5 meses... Menos de meio ano... É SÓ isso que falta para eu "pendurar as calcinhas" como dizem por aí. Sei que vai passar rápido, e tem horas que sinto um frio na barriga.
Como vai ser depois? Será que eu vou sentir falta? E os clientes? Devo manter amizade com os mais "chegados"? Continuo escrevendo no blog? E se um dia me faltar dinheiro?
Não é uma vida fácil. Está longe disso. Mas não posso negar que tem seus prazeres e confortos.
Dinheiro é bom e todo mundo gosta, e mesmo que não seja uma fortuna é sempre bom saber que "vai ter". Não adianta: pouco ou muito, toda puta ganha dinheiro. Sempre tem cliente. Se um dia não dá tão bom, no outro já melhora, e assim vai. Também posso me dar o luxo de simplesmente não trabalhar se eu não estiver num dia legal... Adoro ser dona do meu nariz e não ter que dar satisfação pra nenhum patrão haha.
Mas sinto que está chegando a hora mesmo, sabe? O cansaço e o stress às vezes afetam um pouco a rotina. Talvez muitas pessoas não se dêem conta disso, mas nós, garotas de programa, vivemos em clima de tensão, afinal nunca sabemos quem iremos encontrar. Sem falar no fato de estarmos sendo julgadas o tempo inteiro por algo tão íntimo: nosso corpo e nosso jeito de transar.
E tem aquilo que já comentei por aqui, que é muitíssimo importante pra mim: minha vida pessoal me chama. Aliás, ultimamente ela não chama, ela grita. Minha filha está virando uma mocinha cada vez mais esperta - o que só me impulsiona a parar, e surgiu alguém na minha vida. Na verdade surgiu no inicio, quando fazia apenas 2 meses que eu estava nessa - e lidar com minha cabeça dura de "só vou parar quando conseguir o que eu quero" não é fácil pra ele. Mas o tempo de espera nos fez ver que é isso mesmo, que não era fogo de palha, e eu quero muito aproveitar a chance de ter encontrado alguém que nos ame (a mim e minha pequena) e que me faz sentir que tenho, enfim, uma família. Quero tentar.
Ando sentindo vontade de ter uma vida mais normal mesmo, estudos, trabalho, família, aquela coisa com um Q de Amélia (mas uma Amélia moderna, viu gente!).
Enfim, acho que é praticamente uma contagem regressiva para o fim de um ciclo e início de um novo.
Desejo apenas que esse encerre em paz e que o próximo seja ainda mais feliz...
Que venham os últimos meses!
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
domingo, 29 de maio de 2016
Eterna Romântica
Como é bom ter alguém para compartilhar meus sonhos e planos, meus momentos bons e ruins, meus dias e noites.
Mesmo que o mundo inteiro não entendesse, não me importaria.
O que realmente me importa, e me cativa, é essa energia, essa sintonia, esse frio na barriga.
Confesso que no começo pensei que seria mais um. Ainda mais eu, que convivo com tantos todos os dias. Mas você foi diferente. Talvez por não ser um cliente, sei lá.
Você enxergou em mim mais do que um corpo. Você não conheceu a "Juliana Ramos". Você conheceu a pessoa por trás de tudo isso, a mulher, mãe, amiga, filha. A mulher que tem dúvidas, medos, sonhos e vontades, como qualquer outra.
E é esse fato que me alegra a cada dia: você gostou de mim do jeito que eu sou. Não preciso fingir e nem me esforçar pra agradar, pois sei que sou aceita, amada e respeitada.
Não sei se um dia vai ler, mas eu quero deixar aqui registrado o quanto você é especial pra mim nesse momento, e o quanto eu desejo que seja assim por toda vida.
Sei que não é fácil, mas te agradeço por toda sua compreensão, amor, paciência, respeito e principalmente por estar sendo aquela pessoa que posso contar. Espero estar retribuindo à altura.
Amo você!
Mesmo que o mundo inteiro não entendesse, não me importaria.
O que realmente me importa, e me cativa, é essa energia, essa sintonia, esse frio na barriga.
Confesso que no começo pensei que seria mais um. Ainda mais eu, que convivo com tantos todos os dias. Mas você foi diferente. Talvez por não ser um cliente, sei lá.
Você enxergou em mim mais do que um corpo. Você não conheceu a "Juliana Ramos". Você conheceu a pessoa por trás de tudo isso, a mulher, mãe, amiga, filha. A mulher que tem dúvidas, medos, sonhos e vontades, como qualquer outra.
E é esse fato que me alegra a cada dia: você gostou de mim do jeito que eu sou. Não preciso fingir e nem me esforçar pra agradar, pois sei que sou aceita, amada e respeitada.
Não sei se um dia vai ler, mas eu quero deixar aqui registrado o quanto você é especial pra mim nesse momento, e o quanto eu desejo que seja assim por toda vida.
Sei que não é fácil, mas te agradeço por toda sua compreensão, amor, paciência, respeito e principalmente por estar sendo aquela pessoa que posso contar. Espero estar retribuindo à altura.
Amo você!
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Amor Próprio É Tudo
Nada melhor do que amar a si mesmo... Depois que a gente descobre o quanto é especial, não é qualquer coisa que nos abala.
Viver no meio da prostituição me tornou muito mais forte. Descobri uma força em mim que nem eu mesma sabia que existia, e nesse período eu aprendi a me amar e me valorizar mais. Não falo em questão de cachê, dinheiro, mas de auto-estima e segurança mesmo, sabe?
Dou risada quando lembro, mas quando comecei a pensar na hipótese de virar uma garota de programa, uma das minhas dúvidas era: será que alguém vai pagar pra transar comigo?
Hahaha! Não sou nenhuma Gisele Bündchen, mas nunca servi pra feia, modéstia a parte. Só que apesar de sempre receber elogios, eu não me enxergava assim. Até me achava bonita, mas quase sempre me sentia inferior em relação a outras pessoas.
Também achava que nessa vida da putaria só tinha lugar pras Panicats. E eu vi que não... São mulheres normais, como eu, e qualquer outra mulher que a gente vê na rua todo dia. Claro que o dinheiro faz a gente melhorar, afinal o que a natureza não dá o dinheiro compra rsrs... Mas todas se preocupam com estrias, celulites, pontas duplas, imperfeições, enfim. Mulheres normais!
Foi vendo tudo isso que comecei a me aceitar mais, a gostar mais de mim mesma do jeito que eu sou. E então descobri que amor próprio é o primeiro passo pra ser realmente feliz.
Percebi que na verdade eu estava me cercando de pessoas que me colocavam "pra baixo", e que o problema estava nelas, e não em mim (relacionamentos doentios podem fazer grandes estragos - não só físicos, mas principalmente emocionais).
Quando "emputeci", a procura dos clientes por mim também foi um fator que fez minha auto estima melhorar muito. Os elogios, mais ainda.
Comecei a ver que existem sim pessoas que não só pagam pra sair comigo, como muitas vezes gostam, voltam, e se sentem bem ao meu lado. Dessa forma eu enxerguei que eu não precisava me arrastar aos pés de ninguém (como já fiz no passado, confesso).
O melhor de tudo isso é que a mudança é visível e praticamente "milagrosa". A partir do momento que a gente se ama e se aceita, aprende também a impor limites. Tomamos consciência que não nascemos pra ser pisados, humilhados, ignorados, enfim... A gente realmente se dá conta que merece o melhor, sempre!
Hoje em dia acordo me achando linda, gostosa, poderosa (menos quando estou de TPM). Continuo enxergando aquela imperfeição ali, outra aqui, mas penso "as outras qualidades superam" rsrs e assim vou vivendo, me amando, me descobrindo mais a cada dia e com a certeza que todos nós temos muito poder e brilho próprio... É só despertar!
Viver no meio da prostituição me tornou muito mais forte. Descobri uma força em mim que nem eu mesma sabia que existia, e nesse período eu aprendi a me amar e me valorizar mais. Não falo em questão de cachê, dinheiro, mas de auto-estima e segurança mesmo, sabe?
Dou risada quando lembro, mas quando comecei a pensar na hipótese de virar uma garota de programa, uma das minhas dúvidas era: será que alguém vai pagar pra transar comigo?
Hahaha! Não sou nenhuma Gisele Bündchen, mas nunca servi pra feia, modéstia a parte. Só que apesar de sempre receber elogios, eu não me enxergava assim. Até me achava bonita, mas quase sempre me sentia inferior em relação a outras pessoas.
Também achava que nessa vida da putaria só tinha lugar pras Panicats. E eu vi que não... São mulheres normais, como eu, e qualquer outra mulher que a gente vê na rua todo dia. Claro que o dinheiro faz a gente melhorar, afinal o que a natureza não dá o dinheiro compra rsrs... Mas todas se preocupam com estrias, celulites, pontas duplas, imperfeições, enfim. Mulheres normais!
Foi vendo tudo isso que comecei a me aceitar mais, a gostar mais de mim mesma do jeito que eu sou. E então descobri que amor próprio é o primeiro passo pra ser realmente feliz.
Percebi que na verdade eu estava me cercando de pessoas que me colocavam "pra baixo", e que o problema estava nelas, e não em mim (relacionamentos doentios podem fazer grandes estragos - não só físicos, mas principalmente emocionais).
Quando "emputeci", a procura dos clientes por mim também foi um fator que fez minha auto estima melhorar muito. Os elogios, mais ainda.
Comecei a ver que existem sim pessoas que não só pagam pra sair comigo, como muitas vezes gostam, voltam, e se sentem bem ao meu lado. Dessa forma eu enxerguei que eu não precisava me arrastar aos pés de ninguém (como já fiz no passado, confesso).
O melhor de tudo isso é que a mudança é visível e praticamente "milagrosa". A partir do momento que a gente se ama e se aceita, aprende também a impor limites. Tomamos consciência que não nascemos pra ser pisados, humilhados, ignorados, enfim... A gente realmente se dá conta que merece o melhor, sempre!
Hoje em dia acordo me achando linda, gostosa, poderosa (menos quando estou de TPM). Continuo enxergando aquela imperfeição ali, outra aqui, mas penso "as outras qualidades superam" rsrs e assim vou vivendo, me amando, me descobrindo mais a cada dia e com a certeza que todos nós temos muito poder e brilho próprio... É só despertar!
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Crises Existenciais
Logo que comecei a trabalhar tive umas crises de existência, ou de identidade - como quiser chamar.
Do dia pra noite eu, que nunca nem sequer tinha pisado em uma zona, estava lá, trabalhando.
Lembro até hoje de como escolhi o nome Juliana e da roupa que eu usei na primeira noite (um short vermelho e uma blusinha preta - que estavam largos e bem batidos). Apesar de não fazer tanto tempo assim (pouco mais de 1 ano e meio), já vivi tanta coisa nesse período que parece que fui puta a vida inteira.
Claro que foi uma escolha minha e que eu tinha consciência que não seria fácil. Mas na prática tudo é mais complicado, né?
Meu primeiro dia de trabalho foi uma "maravilha". Os clientes não eram dos melhores, mas eu estava meio que em "modo automático" de tão nervosa, e mal raciocinava. Pensava apenas em ganhar dinheiro e tornar aquilo o mais agradável possível.
"Vou tirar de letra" - pensei. Mas mal sabia o que me aguardava...
Nos dias seguintes já tive uns altos e baixos, mesmo com o dinheiro entrando eu pensava "será que vale a pena?" "e se alguém descobrir?" - eu estava saindo de um relacionamento doentio e morria de medo de ser descoberta (tenho certeza que, na época, ele me mataria). Hoje em dia, não me importo mais. As pessoas que precisam saber, sabem. E se alguém que ainda não sabe "descobrir", paciência!
