxar assunto:
-Qual seu nome, de onde é, está passeando ou a trabalho - etc.
Ele perguntou:
-Você não é a Juliana?
-Sim, sou...
-Vou no carro buscar uma coisa e já volto.
Ele nunca mais voltou. Depois uma colega me falou que eu tinha atendido ele na noite anterior, daí eu lembrei - mas já era tarde rsrs!
Hoje em dia, como tenho contato com menos clientes por dia, e a maioria tem foto no Whatsapp, fica mais simples - mas mesmo assim é capaz de esbarrar com alguem na rua e não ter certeza se e a pessoa.
-Ju?
Bom, Juliana é meu nome "artístico" rs, mas já me acostumei tanto com ele que quando escuto um "Ju" ou "Juliana" é impossível não olhar. Em alguns momentos até me dá um branco quando perguntam meu nome, raciocino uns 2 segundos antes de responder (pra analisar a situação que estou rs).
Olhei. E era comigo mesmo.
O sujeito pergunta:
-Lembra de mim?
Eu dou aquele sorriso amarelo (não fazia ideia) e aquele:
-Oi, tudo bem?
Ele falou alguma coisa sobre eu ter atendido ele um tempo atrás. Eu falei mais alguma coisa, e fui pro caixa. Nada contra clientes me cumprimentarem na rua, mas é que a minha memória fotográfica é REALMENTE péssima. Memorizo textos e datas com facilidade. Mas imagens... Sou péssima! Eu preciso ver a pessoa algumas vezes até memorizar o rosto, e isso já me rendeu alguns constrangimentos.
Na casa de massagem tinha entra-e-sai o dia inteiro. Era bem difícil decorar o nome ou a fisionomia de todos. Eu tinha costume de chamar todos por nomes carinhosos, como "gatão", "coração" (hoje em dia costumo chamar de meu anjo ou amore rsrs)... Certo dia atendi um moreno que gostou muito de mim. Atendimento normal, tudo ok.
Alguns dias depois ele volta, e eu abro a porta:
-Oi gatão, tudo bem?
Ele me dá um beijo no rosto, entra, e eu pergunto:
-Você já conhece a casa? - Eu realmente não lembrava que era o mesmo sujeito que eu havia atendido alguns dias antes!
-Você não lembra de mim?
-Annn... Não!
-Então você chama todos de gatão?
-Sim... (Sou sincera!).
Ele fez uma cara muito triste. Coitado. Mas realmente não foi intencional, a culpa é da memória fotográfica!
Fizemos o programa, mas ele não apareceu mais.
Outra vez atendi um cliente na boate numa segunda-feira, e na terça ele voltou. Pensem no conjunto: boate, bebida, luz negra... Tudo fica mais complicado ainda! Cheguei e comecei a puxar assunto:
-Qual seu nome, de onde é, está passeando ou a trabalho - etc.
Ele perguntou:
-Você não é a Juliana?
-Sim, sou...
-Vou no carro buscar uma coisa e já volto.
Ele nunca mais voltou. Depois uma colega me falou que eu tinha atendido ele na noite anterior, daí eu lembrei - mas já era tarde rsrs!
Hoje em dia, como tenho contato com menos clientes por dia, e a maioria tem foto no Whatsapp, fica mais simples - mas mesmo assim é capaz de esbarrar com alguem na rua e não ter certeza se e a pessoa.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Pedofilia
Pedofilia é algo que me deixa realmente nervosa e desacreditada do ser humano. Acho que gera revolta em qualquer pessoa normal, e piora quando somos pais.
Certo dia atendi um cliente que gostava de imaginar algumas coisas durante a relação. Ele me contou isso no início do programa e disse que se ficasse "pesado" demais pra mim era só avisar que ele parava.
Ele começou imaginando que eu era sua cunhada. Ficava falando coisas do tipo "fiquei louco naquele dia que você estava de shortinho branco" e "transo com sua irmã pensando em você". Até aí tudo bem, tolerável né?
Seguiu imaginando, e falava que eu era sua prima. Ficou falando a vontade que tinha de comer a prima e blá blá blá - "vai ser fichinha", eu pensei.
Até que ele começou a falar coisas do tipo "sempre te espio tomando banho" e "o papai adora ver você peladinha" e me dei conta que ele estava fantasiando sobre uma criança (ou adolescente). Antes que eu digerisse as palavras, ele falou mais uma meia dúzia de coisas nojentas, sobre espiar, tocar, alisar e colocar no colo.
Meu sangue ferveu. Sou mãe, e na hora minha vontade era arrancar os olhos dele com as unhas, martelar o saco dele, e tudo mais que pedofilos merecem. Mas lembrei que ele pediu pra avisar se ficasse pesado demais, e não hesitei em pedir pra parar.
-Paramos por aqui.