Lembro que no início tinha dias que eu torcia pra campainha daquela casa de massagem não tocar, mesmo sabendo que precisava que ela tocasse para ganhar dinheiro - caso contrário eu estaria ali perdendo tempo. Certa vez me senti tão angustiada que comecei a chorar no meio do programa, e pedi pro cliente não contar nada pra cafetina e que eu mesma devolveria o dinheiro dele - e assim fiz.
Outra vez, já nas boates, também tive uma crise de choro no meio do salão, peguei minhas coisas e fui embora ainda no início da noite. Me sentia suja e perdida naquele meio.
Mas logo vinha o dia seguinte, a necessidade do dinheiro, e eu pensava "eu aguento". Aos poucos as coisas vão se tornando normais.
Não sei em que momento o nome "Juliana" passou a fazer parte de mim definitivamente. Em que momento tudo isso se tornou rotineiro. Quando foi que a ideia de ser uma garota de programa deixou se der novidade.
Fui me acostumando aos poucos, o que não quer dizer que tenha sido fácil. Longe disso! Vários dias não fui trabalhar, ou desisti no meio da noite, por não estar bem psicologicamente.
As coisas começaram a melhorar quando passei a trabalhar por anúncios, e somente durante o dia. Voltei a ter uma rotina normal, e viver mais a minha vida pessoal, e isso me fez muito bem.
Atualmente posso dizer que estou bem, mesmo. Não que nas outras épocas não estivesse, mas a fase das crises existenciais passou. Hoje me sinto mais segura, mais convicta do que quero, e até melhor como pessoa.
A prostituição me ensinou muita coisa, muita coisa mesmo. E não falo só de sexo, mas sim sobre a vida, as pessoas, e sobre mim mesma principalmente.
Do dia pra noite eu, que nunca nem sequer tinha pisado em uma zona, estava lá, trabalhando.
Lembro até hoje de como escolhi o nome Juliana e da roupa que eu usei na primeira noite (um short vermelho e uma blusinha preta - que estavam largos e bem batidos). Apesar de não fazer tanto tempo assim (pouco mais de 1 ano e meio), já vivi tanta coisa nesse período que parece que fui puta a vida inteira.
Claro que foi uma escolha minha e que eu tinha consciência que não seria fácil. Mas na prática tudo é mais complicado, né?
Meu primeiro dia de trabalho foi uma "maravilha". Os clientes não eram dos melhores, mas eu estava meio que em "modo automático" de tão nervosa, e mal raciocinava. Pensava apenas em ganhar dinheiro e tornar aquilo o mais agradável possível.
"Vou tirar de letra" - pensei. Mas mal sabia o que me aguardava...
Nos dias seguintes já tive uns altos e baixos, mesmo com o dinheiro entrando eu pensava "será que vale a pena?" "e se alguém descobrir?" - eu estava saindo de um relacionamento doentio e morria de medo de ser descoberta (tenho certeza que, na época, ele me mataria). Hoje em dia, não me importo mais. As pessoas que precisam saber, sabem. E se alguém que ainda não sabe "descobrir", paciência!
Lembro que no início tinha dias que eu torcia pra campainha daquela casa de massagem não tocar, mesmo sabendo que precisava que ela tocasse para ganhar dinheiro - caso contrário eu estaria ali perdendo tempo. Certa vez me senti tão angustiada que comecei a chorar no meio do programa, e pedi pro cliente não contar nada pra cafetina e que eu mesma devolveria o dinheiro dele - e assim fiz.
Outra vez, já nas boates, também tive uma crise de choro no meio do salão, peguei minhas coisas e fui embora ainda no início da noite. Me sentia suja e perdida naquele meio.
Mas logo vinha o dia seguinte, a necessidade do dinheiro, e eu pensava "eu aguento". Aos poucos as coisas vão se tornando normais.
Não sei em que momento o nome "Juliana" passou a fazer parte de mim definitivamente. Em que momento tudo isso se tornou rotineiro. Quando foi que a ideia de ser uma garota de programa deixou se der novidade.
Fui me acostumando aos poucos, o que não quer dizer que tenha sido fácil. Longe disso! Vários dias não fui trabalhar, ou desisti no meio da noite, por não estar bem psicologicamente.
As coisas começaram a melhorar quando passei a trabalhar por anúncios, e somente durante o dia. Voltei a ter uma rotina normal, e viver mais a minha vida pessoal, e isso me fez muito bem.
Atualmente posso dizer que estou bem, mesmo. Não que nas outras épocas não estivesse, mas a fase das crises existenciais passou. Hoje me sinto mais segura, mais convicta do que quero, e até melhor como pessoa.
A prostituição me ensinou muita coisa, muita coisa mesmo. E não falo só de sexo, mas sim sobre a vida, as pessoas, e sobre mim mesma principalmente.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
2.7
Hoje acordei me sentindo mais leve, mais segura, e ainda mais positiva. É meu aniversário de 27 anos (com carinha de 25, e com 24 nos anúncios 😆).
Estou começando a ter aqueles pensamentos de "queria ter aquela idade, com a cabeça de hoje". Mas a vida é feita de fases, e eu continuo me sentindo como se tivesse 15 anos. Sou a mesma pessoa, a mesma essência, porém com mais experiência - e isso é ótimo, considero "ponto pra mim"!
Um dos pontos positivos do meu trabalho é que eu lido com as pessoas de modo mais íntimo, e acabo conhecendo várias histórias de vida, de superação. Também vejo clientes de tudo que é idade, e muitas vezes não vejo tanta diferença entre um de 35 e um de 50, 55, 60... Continuam com sonhos, vontades, desejos - e a grande maioria correndo atrás disso.
Por isso hoje, completando 27 anos, sei que tenho a vida inteira pela frente e que posso conseguir qualquer coisa que eu quiser. Tempo para isso eu tenho (se for da vontade de Deus).
Me presenteei com o retorno à academia (não estava mais indo pois tenho que acordar muito cedo para conseguir conciliar - mas vou superar a preguiça matinal), e com a promessa a mim mesma de que tenho apenas mais 6 meses de trabalho pela frente.
Já havia falado por aqui que tenho pensado muito na minha aposentadoria, e agora enfim estou decidida. Não que eu esteja infeliz na profissão nem nada disso, por mim quem sabe até ficaria mais tempo, mas minha vida pessoal me chama e eu sinto que é hora de viver outras coisas.
28/10/2016 será meu último dia de "Juliana Ramos", sinto até um frio na barriga de escrever isso aqui, mas sei que agora que divulguei a data, vou me cobrar muito mais para cumprir esse prazo.
No mais, só tenho a agradecer. Uma das coisa que aprendi nesses 27 anos é que a gratidão é uma carta de amor que a gente envia ao universo, e eu sou muito grata pela minha vida, minha saúde, minha familia, e pelas pessoas que cruzam o meu caminho sempre ensinando alguma coisa.
Nada é impossível para um coração cheio de vontade!
Estou começando a ter aqueles pensamentos de "queria ter aquela idade, com a cabeça de hoje". Mas a vida é feita de fases, e eu continuo me sentindo como se tivesse 15 anos. Sou a mesma pessoa, a mesma essência, porém com mais experiência - e isso é ótimo, considero "ponto pra mim"!
Um dos pontos positivos do meu trabalho é que eu lido com as pessoas de modo mais íntimo, e acabo conhecendo várias histórias de vida, de superação. Também vejo clientes de tudo que é idade, e muitas vezes não vejo tanta diferença entre um de 35 e um de 50, 55, 60... Continuam com sonhos, vontades, desejos - e a grande maioria correndo atrás disso.
Por isso hoje, completando 27 anos, sei que tenho a vida inteira pela frente e que posso conseguir qualquer coisa que eu quiser. Tempo para isso eu tenho (se for da vontade de Deus).
Me presenteei com o retorno à academia (não estava mais indo pois tenho que acordar muito cedo para conseguir conciliar - mas vou superar a preguiça matinal), e com a promessa a mim mesma de que tenho apenas mais 6 meses de trabalho pela frente.
Já havia falado por aqui que tenho pensado muito na minha aposentadoria, e agora enfim estou decidida. Não que eu esteja infeliz na profissão nem nada disso, por mim quem sabe até ficaria mais tempo, mas minha vida pessoal me chama e eu sinto que é hora de viver outras coisas.
28/10/2016 será meu último dia de "Juliana Ramos", sinto até um frio na barriga de escrever isso aqui, mas sei que agora que divulguei a data, vou me cobrar muito mais para cumprir esse prazo.
No mais, só tenho a agradecer. Uma das coisa que aprendi nesses 27 anos é que a gratidão é uma carta de amor que a gente envia ao universo, e eu sou muito grata pela minha vida, minha saúde, minha familia, e pelas pessoas que cruzam o meu caminho sempre ensinando alguma coisa.
Nada é impossível para um coração cheio de vontade!
terça-feira, 12 de abril de 2016
A Rica!!!
Hoje estava conversando com um cliente sobre como foi quando comecei a "ganhar dinheiro". Não, eu não fiquei rica. Teria que ter "emputecido" mais cedo, ou adiar (e muito) minha aposentadoria pra isso.
Não posso negar que muita coisa mudou, tendo em vista que quando comecei eu morava em um quarto/banheiro úmido e mofado e mal tinha dinheiro pra me alimentar decentemente. Mas, em resumo, continuo sendo uma mera mortal que tem contas a pagar.
Só que conversando sobre isso, lembrei de uma história bizarra que não sei como não tinha virado post ainda!
Gente... Assim que comecei a ver a cor do dinheiro, me deslumbrei "um pouco". Comprei roupas e mais roupas, maquiagens, calçados, e tudo mais que eu tinha vontade e não podia trabalhando como caixa de lanchonete ou vendedora de trufas.
Lá pela terceira semana de trabalho combinei de sair com uma menina da casa, que trabalhava junto comigo. Fomos jantar fora. Casquinha de siri, camarão, ostras, e cerveja - MUITA cerveja.
Encontramos dois conhecidos meus, e eu pedia pra ela "Pelo amor de Deus, não me chama de Juliana. Eles não podem descobrir que sou GP!" - estava começando, e ainda não tinha uma opinião formada sobre se deveria falar ou não a origem da "mudança repentina" em minha vida.
Só que a cerveja já tinha sido tanta, que 10 minutos depois eu mesma já tava falando:
-Sou puta mesmo! - e abria a carteira, dava risada e me achava rica.
Acho horrível gente bêbada. Principalmente quando essa gente sou eu hahaha.
Na continuação da noite tive uma brilhante ideia:
-Vamos comprar vodka e energético e vamos beber num motel.
Lá fomos nós. Chegando na recepção eu dizia:
-Quero a suíte mais caraaa! A melhooor!
Eu estava tão deslumbrada que jogava os sais de banho para o ar e gritava
-Acabou a miséria!!
-Agora só quero Victoria Secret!!
(A LOKA!)
Sei que o dia amanheceu, e eu precisava viajar.
Chegando na rodoviária, enquanto esperava o ônibus, ajudei dois pedintes. Dei 100 reais pra cada um e ainda tentava dar uma ajuda moral:
-Eu sei como é passar dificuldade, eu virei garota de programa a pouco tempo, estou mudando minha vida.
(OLHA OS ASSUNTOS!!)
Pensem na minha cara quando lembrava das coisas depois (e quando olhava pra minha carteira, principalmente).
Foi uma experiência pra nunca mais, hahaha.
Depois dessa aprendi que quem guarda sempre tem, e que meu dinheiro não vem fácil, então não pode ir tão fácil também.
Mas dou boas risadas quando lembro dessa cena toda que eu mesma fiz! Pobre quando ganha dinheiro é foda! 😂😂
Não posso negar que muita coisa mudou, tendo em vista que quando comecei eu morava em um quarto/banheiro úmido e mofado e mal tinha dinheiro pra me alimentar decentemente. Mas, em resumo, continuo sendo uma mera mortal que tem contas a pagar.
Só que conversando sobre isso, lembrei de uma história bizarra que não sei como não tinha virado post ainda!
Gente... Assim que comecei a ver a cor do dinheiro, me deslumbrei "um pouco". Comprei roupas e mais roupas, maquiagens, calçados, e tudo mais que eu tinha vontade e não podia trabalhando como caixa de lanchonete ou vendedora de trufas.
Lá pela terceira semana de trabalho combinei de sair com uma menina da casa, que trabalhava junto comigo. Fomos jantar fora. Casquinha de siri, camarão, ostras, e cerveja - MUITA cerveja.
Encontramos dois conhecidos meus, e eu pedia pra ela "Pelo amor de Deus, não me chama de Juliana. Eles não podem descobrir que sou GP!" - estava começando, e ainda não tinha uma opinião formada sobre se deveria falar ou não a origem da "mudança repentina" em minha vida.
Só que a cerveja já tinha sido tanta, que 10 minutos depois eu mesma já tava falando:
-Sou puta mesmo! - e abria a carteira, dava risada e me achava rica.
Acho horrível gente bêbada. Principalmente quando essa gente sou eu hahaha.
Na continuação da noite tive uma brilhante ideia:
-Vamos comprar vodka e energético e vamos beber num motel.
Lá fomos nós. Chegando na recepção eu dizia:
-Quero a suíte mais caraaa! A melhooor!
Eu estava tão deslumbrada que jogava os sais de banho para o ar e gritava
-Acabou a miséria!!
-Agora só quero Victoria Secret!!
(A LOKA!)
Sei que o dia amanheceu, e eu precisava viajar.
Chegando na rodoviária, enquanto esperava o ônibus, ajudei dois pedintes. Dei 100 reais pra cada um e ainda tentava dar uma ajuda moral:
-Eu sei como é passar dificuldade, eu virei garota de programa a pouco tempo, estou mudando minha vida.
(OLHA OS ASSUNTOS!!)
Pensem na minha cara quando lembrava das coisas depois (e quando olhava pra minha carteira, principalmente).
Foi uma experiência pra nunca mais, hahaha.
Depois dessa aprendi que quem guarda sempre tem, e que meu dinheiro não vem fácil, então não pode ir tão fácil também.
Mas dou boas risadas quando lembro dessa cena toda que eu mesma fiz! Pobre quando ganha dinheiro é foda! 😂😂
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Amadurecendo
O amadurecimento acontece através das experiências. Não é de uma hora pra outra, nem do dia pra noite. Ninguém acorda um belo dia e "puff" - amadureceu.
As vezes é necessário sofrer um pouco, como um fruto que passa dias, noites, sol, chuva, até atingir o ponto ideal. Alguns não chegam a amadurecer, outros ficam ótimos e suculentos!
Também não tem nada a ver com idade ou tempo. Ser uma pessoa madura não significa ser ranzinza ou sério demais. Pelo contrário: podemos dizer que amadurecemos quando paramos de nos aborrecer diante de qualquer coisinha e começamos a levar a vida com mais calma e leveza. Conheço pessoas de 60 anos que ainda não aprenderam, e outras de 20 e poucos que "dão um banho".
Eu posso dizer que amadureci muito nos últimos tempos. Gosto de chamar esse amadurecimento de evolução também. Evolui como pessoa, mãe, mulher, ser humano. Tive lições de humildade e de auto conhecimento que jamais imaginaria. Superei a mim mesma incontáveis vezes. Conheci e continuo conhecendo todo tipo de gente e milhares de histórias de vida.
Aprendi a priorizar o que é realmente importante, e focar no que eu quero - afinal, certas coisas só dependem de mim mesma.
Aprendi também a me valorizar. Pasmem! Em meio a prostituição, onde muitas mulheres sem sentem sujas e inferiores, e mesmo cercada de tanto preconceito, foi onde descobri que tenho valor - e não é só financeiro.
Aprendi a pensar mais em mim, a me impor. Vivo num meio em que é "cada um por si, Deus por todos", e por mais que a gente conheça pessoas legais no meio do caminho, cada um está atrás do seu dinheiro (ou do seu prazer). Pensar em mim não é egoísmo, mas é amor próprio - até porque as pessoas que nos querem bem, vão sempre ficar feliz ao ver a gente "indo pra frente".
E por fim, mas não menos importante, hoje mais do que nunca sei que a vida é feita de fases, ciclos, ou como quiser chamar.
Um dia de cada vez, e devagar se vai longe!
As vezes é necessário sofrer um pouco, como um fruto que passa dias, noites, sol, chuva, até atingir o ponto ideal. Alguns não chegam a amadurecer, outros ficam ótimos e suculentos!
Também não tem nada a ver com idade ou tempo. Ser uma pessoa madura não significa ser ranzinza ou sério demais. Pelo contrário: podemos dizer que amadurecemos quando paramos de nos aborrecer diante de qualquer coisinha e começamos a levar a vida com mais calma e leveza. Conheço pessoas de 60 anos que ainda não aprenderam, e outras de 20 e poucos que "dão um banho".
Eu posso dizer que amadureci muito nos últimos tempos. Gosto de chamar esse amadurecimento de evolução também. Evolui como pessoa, mãe, mulher, ser humano. Tive lições de humildade e de auto conhecimento que jamais imaginaria. Superei a mim mesma incontáveis vezes. Conheci e continuo conhecendo todo tipo de gente e milhares de histórias de vida.
Aprendi a priorizar o que é realmente importante, e focar no que eu quero - afinal, certas coisas só dependem de mim mesma.
Aprendi também a me valorizar. Pasmem! Em meio a prostituição, onde muitas mulheres sem sentem sujas e inferiores, e mesmo cercada de tanto preconceito, foi onde descobri que tenho valor - e não é só financeiro.
Aprendi a pensar mais em mim, a me impor. Vivo num meio em que é "cada um por si, Deus por todos", e por mais que a gente conheça pessoas legais no meio do caminho, cada um está atrás do seu dinheiro (ou do seu prazer). Pensar em mim não é egoísmo, mas é amor próprio - até porque as pessoas que nos querem bem, vão sempre ficar feliz ao ver a gente "indo pra frente".
E por fim, mas não menos importante, hoje mais do que nunca sei que a vida é feita de fases, ciclos, ou como quiser chamar.
Um dia de cada vez, e devagar se vai longe!
quinta-feira, 24 de março de 2016
Aposentadoria
Ultimamente eu tenho pensado bastante na minha aposentadoria. Quando entrei nessa vida, estabeleci algumas metas que aos poucos estou conseguindo, enfim, alcançar.
A grande maioria das pessoas que eu comento sobre isso pergunta se eu vou conseguir realmente parar, algumas até afirmam que eu não vou conseguir. Eu confesso que às vezes fico frustrada com essas opiniões negativas. É incrível como muitas pessoas desacreditam que alguém possa ter uma vida normal depois da prostituição. Ainda bem que há tempos parei de viver em torno da opinião alheia - caso contrário, nem teria entrado nessa.
Eu não nasci puta, e não quero ser puta pra sempre. Eu tenho noção que esse não é um dinheiro eterno, e que apesar de o dinheiro realmente rolar, eu não posso e não devo me acostumar com ele. Por isso aprendi a não esbanjar, e focar no que é realmente importante pra mim. Aproveitar essa fase na prostituição para me adiantar, e não para estagnar aqui.
Dinheiro é bom. Ótimo, aliás! Mas a vida segue, e não dá pra viver só em torno dele. Prostituição é uma profissão que se mistura muito com nossa vida pessoal, inevitavelmente, e tem horas que isso pesa.
Se eu fosse solteira (assunto que pouco comento aqui, mas tem uma pessoa esperando ansiosamente pelo momento da minha parada), e não tivesse filho, acho que eu até ficaria mais um (bom) tempo nessa. Pra falar a verdade, gostaria de ter emputecido mais cedo e aproveitado mais. Mas comecei aos 25, estou chegando aos 27 e com vontade de ter uma vida normal de novo (ou melhor dizer, pela primeira vez). Enfim, cada pessoa tem seu tempo e seus motivos né?
Eu tenho me esforçado pra alcançar as coisas que faltam, e aos poucos estou conseguindo. Não pretendo parar hoje, nem amanhã ou semana que vem, mas é questão de mais alguns meses, creio eu.
O que vou fazer depois? É o que a maioria me pergunta. Bom... Vida que segue, né? Pretendo trabalhar normalmente, como sempre trabalhei. A diferença é que dessa vez com casa própria, carro, e a vida mil vezes mais estabilizada. Totalmente diferente de quando comecei, que morava em um quartinho úmido e mofado, longe da minha filha, e às vezes tinha que viver a base de miojo por falta de grana pra uma refeição decente.
Agora em Abril retomo meus estudos, e esse é um dos passos que mais me alegra. Parei de estudar logo que a minha mãe faleceu, e lá no fundo sentia que "fiquei pra trás", mas não dava o passo de voltar aos estudos por falta de tempo, dinheiro, vergonha na cara (principalmente), enfim... Dar esse passo é um recomeço real na minha vida. Depois vem faculdade e tudo mais que eu quero... Mas não há motivos pra ter pressa. Estou procurando viver um dia de cada vez (o Yoga tem sido um grande aliado, me ensinando a estar no momento presente).
A prostituição me serviu (e ainda serve) pra pular bastante degraus, mas em algum momento vou ter que voltar a subir devagarinho - e com calma tudo se consegue!
A grande maioria das pessoas que eu comento sobre isso pergunta se eu vou conseguir realmente parar, algumas até afirmam que eu não vou conseguir. Eu confesso que às vezes fico frustrada com essas opiniões negativas. É incrível como muitas pessoas desacreditam que alguém possa ter uma vida normal depois da prostituição. Ainda bem que há tempos parei de viver em torno da opinião alheia - caso contrário, nem teria entrado nessa.
Eu não nasci puta, e não quero ser puta pra sempre. Eu tenho noção que esse não é um dinheiro eterno, e que apesar de o dinheiro realmente rolar, eu não posso e não devo me acostumar com ele. Por isso aprendi a não esbanjar, e focar no que é realmente importante pra mim. Aproveitar essa fase na prostituição para me adiantar, e não para estagnar aqui.
Dinheiro é bom. Ótimo, aliás! Mas a vida segue, e não dá pra viver só em torno dele. Prostituição é uma profissão que se mistura muito com nossa vida pessoal, inevitavelmente, e tem horas que isso pesa.
Se eu fosse solteira (assunto que pouco comento aqui, mas tem uma pessoa esperando ansiosamente pelo momento da minha parada), e não tivesse filho, acho que eu até ficaria mais um (bom) tempo nessa. Pra falar a verdade, gostaria de ter emputecido mais cedo e aproveitado mais. Mas comecei aos 25, estou chegando aos 27 e com vontade de ter uma vida normal de novo (ou melhor dizer, pela primeira vez). Enfim, cada pessoa tem seu tempo e seus motivos né?
Eu tenho me esforçado pra alcançar as coisas que faltam, e aos poucos estou conseguindo. Não pretendo parar hoje, nem amanhã ou semana que vem, mas é questão de mais alguns meses, creio eu.
O que vou fazer depois? É o que a maioria me pergunta. Bom... Vida que segue, né? Pretendo trabalhar normalmente, como sempre trabalhei. A diferença é que dessa vez com casa própria, carro, e a vida mil vezes mais estabilizada. Totalmente diferente de quando comecei, que morava em um quartinho úmido e mofado, longe da minha filha, e às vezes tinha que viver a base de miojo por falta de grana pra uma refeição decente.
Agora em Abril retomo meus estudos, e esse é um dos passos que mais me alegra. Parei de estudar logo que a minha mãe faleceu, e lá no fundo sentia que "fiquei pra trás", mas não dava o passo de voltar aos estudos por falta de tempo, dinheiro, vergonha na cara (principalmente), enfim... Dar esse passo é um recomeço real na minha vida. Depois vem faculdade e tudo mais que eu quero... Mas não há motivos pra ter pressa. Estou procurando viver um dia de cada vez (o Yoga tem sido um grande aliado, me ensinando a estar no momento presente).