Ele prontamente parou de falar, e o atendimento se deu por encerrado. Eu realmente não iria conseguir continuar.
Ficou aquele clima super chato, ele tentou se explicar dizendo que não fazia nada daquilo, mas que realmente imaginava e ficava fantasiando na hora do sexo. Eu me esforcei pra acreditar nisso, mas só de saber que ele se excitava imaginando esse tipo de coisa, fiquei mal.
Tem doido pra tudo, e doentes sem escrúpulos também.
Certo dia atendi um cliente que gostava de imaginar algumas coisas durante a relação. Ele me contou isso no início do programa e disse que se ficasse "pesado" demais pra mim era só avisar que ele parava.
Ele começou imaginando que eu era sua cunhada. Ficava falando coisas do tipo "fiquei louco naquele dia que você estava de shortinho branco" e "transo com sua irmã pensando em você". Até aí tudo bem, tolerável né?
Seguiu imaginando, e falava que eu era sua prima. Ficou falando a vontade que tinha de comer a prima e blá blá blá - "vai ser fichinha", eu pensei.
Até que ele começou a falar coisas do tipo "sempre te espio tomando banho" e "o papai adora ver você peladinha" e me dei conta que ele estava fantasiando sobre uma criança (ou adolescente). Antes que eu digerisse as palavras, ele falou mais uma meia dúzia de coisas nojentas, sobre espiar, tocar, alisar e colocar no colo.
Meu sangue ferveu. Sou mãe, e na hora minha vontade era arrancar os olhos dele com as unhas, martelar o saco dele, e tudo mais que pedofilos merecem. Mas lembrei que ele pediu pra avisar se ficasse pesado demais, e não hesitei em pedir pra parar.
-Paramos por aqui.
Ele prontamente parou de falar, e o atendimento se deu por encerrado. Eu realmente não iria conseguir continuar.
Ficou aquele clima super chato, ele tentou se explicar dizendo que não fazia nada daquilo, mas que realmente imaginava e ficava fantasiando na hora do sexo. Eu me esforcei pra acreditar nisso, mas só de saber que ele se excitava imaginando esse tipo de coisa, fiquei mal.
Tem doido pra tudo, e doentes sem escrúpulos também.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Lenocínio
No último post eu falei sobre como é bom trabalhar por conta própria e me dar ao luxo de fazer meus horários e vontades. Pude relembrar também das vezes que eu trabalhei sob pressão, sem condição psicológica alguma. Passei muito por isso, principalmente no começo.
Existe MUITO abuso psicológico por parte de cafetinas/cafetoes/donas e donos de casa. Não estou generalizando, pois tive o prazer de trabalhar com gente legal também, mas a grande maioria olha a garota apenas como um produto. Certa vez até vi uma cafetina discutindo com outra a respeito de uma menina, e a chamando de "material de trabalho". Esse jeito de falar chega a me dar nojo. Chamar um ser humano de MATERIAL DE TRABALHO. Vá carpir um terreno!!!
Quando comecei a trabalhar, acabei indo morar na zona por alguns meses. Eu trabalhava da hora que acordava até a hora da casa fechar. A dona não me obrigava, claro, mas se eu saísse para almoçar e demorasse um pouco mais, era cara feia e clima ruim na certa. Então eu tentava evitar - já que só o fato de trabalhar lá já era bem estressante.
Ela fazia reuniões, onde nos dizia que tínhamos que nos esforçar mais, atender melhor, etc etc etc. Nunca estava bom, nunca era o suficiente. Se estávamos com algum problema, foda-se! Tinha que chegar lá, trabalhar e render. Se faltasse, ela ameaçava dar multa ou não deixar mais trabalhar.
Certa época ela disse que iria quebrar nossos celulares, e começou a nos proibir de fazer comida na casa. Quem quisesse, que pedisse lanche.
Também tínhamos que servir os clientes do bar e lavar os copos, sem ganhar nada por isso!
Enquanto a gente se matava a trabalhar, ela se trancava no quarto dela e roncava. Sempre nos lembrando que a casa era cheia de câmeras e que saberia se alguém tentasse "passar a perna" nela.
Palpitava horrores sobre nossa vida pessoal. Quando aluguei um lugar para morar, passei a ir trabalhar só no horário da noite. Queria ficar mais perto da minha filha, e ela dizia que eu devia trabalhar mais, pois o importante era ter dinheiro e garantir o futuro da minha pequena ao invés de ficar em casa. Oi? Pra mim, minha presença de mãe é mais importante do que qualquer cifrão!
E quando conheci uma pessoa - fora da zona - e me envolvi? Eu era chamada de vagabunda, pois preferia estar dando de graça do que estar lá. Na verdade eu estava apenas vivendo minha vida pessoal. Direito de todos, ne?
Quando alguma de nós reclamava, a resposta dela era a mesma:
-Menina pra trabalhar é o que mais tem.