A prostituição me serviu (e ainda serve) pra pular bastante degraus, mas em algum momento vou ter que voltar a subir devagarinho - e com calma tudo se consegue!
terça-feira, 15 de março de 2016
As Drogas
No último post comentei algo sobre nunca ter usado drogas com clientes. Isso é verdade, e posso dizer que é um fato do qual me orgulho, tendo em vista meu passado.
Cresci numa casa onde cada um tinha seu vício. Meu pai era alcoólatra, frequentou o AA durante um tempo e chegou até a se internar em clínicas de reabilitação, mas sempre tinha recaídas e esse era um problema que afetava muito nossa convivência familiar.
Minha mãe tinha depressão, e acabou se viciando nos remédios tarja preta. Eu já estava acostumada com os altos e baixos dela, e sempre a ouvia falando que estava fazendo um tratamento para a depressão e por isso precisava tomar tantos remédios. Só descobri que as coisas estavam fora do controle no dia que a encontrei morta.
Desde nova sempre fui curiosa em relação a drogas. Experimentei tudo o que me ofereceram - e o que não ofereceram também - e cheguei ao extremo em algumas das minhas experiências. Não é nada que eu me orgulhe ou ache bonito , longe disso! Mas faz parte da minha história, entao fazer o quê?
Posso dizer que altos e baixos da minha vida tiveram muito a ver com meu envolvimento com a cocaína e falta de controle sobre mim mesma - principalmente.
Quando decidi começar a fazer programa eu já tinha passado a pior fase. Já tinha torrado uma boa quantia que recebi de herança e tido um horrível início de overdose. Definitivamente não era isso que eu queria pra mim.
Na primeira conversa com a cafetina o assunto veio à tona e ela comentou que grande parte dos clientes usam alguma coisa.
Naquele momento eu decidi que não iria cair na tentação. Estava começando a fazer programa pra "mudar de vida" e sabia que se voltasse a usar, todo meu esforço seria em vão. Eu não queria me tornar uma dessas garotas que fazem programa para sustentar o vício.
No primeiro ou segundo dia já atendi um cara que começou a cheirar no quarto. Me ofereceu várias vezes, e por mais que houvesse uma certa vontade, me mantive firme. Com o tempo vi que aquilo seria rotineiro. Muitos clientes cheiravam, e eu me acostumei com isso. Alguns passavam horas e horas no quarto usando droga e tentando fazer sexo (isso é, quando tentavam!!).
Conheci clientes que eram totalmente viciados, do tipo que torravam tudo e já eram conhecidos, e outros que nem de longe pareciam usar alguma coisa.
Vi poucas meninas usando. Na verdade nunca cheguei a ver nenhuma, mas sabia que algumas gostavam - apesar de nunca terem falado abertamente.
Rola? Claro que rola! Mas talvez por eu não usar mais, acabava "por fora" sem saber o que realmente acontecia.
Algumas não tinham como disfarçar: a cada vinda do banheiro voltavam mais falantes e "fungando" mais do que o habitual - daquele jeito que quem conhece os efeitos nota de longe.
Muitas gostavam de usar drogas sintéticas também, ficavam super animadas pra trabalhar - e algumas ficavam chatas com tanta energia, ou muito fora da casinha.
Não julgo ninguém. Aprendi que tudo que em excesso faz mal, não importa o que seja.
O grande problema que eu vi e presenciei MESMO na noite foi o alcoolismo. Tem muita menina alcoólatra!
Eu vou deixar pra escrever a respeito no próximo post, porque já começo a lembrar de algumas historias sobre a "mardita"!
Cresci numa casa onde cada um tinha seu vício. Meu pai era alcoólatra, frequentou o AA durante um tempo e chegou até a se internar em clínicas de reabilitação, mas sempre tinha recaídas e esse era um problema que afetava muito nossa convivência familiar.
Minha mãe tinha depressão, e acabou se viciando nos remédios tarja preta. Eu já estava acostumada com os altos e baixos dela, e sempre a ouvia falando que estava fazendo um tratamento para a depressão e por isso precisava tomar tantos remédios. Só descobri que as coisas estavam fora do controle no dia que a encontrei morta.
Desde nova sempre fui curiosa em relação a drogas. Experimentei tudo o que me ofereceram - e o que não ofereceram também - e cheguei ao extremo em algumas das minhas experiências. Não é nada que eu me orgulhe ou ache bonito , longe disso! Mas faz parte da minha história, entao fazer o quê?
Posso dizer que altos e baixos da minha vida tiveram muito a ver com meu envolvimento com a cocaína e falta de controle sobre mim mesma - principalmente.
Quando decidi começar a fazer programa eu já tinha passado a pior fase. Já tinha torrado uma boa quantia que recebi de herança e tido um horrível início de overdose. Definitivamente não era isso que eu queria pra mim.
Na primeira conversa com a cafetina o assunto veio à tona e ela comentou que grande parte dos clientes usam alguma coisa.
Naquele momento eu decidi que não iria cair na tentação. Estava começando a fazer programa pra "mudar de vida" e sabia que se voltasse a usar, todo meu esforço seria em vão. Eu não queria me tornar uma dessas garotas que fazem programa para sustentar o vício.
No primeiro ou segundo dia já atendi um cara que começou a cheirar no quarto. Me ofereceu várias vezes, e por mais que houvesse uma certa vontade, me mantive firme. Com o tempo vi que aquilo seria rotineiro. Muitos clientes cheiravam, e eu me acostumei com isso. Alguns passavam horas e horas no quarto usando droga e tentando fazer sexo (isso é, quando tentavam!!).
Conheci clientes que eram totalmente viciados, do tipo que torravam tudo e já eram conhecidos, e outros que nem de longe pareciam usar alguma coisa.
Vi poucas meninas usando. Na verdade nunca cheguei a ver nenhuma, mas sabia que algumas gostavam - apesar de nunca terem falado abertamente.
Rola? Claro que rola! Mas talvez por eu não usar mais, acabava "por fora" sem saber o que realmente acontecia.
Algumas não tinham como disfarçar: a cada vinda do banheiro voltavam mais falantes e "fungando" mais do que o habitual - daquele jeito que quem conhece os efeitos nota de longe.
Muitas gostavam de usar drogas sintéticas também, ficavam super animadas pra trabalhar - e algumas ficavam chatas com tanta energia, ou muito fora da casinha.
Não julgo ninguém. Aprendi que tudo que em excesso faz mal, não importa o que seja.
O grande problema que eu vi e presenciei MESMO na noite foi o alcoolismo. Tem muita menina alcoólatra!
Eu vou deixar pra escrever a respeito no próximo post, porque já começo a lembrar de algumas historias sobre a "mardita"!
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Red Light
Bordel fechado na capital de SC tinha cômodos monitorados por câmeras
Proprietária controlava garotas que trabalhavam sem intervalos, diz polícia. 50% do valor do programa era confiscado pela dona.
Assim começa a reportagem que fala sobre o fechamento da casa de massagem que tanto cito aqui. Aquela, que relatei a alguns dias atrás no post sobre Lenocínio.
Quando me enviaram o link cheguei a ficar arrepiada. Não que seja algo assombroso, mas é que lembrei das coisas que passei lá. Hoje, lendo a reportagem, me dou conta da gravidade de tudo isso. Na época eu achava que aquilo era normal, que era assim mesmo.
Sou super a favor dessa tal "Operação Red Light" (é o nome da operação que está fechando várias casas aqui em Florianópolis - já foram quase 20 casas interditadas). O objetivo da operação não é acabar com a prostituição, mas sim com os exploradores. Sei que causa um transtorno para as meninas que dependem das casas de massagem para trabalhar, mas ainda existem opções (as casas que se adaptaram às exigências - que ganham somente com aluguel do quarto e nada com o programa).
Enfim... Meu desejo é de que nenhuma menina seja explorada, maltratada, humilhada. A grande maioria das mulheres que se sujeitam a fazer programa já passou por muita coisa na vida. E cair na mão de gente que trata mal é sofrer sem necessidade. Sempre existem outras opções, outros caminhos, outras formas. O mínimo que um agenciador/cafetão deve dar é respeito e reconhecer que precisa muito mais da garota, do que a garota dele.
Quem quiser ler a reportagem na íntegra, está aqui.
Quem quiser ler a reportagem na íntegra, está aqui.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Lenocínio
No último post eu falei sobre como é bom trabalhar por conta própria e me dar ao luxo de fazer meus horários e vontades. Pude relembrar também das vezes que eu trabalhei sob pressão, sem condição psicológica alguma. Passei muito por isso, principalmente no começo.
Existe MUITO abuso psicológico por parte de cafetinas/cafetoes/donas e donos de casa. Não estou generalizando, pois tive o prazer de trabalhar com gente legal também, mas a grande maioria olha a garota apenas como um produto. Certa vez até vi uma cafetina discutindo com outra a respeito de uma menina, e a chamando de "material de trabalho". Esse jeito de falar chega a me dar nojo. Chamar um ser humano de MATERIAL DE TRABALHO. Vá carpir um terreno!!!
Quando comecei a trabalhar, acabei indo morar na zona por alguns meses. Eu trabalhava da hora que acordava até a hora da casa fechar. A dona não me obrigava, claro, mas se eu saísse para almoçar e demorasse um pouco mais, era cara feia e clima ruim na certa. Então eu tentava evitar - já que só o fato de trabalhar lá já era bem estressante.
Ela fazia reuniões, onde nos dizia que tínhamos que nos esforçar mais, atender melhor, etc etc etc. Nunca estava bom, nunca era o suficiente. Se estávamos com algum problema, foda-se! Tinha que chegar lá, trabalhar e render. Se faltasse, ela ameaçava dar multa ou não deixar mais trabalhar.
Certa época ela disse que iria quebrar nossos celulares, e começou a nos proibir de fazer comida na casa. Quem quisesse, que pedisse lanche.
Também tínhamos que servir os clientes do bar e lavar os copos, sem ganhar nada por isso!
Enquanto a gente se matava a trabalhar, ela se trancava no quarto dela e roncava. Sempre nos lembrando que a casa era cheia de câmeras e que saberia se alguém tentasse "passar a perna" nela.
Palpitava horrores sobre nossa vida pessoal. Quando aluguei um lugar para morar, passei a ir trabalhar só no horário da noite. Queria ficar mais perto da minha filha, e ela dizia que eu devia trabalhar mais, pois o importante era ter dinheiro e garantir o futuro da minha pequena ao invés de ficar em casa. Oi? Pra mim, minha presença de mãe é mais importante do que qualquer cifrão!
E quando conheci uma pessoa - fora da zona - e me envolvi? Eu era chamada de vagabunda, pois preferia estar dando de graça do que estar lá. Na verdade eu estava apenas vivendo minha vida pessoal. Direito de todos, ne?
Quando alguma de nós reclamava, a resposta dela era a mesma:
-Menina pra trabalhar é o que mais tem.
Uma vez ela expulsou uma menina aos berros, jogando as coisas dela todas no meio da rua. Tudo isso porque o namorado/noivo/sei lá da garota, estava na cidade e ela precisava ir embora.
Com o tempo fui ficando mais esperta, e não deixei mais nenhuma cafetina/cafetao tomar tanta liberdade.
Já vi cafetina explorar menina pedindo pra ela limpar, lavar banheiro, e tudo mais. Pera aí! Se tá ganhando em cima do programa, o MÍNIMO que tem que fazer é manter um local limpo para as garotas trabalharem.
Reclamam se a garota fica doente. Se está abalada psicologicamente, é frescura! E assim o abuso vai acontecendo...
Como falei, não generalizo. Sempre existem pessoas legais, e outras nem tanto. Mas na maioria das vezes, a relação acaba quando cortamos laços profissionais. Sabe aquela velha história de "acabou o dinheiro, acabou a amizade"? É bem por aí!
Lenocínio é uma prática criminosa que consiste em explorar o comércio carnal alheio, sob qualquer forma ou aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro (cafetinagem). No Brasil é crime segundo os Artigos 227 a 230 do Código Penal e não se confunde com prostituição.
Existe MUITO abuso psicológico por parte de cafetinas/cafetoes/donas e donos de casa. Não estou generalizando, pois tive o prazer de trabalhar com gente legal também, mas a grande maioria olha a garota apenas como um produto. Certa vez até vi uma cafetina discutindo com outra a respeito de uma menina, e a chamando de "material de trabalho". Esse jeito de falar chega a me dar nojo. Chamar um ser humano de MATERIAL DE TRABALHO. Vá carpir um terreno!!!
Quando comecei a trabalhar, acabei indo morar na zona por alguns meses. Eu trabalhava da hora que acordava até a hora da casa fechar. A dona não me obrigava, claro, mas se eu saísse para almoçar e demorasse um pouco mais, era cara feia e clima ruim na certa. Então eu tentava evitar - já que só o fato de trabalhar lá já era bem estressante.
Ela fazia reuniões, onde nos dizia que tínhamos que nos esforçar mais, atender melhor, etc etc etc. Nunca estava bom, nunca era o suficiente. Se estávamos com algum problema, foda-se! Tinha que chegar lá, trabalhar e render. Se faltasse, ela ameaçava dar multa ou não deixar mais trabalhar.
Certa época ela disse que iria quebrar nossos celulares, e começou a nos proibir de fazer comida na casa. Quem quisesse, que pedisse lanche.
Também tínhamos que servir os clientes do bar e lavar os copos, sem ganhar nada por isso!
Enquanto a gente se matava a trabalhar, ela se trancava no quarto dela e roncava. Sempre nos lembrando que a casa era cheia de câmeras e que saberia se alguém tentasse "passar a perna" nela.
Palpitava horrores sobre nossa vida pessoal. Quando aluguei um lugar para morar, passei a ir trabalhar só no horário da noite. Queria ficar mais perto da minha filha, e ela dizia que eu devia trabalhar mais, pois o importante era ter dinheiro e garantir o futuro da minha pequena ao invés de ficar em casa. Oi? Pra mim, minha presença de mãe é mais importante do que qualquer cifrão!
E quando conheci uma pessoa - fora da zona - e me envolvi? Eu era chamada de vagabunda, pois preferia estar dando de graça do que estar lá. Na verdade eu estava apenas vivendo minha vida pessoal. Direito de todos, ne?
Quando alguma de nós reclamava, a resposta dela era a mesma:
-Menina pra trabalhar é o que mais tem.
Uma vez ela expulsou uma menina aos berros, jogando as coisas dela todas no meio da rua. Tudo isso porque o namorado/noivo/sei lá da garota, estava na cidade e ela precisava ir embora.
Com o tempo fui ficando mais esperta, e não deixei mais nenhuma cafetina/cafetao tomar tanta liberdade.
Já vi cafetina explorar menina pedindo pra ela limpar, lavar banheiro, e tudo mais. Pera aí! Se tá ganhando em cima do programa, o MÍNIMO que tem que fazer é manter um local limpo para as garotas trabalharem.
Reclamam se a garota fica doente. Se está abalada psicologicamente, é frescura! E assim o abuso vai acontecendo...
Como falei, não generalizo. Sempre existem pessoas legais, e outras nem tanto. Mas na maioria das vezes, a relação acaba quando cortamos laços profissionais. Sabe aquela velha história de "acabou o dinheiro, acabou a amizade"? É bem por aí!
Lenocínio é uma prática criminosa que consiste em explorar o comércio carnal alheio, sob qualquer forma ou aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro (cafetinagem). No Brasil é crime segundo os Artigos 227 a 230 do Código Penal e não se confunde com prostituição.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Adeus Ano Velho
De repente, é Janeiro outra vez. O Natal se foi, o Reveillon também - parece faltar uma eternidade para as próximas festas.
Mas que nada, passa tão rápido! Passa num piscar de olhos, como 2015 passou.
2016 está aí. Novinho em folha, para que os planos sejam colocados em prática.
Não espere muito para fazer as coisas que tem vontade. Não aguarde momentos especiais para demonstrar carinho. Não fique esperando algo acontecer para ser feliz. Todo dia é dia, toda hora é hora.
Vejo pessoas que estão sempre esperando algo.
"Quando eu comprar um carro, vou ser feliz", ou casa, celular, bolsa nova.
"Quando eu emagrecer vou ficar satisfeito", ou engordar, ou colocar megahair, ou... Enfim!
Parece que estão sempre esperando algo, correndo atrás de coisas para ficarem realmente satisfeitos.
Nada mais justo (e certo) do que correr atrás dos nossos objetivos. Mas não espere para que a felicidade faça parte do seu dia-a-dia.
Tá sem dinheiro? Economize.
Tá gordo? Emagreça.
Tá insatisfeito com o casamento? Resolva.
Ficar reclamando não adianta nada. Não resolve, e deixa sua energia péssima.
Talvez as coisas não tenham saído como esperado. Faz parte! Mas tente olhar o lado positivo de cada situação. Sempre há motivos para sorrir!
2015 não foi exatamente do jeito que planejei. Mas foi um ano de mudanças, e pra melhor. Posso dizer que a vida realmente me surpreendeu. Tive dias bons e ruins, como qualquer outra pessoa, mas no final das contas o saldo foi super positivo. Estou orgulhosa de mim mesma pelas coisas que consegui até aqui. Só eu sei o valor de cada conquista. 2015 também foi o ano que eu realmente decidi e defini o que quero para minha vida daqui pra frente. Claro que o futuro a Deus pertence, mas hoje sei exatamente o que quero pra mim.
2016 chegou, e estou mais focada que nunca nos meus objetivos. Não sei o que me aguarda nesse ano, mas sei que muita coisa vai acontecer no decorrer desses próximos meses. Peço a Deus somente força, foco e saúde.
Que 2016 seja um ano de conquistas, de alegrias, de gratidão, para todos nós!
Feliz ano novo!!
Mas que nada, passa tão rápido! Passa num piscar de olhos, como 2015 passou.
2016 está aí. Novinho em folha, para que os planos sejam colocados em prática.
Não espere muito para fazer as coisas que tem vontade. Não aguarde momentos especiais para demonstrar carinho. Não fique esperando algo acontecer para ser feliz. Todo dia é dia, toda hora é hora.
Vejo pessoas que estão sempre esperando algo.
"Quando eu comprar um carro, vou ser feliz", ou casa, celular, bolsa nova.
"Quando eu emagrecer vou ficar satisfeito", ou engordar, ou colocar megahair, ou... Enfim!
Parece que estão sempre esperando algo, correndo atrás de coisas para ficarem realmente satisfeitos.
Nada mais justo (e certo) do que correr atrás dos nossos objetivos. Mas não espere para que a felicidade faça parte do seu dia-a-dia.
Tá sem dinheiro? Economize.
Tá gordo? Emagreça.
Tá insatisfeito com o casamento? Resolva.
Ficar reclamando não adianta nada. Não resolve, e deixa sua energia péssima.
Talvez as coisas não tenham saído como esperado. Faz parte! Mas tente olhar o lado positivo de cada situação. Sempre há motivos para sorrir!
2015 não foi exatamente do jeito que planejei. Mas foi um ano de mudanças, e pra melhor. Posso dizer que a vida realmente me surpreendeu. Tive dias bons e ruins, como qualquer outra pessoa, mas no final das contas o saldo foi super positivo. Estou orgulhosa de mim mesma pelas coisas que consegui até aqui. Só eu sei o valor de cada conquista. 2015 também foi o ano que eu realmente decidi e defini o que quero para minha vida daqui pra frente. Claro que o futuro a Deus pertence, mas hoje sei exatamente o que quero pra mim.
2016 chegou, e estou mais focada que nunca nos meus objetivos. Não sei o que me aguarda nesse ano, mas sei que muita coisa vai acontecer no decorrer desses próximos meses. Peço a Deus somente força, foco e saúde.
Que 2016 seja um ano de conquistas, de alegrias, de gratidão, para todos nós!
Feliz ano novo!!
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Crime Passional
Há pouco mais de dois anos atrás, conheci uma pessoa que demonstrava gostar muito de mim. Estava sempre por perto, e fazia todas minhas vontades. Eu, que na época andava carente demais me sentia desejada e amada por ele. A carência é um perigo, nos faz enxergar amor onde não existe, e nos deixa feliz com qualquer migalha.
Ele vivia dizendo que era louco por mim, mas eu não imaginava o tamanho dessa loucura.
Fomos morar juntos.
Com o passar dos meses, o ciúme começou me incomodar. Quando não estávamos juntos ele me ligava o tempo todo, comecei a me sentir sufocada, e eu já não me sentia a vontade para conversar com meus amigos e conhecidos na presença dele.
Resolvi terminar. Ele entrou em desespero, começou a chorar, implorar, quebrou um espelho e se cortou todo. Senti pena - e esse é o pior sentimento que podemos ter por alguém - passei a madrugada cuidando dos cortes que ele mesmo fez, e mudei de idéia. Sentamos, conversamos e ele prometeu mudar.
Mas não mudou. O ciúme continuava me incomodando, eu não podia conversar direito com ele sobre as coisas que eu pensava pois tudo o irritava e o "machucava".
Segunda tentativa de terminar, e ele tentou se enforcar. Até hoje penso que eu deveria ter deixado, mas mais uma vez senti pena e voltei atrás.
Alguns meses de sossego, e percebi que realmente não ia dar certo. Ele começou a mostrar sinais de agressividade, agora comigo. Volta e meia me empurrava ou apertava meus braços, que viviam roxos. E eu sempre inventado desculpas para justificar para quem perguntava. Perdoando, cedendo ao desespero e amor que ele demonstrava depois das agressões.
Psicopatas que agridem mulheres muitas vezes fazem as vítimas se sentirem culpadas pelo comportamento deles, e eu muitas vezes cheguei a me perguntar se não estava sendo uma boa mulher pra ele.
Nossa vida seguia "normal". Fazíamos tudo juntos, ninguém saía sozinho, ele me levava e me buscava no serviço. Mas eu realmente já não estava a vontade na relação, e um misto de medo e pena não me deixavam dar um passo a frente. Um dia falei que queria me matricular na academia, e ele surtou.
"Como assim? Mulher minha não vai ficar de calça apertada para os outros marmanjos ficarem olhando!"
Engoli seco. Não aguentava mais. Quer dizer que eu não poderia fazer as coisas que tenho vontade, por causa do ciúme dele?
Comecei a arrumar minhas coisas - mesmo sem saber pra onde ir.
Falei que estava cansada, que queria viver e com ele não dava.
Ele pegou uma vassoura e começou a bater na parede.
"VOCÊ BRINCOU COM MEUS SENTIMENTOS!"
Veio pra cima de mim. Me batia, chutava, dava socos. Foi tão de repente que não tive reação.
Foram horas de desespero. Naquela noite, pensei realmente que ele iria me matar. Cada vez que eu tentava levantar, levava mais um golpe. Ele pegou um facão, e ficava parado na porta impedindo minha saída. Duas vezes consegui correr para o meio da rua e ele me arrastava novamente. Gritei, chorei, pedi socorro, e ninguém foi capaz de ajudar. Nenhum vizinho! Ninguém, nem mesmo para acionar a Polícia!
Parecia que aquele pesadelo não iria acabar. Eu me arrependia amargamente das vezes que o perdoei. Pensava na minha filha, e achei que não a veria mais.