Uma vez ela expulsou uma menina aos berros, jogando as coisas dela todas no meio da rua. Tudo isso porque o namorado/noivo/sei lá da garota, estava na cidade e ela precisava ir embora.
Com o tempo fui ficando mais esperta, e não deixei mais nenhuma cafetina/cafetao tomar tanta liberdade.
Já vi cafetina explorar menina pedindo pra ela limpar, lavar banheiro, e tudo mais. Pera aí! Se tá ganhando em cima do programa, o MÍNIMO que tem que fazer é manter um local limpo para as garotas trabalharem.
Reclamam se a garota fica doente. Se está abalada psicologicamente, é frescura! E assim o abuso vai acontecendo...
Como falei, não generalizo. Sempre existem pessoas legais, e outras nem tanto. Mas na maioria das vezes, a relação acaba quando cortamos laços profissionais. Sabe aquela velha história de "acabou o dinheiro, acabou a amizade"? É bem por aí!
Lenocínio é uma prática criminosa que consiste em explorar o comércio carnal alheio, sob qualquer forma ou aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro (cafetinagem). No Brasil é crime segundo os Artigos 227 a 230 do Código Penal e não se confunde com prostituição.
Existe MUITO abuso psicológico por parte de cafetinas/cafetoes/donas e donos de casa. Não estou generalizando, pois tive o prazer de trabalhar com gente legal também, mas a grande maioria olha a garota apenas como um produto. Certa vez até vi uma cafetina discutindo com outra a respeito de uma menina, e a chamando de "material de trabalho". Esse jeito de falar chega a me dar nojo. Chamar um ser humano de MATERIAL DE TRABALHO. Vá carpir um terreno!!!
Quando comecei a trabalhar, acabei indo morar na zona por alguns meses. Eu trabalhava da hora que acordava até a hora da casa fechar. A dona não me obrigava, claro, mas se eu saísse para almoçar e demorasse um pouco mais, era cara feia e clima ruim na certa. Então eu tentava evitar - já que só o fato de trabalhar lá já era bem estressante.
Ela fazia reuniões, onde nos dizia que tínhamos que nos esforçar mais, atender melhor, etc etc etc. Nunca estava bom, nunca era o suficiente. Se estávamos com algum problema, foda-se! Tinha que chegar lá, trabalhar e render. Se faltasse, ela ameaçava dar multa ou não deixar mais trabalhar.
Certa época ela disse que iria quebrar nossos celulares, e começou a nos proibir de fazer comida na casa. Quem quisesse, que pedisse lanche.
Também tínhamos que servir os clientes do bar e lavar os copos, sem ganhar nada por isso!
Enquanto a gente se matava a trabalhar, ela se trancava no quarto dela e roncava. Sempre nos lembrando que a casa era cheia de câmeras e que saberia se alguém tentasse "passar a perna" nela.
Palpitava horrores sobre nossa vida pessoal. Quando aluguei um lugar para morar, passei a ir trabalhar só no horário da noite. Queria ficar mais perto da minha filha, e ela dizia que eu devia trabalhar mais, pois o importante era ter dinheiro e garantir o futuro da minha pequena ao invés de ficar em casa. Oi? Pra mim, minha presença de mãe é mais importante do que qualquer cifrão!
E quando conheci uma pessoa - fora da zona - e me envolvi? Eu era chamada de vagabunda, pois preferia estar dando de graça do que estar lá. Na verdade eu estava apenas vivendo minha vida pessoal. Direito de todos, ne?
Quando alguma de nós reclamava, a resposta dela era a mesma:
-Menina pra trabalhar é o que mais tem.
Uma vez ela expulsou uma menina aos berros, jogando as coisas dela todas no meio da rua. Tudo isso porque o namorado/noivo/sei lá da garota, estava na cidade e ela precisava ir embora.
Com o tempo fui ficando mais esperta, e não deixei mais nenhuma cafetina/cafetao tomar tanta liberdade.
Já vi cafetina explorar menina pedindo pra ela limpar, lavar banheiro, e tudo mais. Pera aí! Se tá ganhando em cima do programa, o MÍNIMO que tem que fazer é manter um local limpo para as garotas trabalharem.
Reclamam se a garota fica doente. Se está abalada psicologicamente, é frescura! E assim o abuso vai acontecendo...
Como falei, não generalizo. Sempre existem pessoas legais, e outras nem tanto. Mas na maioria das vezes, a relação acaba quando cortamos laços profissionais. Sabe aquela velha história de "acabou o dinheiro, acabou a amizade"? É bem por aí!
Lenocínio é uma prática criminosa que consiste em explorar o comércio carnal alheio, sob qualquer forma ou aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro (cafetinagem). No Brasil é crime segundo os Artigos 227 a 230 do Código Penal e não se confunde com prostituição.
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