Me encolhi em um canto da cama, e mesmo assim não foi suficiente para acalmar a fúria dele. Me xingava de tudo, jogava coisas em mim, objetos, facas e garfos. Em dois momentos desmaiei, e acordei com ele jogando água gelada e me agredindo mais ainda.
Não lembro de todas as cenas. Alguns flashes. Acordava, apagava novamente, ele parecia se acalmar e em seguida a fúria voltava.
Senti cheiro de queimado. Ele colocou fogo em quase todas as minhas coisas, fiquei apenas com algumas peças de roupa e algumas poucas coisas que se salvaram. Ele era tão estúpido, tão cruel, tão monstro, que dizia que iria se matar com remédios como minha mãe fez. Nessa hora eu torcia para que ele fizesse isso mesmo.
De manhã, ele resolveu sair. Dizia que se eu falasse algo, iria me queimar e colocar um cadeado na minha boca.
Fiquei sem saber o que fazer. Machucada, sangrando , em choque.
Mesmo depois que tudo passou, ele ainda me incomodava. Me mudei 2 vezes, pois ele me achava e ia fazer escândalo na minha porta de madrugada. Até que fiz uma medida protetiva, comecei a trabalhar na casa de massagem e me mudei pra lá. Ele acabou mudando de cidade, foi preso por outros motivos (mas soube que já está solto novamente). Nunca mais o vi... Mas hoje, se o encontrasse, não baixaria minha cabeça. Ele se tornou tão insignificante, que raramente aparece nos meus pesadelos (antes era frequente).
Muitos podem dizer que tive culpa, que deixei chegar nesse ponto. Mas só quem vive uma relação abusiva sabe o tormento que é, e como é difícil se livrar. E quando não se tem pra onde correr, como era minha situação, se torna ainda mais difícil.
Posso dizer que demorei pra me recuperar de tudo. Mas dei a volta por cima.
Resolvi expor essa história aqui pois sei que assim como eu, muitas mulheres passam ou já passaram por situações assim, ou parecidas. E deixo aqui meu alerta: não façam como eu, que paguei para ver, que não acreditei que a pessoa que tanto dizia me amar iria ser capaz de quase me matar.
O que começa com um tapa, empurrão ou puxão de cabelo pode se tornar uma grande tragédia.
O amor não é feito de palavras e sim de atitudes.
Quem ama não machuca, não ameaça, não bate.
Simples assim!
Ele vivia dizendo que era louco por mim, mas eu não imaginava o tamanho dessa loucura.
Fomos morar juntos.
Com o passar dos meses, o ciúme começou me incomodar. Quando não estávamos juntos ele me ligava o tempo todo, comecei a me sentir sufocada, e eu já não me sentia a vontade para conversar com meus amigos e conhecidos na presença dele.
Resolvi terminar. Ele entrou em desespero, começou a chorar, implorar, quebrou um espelho e se cortou todo. Senti pena - e esse é o pior sentimento que podemos ter por alguém - passei a madrugada cuidando dos cortes que ele mesmo fez, e mudei de idéia. Sentamos, conversamos e ele prometeu mudar.
Mas não mudou. O ciúme continuava me incomodando, eu não podia conversar direito com ele sobre as coisas que eu pensava pois tudo o irritava e o "machucava".
Segunda tentativa de terminar, e ele tentou se enforcar. Até hoje penso que eu deveria ter deixado, mas mais uma vez senti pena e voltei atrás.
Alguns meses de sossego, e percebi que realmente não ia dar certo. Ele começou a mostrar sinais de agressividade, agora comigo. Volta e meia me empurrava ou apertava meus braços, que viviam roxos. E eu sempre inventado desculpas para justificar para quem perguntava. Perdoando, cedendo ao desespero e amor que ele demonstrava depois das agressões.
Psicopatas que agridem mulheres muitas vezes fazem as vítimas se sentirem culpadas pelo comportamento deles, e eu muitas vezes cheguei a me perguntar se não estava sendo uma boa mulher pra ele.
Nossa vida seguia "normal". Fazíamos tudo juntos, ninguém saía sozinho, ele me levava e me buscava no serviço. Mas eu realmente já não estava a vontade na relação, e um misto de medo e pena não me deixavam dar um passo a frente. Um dia falei que queria me matricular na academia, e ele surtou.
"Como assim? Mulher minha não vai ficar de calça apertada para os outros marmanjos ficarem olhando!"
Engoli seco. Não aguentava mais. Quer dizer que eu não poderia fazer as coisas que tenho vontade, por causa do ciúme dele?
Comecei a arrumar minhas coisas - mesmo sem saber pra onde ir.
Falei que estava cansada, que queria viver e com ele não dava.
Ele pegou uma vassoura e começou a bater na parede.
"VOCÊ BRINCOU COM MEUS SENTIMENTOS!"
Veio pra cima de mim. Me batia, chutava, dava socos. Foi tão de repente que não tive reação.
Foram horas de desespero. Naquela noite, pensei realmente que ele iria me matar. Cada vez que eu tentava levantar, levava mais um golpe. Ele pegou um facão, e ficava parado na porta impedindo minha saída. Duas vezes consegui correr para o meio da rua e ele me arrastava novamente. Gritei, chorei, pedi socorro, e ninguém foi capaz de ajudar. Nenhum vizinho! Ninguém, nem mesmo para acionar a Polícia!
Parecia que aquele pesadelo não iria acabar. Eu me arrependia amargamente das vezes que o perdoei. Pensava na minha filha, e achei que não a veria mais.
Me encolhi em um canto da cama, e mesmo assim não foi suficiente para acalmar a fúria dele. Me xingava de tudo, jogava coisas em mim, objetos, facas e garfos. Em dois momentos desmaiei, e acordei com ele jogando água gelada e me agredindo mais ainda.
Não lembro de todas as cenas. Alguns flashes. Acordava, apagava novamente, ele parecia se acalmar e em seguida a fúria voltava.
Senti cheiro de queimado. Ele colocou fogo em quase todas as minhas coisas, fiquei apenas com algumas peças de roupa e algumas poucas coisas que se salvaram. Ele era tão estúpido, tão cruel, tão monstro, que dizia que iria se matar com remédios como minha mãe fez. Nessa hora eu torcia para que ele fizesse isso mesmo.
De manhã, ele resolveu sair. Dizia que se eu falasse algo, iria me queimar e colocar um cadeado na minha boca.
Fiquei sem saber o que fazer. Machucada, sangrando , em choque.
Mesmo depois que tudo passou, ele ainda me incomodava. Me mudei 2 vezes, pois ele me achava e ia fazer escândalo na minha porta de madrugada. Até que fiz uma medida protetiva, comecei a trabalhar na casa de massagem e me mudei pra lá. Ele acabou mudando de cidade, foi preso por outros motivos (mas soube que já está solto novamente). Nunca mais o vi... Mas hoje, se o encontrasse, não baixaria minha cabeça. Ele se tornou tão insignificante, que raramente aparece nos meus pesadelos (antes era frequente).
Muitos podem dizer que tive culpa, que deixei chegar nesse ponto. Mas só quem vive uma relação abusiva sabe o tormento que é, e como é difícil se livrar. E quando não se tem pra onde correr, como era minha situação, se torna ainda mais difícil.
Posso dizer que demorei pra me recuperar de tudo. Mas dei a volta por cima.
Resolvi expor essa história aqui pois sei que assim como eu, muitas mulheres passam ou já passaram por situações assim, ou parecidas. E deixo aqui meu alerta: não façam como eu, que paguei para ver, que não acreditei que a pessoa que tanto dizia me amar iria ser capaz de quase me matar.
O que começa com um tapa, empurrão ou puxão de cabelo pode se tornar uma grande tragédia.
O amor não é feito de palavras e sim de atitudes.
Quem ama não machuca, não ameaça, não bate.
Simples assim!
domingo, 11 de outubro de 2015
12 Meses
Eu nunca me imaginei sendo garota de programa. Nunca sonhei com isso, mas aconteceu.
A vida tomou rumos, eu fiz escolhas, e um dia decidi fazer sexo em troca de dinheiro. Alugar meu próprio corpo para o prazer alheio.
Já faz um ano que fiz essa escolha, e sinto que continuo sendo a mesma pessoa. Na verdade a mesma pessoa, porém mais experiente, focada, e segura de mim mesma e do que eu quero da minha vida.
Acho engraçado como tudo acaba se tornando rotineiro. Hoje, não é qualquer coisa que me impressiona e de certo modo muitas coisas se tornaram normais pra mim.
Quase tudo que li, vi e ouvi sobre garotas de programa antes de entrar nessa, era verdade: são mulheres normais, que tem sonhos, filhos e familia (em sua maioria), corajosas, de personalidade forte. Existem clientes de tudo que é tipo, que nos procuram pelos mais diversos motivos (nem sempre querem SÓ transar), vemos e ouvimos as intimidades mais bizarras que se pode imaginar. Corremos riscos, ganhamos mais dinheiro do que em muitas outras profissões, temos contato com vários tipos de pessoas e situações. Já vivi tanta coisa, que nem parece que faz apenas 1 ano que bati na porta da primeira zona, suando frio e cheia de dúvidas.
Hoje me sinto um tanto experiente e o mundo da prostituição não tem mais mistérios pra mim.
Não me orgulho da minha profissão. Mas tenho orgulho da mulher que me tornei. Sou guerreira e digna, pois eu trabalho e corro atrás das coisas que quero. Não me aproveito de ninguém, todos os homens que me procuram sabem que serão clientes, ou seja, que precisam pagar pelo meu serviço.
No mais, me considero uma boa mãe, e companheira. Pago minhas contas, tenho responsabilidades, e não encho o saco e nem me meto na vida de ninguém!
Sei que agora, para conquistar as coisas que quero, é só uma questão de tempo. Tem horas que não sei se vou aguentar, mas não esqueço dos motivos que me encorajaram a começar. E já que aguentei até aqui, vou até o final!
A vida tomou rumos, eu fiz escolhas, e um dia decidi fazer sexo em troca de dinheiro. Alugar meu próprio corpo para o prazer alheio.
Já faz um ano que fiz essa escolha, e sinto que continuo sendo a mesma pessoa. Na verdade a mesma pessoa, porém mais experiente, focada, e segura de mim mesma e do que eu quero da minha vida.
Acho engraçado como tudo acaba se tornando rotineiro. Hoje, não é qualquer coisa que me impressiona e de certo modo muitas coisas se tornaram normais pra mim.
Quase tudo que li, vi e ouvi sobre garotas de programa antes de entrar nessa, era verdade: são mulheres normais, que tem sonhos, filhos e familia (em sua maioria), corajosas, de personalidade forte. Existem clientes de tudo que é tipo, que nos procuram pelos mais diversos motivos (nem sempre querem SÓ transar), vemos e ouvimos as intimidades mais bizarras que se pode imaginar. Corremos riscos, ganhamos mais dinheiro do que em muitas outras profissões, temos contato com vários tipos de pessoas e situações. Já vivi tanta coisa, que nem parece que faz apenas 1 ano que bati na porta da primeira zona, suando frio e cheia de dúvidas.
Hoje me sinto um tanto experiente e o mundo da prostituição não tem mais mistérios pra mim.
Não me orgulho da minha profissão. Mas tenho orgulho da mulher que me tornei. Sou guerreira e digna, pois eu trabalho e corro atrás das coisas que quero. Não me aproveito de ninguém, todos os homens que me procuram sabem que serão clientes, ou seja, que precisam pagar pelo meu serviço.
No mais, me considero uma boa mãe, e companheira. Pago minhas contas, tenho responsabilidades, e não encho o saco e nem me meto na vida de ninguém!
Sei que agora, para conquistar as coisas que quero, é só uma questão de tempo. Tem horas que não sei se vou aguentar, mas não esqueço dos motivos que me encorajaram a começar. E já que aguentei até aqui, vou até o final!
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
A Saga Por Uma Casa
Esse post é continuação desse aqui
Fiz uma lista com mais ou menos 15 casas de massagem em Florianópolis, e na manhã seguinte comecei a ligar perguntando se precisava de menina para trabalhar.
Fui fazer um teste em um privê, durante o dia. Ao chegar lá, se tratava de uma sala comercial. Embaixo era a recepção, e em cima os quartos. A maioria das cafetinas não informa o valor do programa por telefone. Quando cheguei lá quase caí pra trás: R$50 meia hora! Ou seja, R$25 para a menina, e R$25 para a casa. Puta que pariu, é muito pouco! O problema é que eu não tinha nenhum plano B, já era meio da tarde e não tinha combinado de ir conhecer nenhuma outra casa. Já estava ali, e até a noite anterior estava dando por R$35, então fiquei só pra não perder a viagem, mas já tinha certeza que não iria ficar lá de jeito nenhum. A higiene era precária, os lençóis não eram trocados entre um programa e outro, havia um certo fluxo de clientes na casa já que trabalhavam umas 6 meninas, e somente um banheiro para todos - um caos! Acho inclusive que as toalhas eram colocadas somente no sol para secar, e guardadas novamente, pois algumas tinham um cheiro muito forte. Fiz uns programas e tchau!
Resolvi conhecer outro lado da noite, as boates. Nunca havia entrado em uma, só ouvia falar muito. Trabalhei alguns dias no Bokarra, uma boate grande e bem conhecida aqui em Florianópolis. E depois conheci a Doce Veneno Cafe, onde fiquei alguns meses trabalhando.
Existe uma grande diferença entre trabalhar em casa de massagem (ou agência, privê) e boate. Geralmente nas casas de massagem não tem muita enrolação, o negócio é bem direto: o cliente chega, vê as meninas disponíveis, escolhe uma e vai pro quarto.
Em boate o negócio já é bem mais lucrativo, porém muito mais trabalhoso, pois você precisa caçar o cliente rsrs. Tem que conversar, beber, praticamente "convencê-lo" de fazer um programa com você. Sem falar que existirão outras tantas mulheres fazendo o mesmo (principalmente em dias de movimento fraco).
Geralmente existe um valor mínimo para o programa (estipulado pela boate), e as meninas negociam com o cliente. Já fiz programa de 40 minutos por R$400 (40 minutos leia-se 40 minutos dentro do quarto, pois até eu e o cliente tomar banho, conversar um pouco, rolava no máximo 15, 20 minutos de sexo...), e já vi casos em que rola até mais. Tem também o lance das bebidas, pois as meninas ganham comissão sobre os drinks.
Consegui ficar nessa rotina de boate durante alguns meses, ganhei bem, comecei a fazer show de strip, conheci ótimos clientes e colegas de trabalho. Mas confesso que é extremamente cansativo. Aquela disputa de vaidades, de clientes, o cansaço. Muito agito, muita bebida também. No outro dia estava destruída, e as vezes até meio depressiva. Mas é o preço que se paga para ganhar um bom dinheiro na noite.
Com o tempo acabamos virando "zumbis", e esquecendo como é bom ter uma rotina diurna (bom, pelo menos para mim é bem melhor). Foi esse motivo que me levou a trabalhar de dia, somente por anúncio, e está sendo muito melhor assim, pois como já falei por aqui, paz de espírito é tudo. Se eu não estiver de bem com a vida, de bem comigo mesma e com minha rotina, jamais vou conseguir trabalhar legal.
Fiz uma lista com mais ou menos 15 casas de massagem em Florianópolis, e na manhã seguinte comecei a ligar perguntando se precisava de menina para trabalhar.
Fui fazer um teste em um privê, durante o dia. Ao chegar lá, se tratava de uma sala comercial. Embaixo era a recepção, e em cima os quartos. A maioria das cafetinas não informa o valor do programa por telefone. Quando cheguei lá quase caí pra trás: R$50 meia hora! Ou seja, R$25 para a menina, e R$25 para a casa. Puta que pariu, é muito pouco! O problema é que eu não tinha nenhum plano B, já era meio da tarde e não tinha combinado de ir conhecer nenhuma outra casa. Já estava ali, e até a noite anterior estava dando por R$35, então fiquei só pra não perder a viagem, mas já tinha certeza que não iria ficar lá de jeito nenhum. A higiene era precária, os lençóis não eram trocados entre um programa e outro, havia um certo fluxo de clientes na casa já que trabalhavam umas 6 meninas, e somente um banheiro para todos - um caos! Acho inclusive que as toalhas eram colocadas somente no sol para secar, e guardadas novamente, pois algumas tinham um cheiro muito forte. Fiz uns programas e tchau!
Resolvi conhecer outro lado da noite, as boates. Nunca havia entrado em uma, só ouvia falar muito. Trabalhei alguns dias no Bokarra, uma boate grande e bem conhecida aqui em Florianópolis. E depois conheci a Doce Veneno Cafe, onde fiquei alguns meses trabalhando.
Existe uma grande diferença entre trabalhar em casa de massagem (ou agência, privê) e boate. Geralmente nas casas de massagem não tem muita enrolação, o negócio é bem direto: o cliente chega, vê as meninas disponíveis, escolhe uma e vai pro quarto.
Em boate o negócio já é bem mais lucrativo, porém muito mais trabalhoso, pois você precisa caçar o cliente rsrs. Tem que conversar, beber, praticamente "convencê-lo" de fazer um programa com você. Sem falar que existirão outras tantas mulheres fazendo o mesmo (principalmente em dias de movimento fraco).
Geralmente existe um valor mínimo para o programa (estipulado pela boate), e as meninas negociam com o cliente. Já fiz programa de 40 minutos por R$400 (40 minutos leia-se 40 minutos dentro do quarto, pois até eu e o cliente tomar banho, conversar um pouco, rolava no máximo 15, 20 minutos de sexo...), e já vi casos em que rola até mais. Tem também o lance das bebidas, pois as meninas ganham comissão sobre os drinks.
Consegui ficar nessa rotina de boate durante alguns meses, ganhei bem, comecei a fazer show de strip, conheci ótimos clientes e colegas de trabalho. Mas confesso que é extremamente cansativo. Aquela disputa de vaidades, de clientes, o cansaço. Muito agito, muita bebida também. No outro dia estava destruída, e as vezes até meio depressiva. Mas é o preço que se paga para ganhar um bom dinheiro na noite.
Com o tempo acabamos virando "zumbis", e esquecendo como é bom ter uma rotina diurna (bom, pelo menos para mim é bem melhor). Foi esse motivo que me levou a trabalhar de dia, somente por anúncio, e está sendo muito melhor assim, pois como já falei por aqui, paz de espírito é tudo. Se eu não estiver de bem com a vida, de bem comigo mesma e com minha rotina, jamais vou conseguir trabalhar legal.
A Zona É Uma Escola
Esse post é uma continuação desse aqui
Fiquei uns 4 meses trabalhando nesse "privê" de R$70. Hoje tenho noção de que não era lugar pra mim. Nada contra, mas o jeito como eu era tratada e o pouco que ganhava por programa, era desgastante demais. Acho que quando uma mulher entra nessa, deve se valorizar ainda mais. Afinal não estamos trocando uma lâmpada, ou dando banho num cachorro, mas expondo a nossa intimidade de uma forma imensurável, e passando por uma situação que não é fácil: fazendo sexo com uma pessoa que nunca vimos na vida.
Pra chupar pinto, trepar, deixar ser tocada, lambida, virada de bruço, de frente, de costas... No mínimo precisamos ser bem recompensadas!
Mas enfim, como eu não conhecia nada sobre a prostituição ainda, fiquei trabalhando ali por esse período. E apesar de não ter sido nada fácil, aprendi muito naqueles meses. Quando cheguei lá achei que sabia muita coisa sobre a vida e que tinha muita experiência sobre sexo. Hahaha! Como eu era inocente. A zona foi uma escola pra mim. Aprendi muito sobre as pessoas, sobre os homens, e principalmente sobre mim mesma... E sexo é claro! Quando fazer sexo com uma mulher custa apenas R$70, dá pra ter uma idéia de tudo que vemos pela frente. Também esbarrei com histórias de muitas meninas diferentes, e admiráveis.
Apesar de receber pouco pelo programa, eu trabalhava muito bem nessa casa. Nesse período aluguei um apartamento, trouxe minha filha pra morar comigo, pagava babá, creche, e me mantinha bem sozinha. Não sobrava muito dinheiro, mas pelo menos consegui algum avanço tendo em vista o jeito que eu estava quando entrei nessa vida.
Mas eu já não aguentava mais trabalhar naquele lugar. Era estressante, cansativo, e eu já tinha noção de que ganhar R$35 era realmente muito pouco para uma transa de meia hora (meia hora de programa = R$70 sendo que 50% para menina e 50% para a casa). Mal conseguia olhar para a cara da dona, e apesar de me dar muito bem com as outras 4 meninas que trabalhavam lá, um dia cheguei ao limite, discuti com a dita cafetina, me revoltei, peguei minhas coisas e resolvi ir embora. Chamei um taxi, peguei o pouco dinheiro que tinha na casa e fui!
Cheguei em casa e fiquei pensando o que iria fazer... Não conhecia mais nenhum lugar para trabalhar, tinha apenas R$250 na carteira e na semana seguinte precisava pagar aluguel e a babá. Comecei a busca na internet de novo, e entrando no site GP Guia fiz uma lista de várias casas (casas de massagem e privês) em Florianópolis para começar a ligar no dia seguinte...
Fiquei uns 4 meses trabalhando nesse "privê" de R$70. Hoje tenho noção de que não era lugar pra mim. Nada contra, mas o jeito como eu era tratada e o pouco que ganhava por programa, era desgastante demais. Acho que quando uma mulher entra nessa, deve se valorizar ainda mais. Afinal não estamos trocando uma lâmpada, ou dando banho num cachorro, mas expondo a nossa intimidade de uma forma imensurável, e passando por uma situação que não é fácil: fazendo sexo com uma pessoa que nunca vimos na vida.
Pra chupar pinto, trepar, deixar ser tocada, lambida, virada de bruço, de frente, de costas... No mínimo precisamos ser bem recompensadas!
Mas enfim, como eu não conhecia nada sobre a prostituição ainda, fiquei trabalhando ali por esse período. E apesar de não ter sido nada fácil, aprendi muito naqueles meses. Quando cheguei lá achei que sabia muita coisa sobre a vida e que tinha muita experiência sobre sexo. Hahaha! Como eu era inocente. A zona foi uma escola pra mim. Aprendi muito sobre as pessoas, sobre os homens, e principalmente sobre mim mesma... E sexo é claro! Quando fazer sexo com uma mulher custa apenas R$70, dá pra ter uma idéia de tudo que vemos pela frente. Também esbarrei com histórias de muitas meninas diferentes, e admiráveis.
Apesar de receber pouco pelo programa, eu trabalhava muito bem nessa casa. Nesse período aluguei um apartamento, trouxe minha filha pra morar comigo, pagava babá, creche, e me mantinha bem sozinha. Não sobrava muito dinheiro, mas pelo menos consegui algum avanço tendo em vista o jeito que eu estava quando entrei nessa vida.
Mas eu já não aguentava mais trabalhar naquele lugar. Era estressante, cansativo, e eu já tinha noção de que ganhar R$35 era realmente muito pouco para uma transa de meia hora (meia hora de programa = R$70 sendo que 50% para menina e 50% para a casa). Mal conseguia olhar para a cara da dona, e apesar de me dar muito bem com as outras 4 meninas que trabalhavam lá, um dia cheguei ao limite, discuti com a dita cafetina, me revoltei, peguei minhas coisas e resolvi ir embora. Chamei um taxi, peguei o pouco dinheiro que tinha na casa e fui!
Cheguei em casa e fiquei pensando o que iria fazer... Não conhecia mais nenhum lugar para trabalhar, tinha apenas R$250 na carteira e na semana seguinte precisava pagar aluguel e a babá. Comecei a busca na internet de novo, e entrando no site GP Guia fiz uma lista de várias casas (casas de massagem e privês) em Florianópolis para começar a ligar no dia seguinte...
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Continuando o Desabafo
Esse post é continuação desse aqui...
(Continuando...)
Os anos passaram, eu recebi uma boa herança, gastei tudo em 3 meses com drogas e "balada". O que a falta de estrutura e conselhos não faz né? Tinha vários "amigos" ao redor, fazendo festa, cheirando muito, minha "casa" vivia cheia. O dinheiro acabou, e as ditas "amizades" também!
Quando conheci o pai da minha filha, logo quis engravidar. Meu sonho era ter um bebê. Mal pensei se tinha condições pra isso, mas queria um filho, alguém sangue do meu sangue, sabe?
No fim da gravidez resolvi procurar a família da minha mãe, tentar me reaproximar de alguma forma. Falei que estava grávida, e até cheguei a conversar por telefone com minhas tias. Mas a verdade é que eu tinha vergonha de falar que as coisas não estavam bem, que eu não tinha condições financeiras, e que meu "marido" era agressivo, e eu fingia que estava tudo bem para eles. Quando minha filha já tinha alguns meses resolvi falar a verdade, e pedir ajuda. Talvez fosse "cara de pau" minha, mas eu realmente não tinha pra "onde correr", não queria mais ficar com o pai da minha filha, mas não tinha para onde ir. Resolvi pedir para a família, mas a resposta foi negativa. Minha tia falou algo como "ué, você disse que estava tudo bem... seus avós já são velhos e não temos como abrigar você com um bebê".
Tudo bem.
Nunca mais procurei ninguém.
Os anos passaram e até bateu vontade, mas me faltava coragem novamente. Vai que me rejeitassem de novo!
Sabe quando evitamos alguma situação já com medo de sofrer? Pois é!
A verdade é que hoje em dia isso me pesa um pouco. Não pelas minhas tias, pois acho sinceramente que, aos meus 14 anos, elas poderiam ter me acolhido, me dado um pouco mais de carinho, demonstrado preocupação. Sei que não é fácil lidar com adolescente rebelde, e nem as culpo por nada, mas quando a gente realmente ama alguém, ainda mais se tratando de família, movemos o mundo. Não foi nosso caso, infelizmente.
Hoje não tenho o que reclamar, creio que tudo acontece com um propósito. Talvez tudo pudesse ter sido diferente, mas quer saber? Sou feliz. Aprendi a viver com pessoas que realmente me amam e me querem bem, e não faço questão de "títulos" ou aparências.
Mas sinto falta dos meus avós. Me sentiria muito mal se eles partissem sem eu ter ao menos um contato mínimo. Compreendo totalmente o lado deles, já eram idosos e não deve ter sido fácil. Eu sumi, não dei mais notícias. Mas há alguns meses isso me pesa.
Ontem liguei para a minha vó e consegui falar com ela alguns minutos, ela pareceu bastante surpresa quando falei que era eu. Hoje vou ligar para conversar mais um pouco...
(Continuando...)
Os anos passaram, eu recebi uma boa herança, gastei tudo em 3 meses com drogas e "balada". O que a falta de estrutura e conselhos não faz né? Tinha vários "amigos" ao redor, fazendo festa, cheirando muito, minha "casa" vivia cheia. O dinheiro acabou, e as ditas "amizades" também!
Quando conheci o pai da minha filha, logo quis engravidar. Meu sonho era ter um bebê. Mal pensei se tinha condições pra isso, mas queria um filho, alguém sangue do meu sangue, sabe?
No fim da gravidez resolvi procurar a família da minha mãe, tentar me reaproximar de alguma forma. Falei que estava grávida, e até cheguei a conversar por telefone com minhas tias. Mas a verdade é que eu tinha vergonha de falar que as coisas não estavam bem, que eu não tinha condições financeiras, e que meu "marido" era agressivo, e eu fingia que estava tudo bem para eles. Quando minha filha já tinha alguns meses resolvi falar a verdade, e pedir ajuda. Talvez fosse "cara de pau" minha, mas eu realmente não tinha pra "onde correr", não queria mais ficar com o pai da minha filha, mas não tinha para onde ir. Resolvi pedir para a família, mas a resposta foi negativa. Minha tia falou algo como "ué, você disse que estava tudo bem... seus avós já são velhos e não temos como abrigar você com um bebê".
Tudo bem.
Nunca mais procurei ninguém.
Os anos passaram e até bateu vontade, mas me faltava coragem novamente. Vai que me rejeitassem de novo!
Sabe quando evitamos alguma situação já com medo de sofrer? Pois é!
A verdade é que hoje em dia isso me pesa um pouco. Não pelas minhas tias, pois acho sinceramente que, aos meus 14 anos, elas poderiam ter me acolhido, me dado um pouco mais de carinho, demonstrado preocupação. Sei que não é fácil lidar com adolescente rebelde, e nem as culpo por nada, mas quando a gente realmente ama alguém, ainda mais se tratando de família, movemos o mundo. Não foi nosso caso, infelizmente.
Hoje não tenho o que reclamar, creio que tudo acontece com um propósito. Talvez tudo pudesse ter sido diferente, mas quer saber? Sou feliz. Aprendi a viver com pessoas que realmente me amam e me querem bem, e não faço questão de "títulos" ou aparências.
Mas sinto falta dos meus avós. Me sentiria muito mal se eles partissem sem eu ter ao menos um contato mínimo. Compreendo totalmente o lado deles, já eram idosos e não deve ter sido fácil. Eu sumi, não dei mais notícias. Mas há alguns meses isso me pesa.
Ontem liguei para a minha vó e consegui falar com ela alguns minutos, ela pareceu bastante surpresa quando falei que era eu. Hoje vou ligar para conversar mais um pouco...
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Desabafando
Coisas que nunca parei pra escrever, e que são capítulos muito importantes da minha vida.
Minha mãe tinha depressão. E meu pai bebia muito.
Cresci vendo os dois brigando, se agredindo, enfim. Nunca fomos uma família unida, ou "comum". Em certo tempo, na fase escola, eu tinha até uma certa vergonha pois percebia que os outros pais e mães tratavam seus filhos de forma diferente.
Minha mãe deixava eu fazer tudo que eu queria, saía e voltava a hora que eu bem entendesse. E se houvesse reclamação na escola, ela me trocava de ambiente. Simples! Jamais sentou comigo para conversar e explicar que eu estava errada, que eu precisava mudar alguma coisa. Eu estava sempre certa, e os outros é que conspiravam contra mim. Hoje sei que ela errou por amor. Talvez não tivesse pulso firme o suficiente para dizer um não, talvez tivesse medo que eu a rejeitasse, enfim.
Hoje, com minha filha, dou uma educação totalmente diferente. Afinal, aprendi com meus próprios erros.
Quando minha mãe faleceu, eu tinha 14 anos. Naquela semana meu pai estava internado em uma clínica para viciados, e nós duas estávamos sozinhas. Eu quase não parava em casa, acho que naquela época eu estava de férias, ou matando muita aula (o que era comum, cheguei a ficar 6 meses sem estudar por pura e espontânea vontade).
Ela tomava muitos remédios anti-depressivos, e aquilo já era comum pra mim. De vez em quando eu ouvia ela e meu pai discutindo sobre os gastos com remédios, mas nunca dei bola.
Já faziam algumas semanas que ela se queixava de dor no pulmão. E eu dizia: "vai no médico" ou "deve ser do cigarro".
Certo dia ela ficou de cama, mas aquilo era tão comum na rotina depressiva dela, que eu também não dei bola. As vezes ela ficava até uma, duas semanas trancada dentro do quarto. A noite, eu quis ir para uma festa. Ela mandou eu pegar dinheiro na bolsa dela, e fui.
No meio da festa me deu uma sensação ruim, e eu resolvi voltar pra casa. Ela tinha vomitado, mas dizia que estava bem.
Parecia que eu já sabia, um pressentimento. Antes de dormir eu chorei muito, e pedi para que Deus não a levasse. Mas ao mesmo tempo, pensei "é coisa da minha cabeça".
De manhã quando acordei, cheguei no quarto dela, e a encontrei com as pernas para fora da cama. Quando tirei seu rosto do travesseiro, não tive duvidas: minha mãe estava morta.
Teve hemorragia e embolia pulmonar, causado pelo excessivo uso de remédios tarja-preta.
Fui morar com minha tia em outra cidade. Família tradicional. Minha tia e meu tio são bem de vida, e muito bem casados. Meus primos, alunos exemplares. E eu, a ovelha negra.
Me sentia totalmente deslocada naquela família. Não podia sair, tinha que obedecer as cobranças e exigências, ouvia a todo tempo o quanto eu estava gorda (engordei muito depois que minha mãe faleceu, creio que descontei toda minha ansiedade na comida).
Não deu outra: eu quis voltar para minha cidade, e morar com meu pai. 15 dias após minha mãe falecer, meu pai já estava com outra mulher dentro de casa. O que eu não sabia, é que essa mulher era uma bruxa!
Nessa época me faltou muito carinho. Todo o carinho que minha mãe me dava, eu perdi. Por mais que ela tivesse suas falhas, seus problemas, e me desse mais liberdade do que devia, ela me amava muito. Eu era o mundo dela. E quando ela se foi, isso acabou.
Meu pai só queria saber da mulher nova. Essa mulher, por sua vez, queria me ver longe do caminho dela.
Eu era nova demais, 14 anos! E na primeira oportunidade, saí de casa. Conheci um namoradinho, e fui morar com ele. A gente não tinha estrutura nenhuma, chegamos a morar em uma cozinha, e em um porão. Eu perdi todas as minhas mordomias, mas nunca mais voltei pra casa.
Minha mãe tinha depressão. E meu pai bebia muito.
Cresci vendo os dois brigando, se agredindo, enfim. Nunca fomos uma família unida, ou "comum". Em certo tempo, na fase escola, eu tinha até uma certa vergonha pois percebia que os outros pais e mães tratavam seus filhos de forma diferente.
Minha mãe deixava eu fazer tudo que eu queria, saía e voltava a hora que eu bem entendesse. E se houvesse reclamação na escola, ela me trocava de ambiente. Simples! Jamais sentou comigo para conversar e explicar que eu estava errada, que eu precisava mudar alguma coisa. Eu estava sempre certa, e os outros é que conspiravam contra mim. Hoje sei que ela errou por amor. Talvez não tivesse pulso firme o suficiente para dizer um não, talvez tivesse medo que eu a rejeitasse, enfim.
Hoje, com minha filha, dou uma educação totalmente diferente. Afinal, aprendi com meus próprios erros.
Quando minha mãe faleceu, eu tinha 14 anos. Naquela semana meu pai estava internado em uma clínica para viciados, e nós duas estávamos sozinhas. Eu quase não parava em casa, acho que naquela época eu estava de férias, ou matando muita aula (o que era comum, cheguei a ficar 6 meses sem estudar por pura e espontânea vontade).
Ela tomava muitos remédios anti-depressivos, e aquilo já era comum pra mim. De vez em quando eu ouvia ela e meu pai discutindo sobre os gastos com remédios, mas nunca dei bola.
Já faziam algumas semanas que ela se queixava de dor no pulmão. E eu dizia: "vai no médico" ou "deve ser do cigarro".
Certo dia ela ficou de cama, mas aquilo era tão comum na rotina depressiva dela, que eu também não dei bola. As vezes ela ficava até uma, duas semanas trancada dentro do quarto. A noite, eu quis ir para uma festa. Ela mandou eu pegar dinheiro na bolsa dela, e fui.
No meio da festa me deu uma sensação ruim, e eu resolvi voltar pra casa. Ela tinha vomitado, mas dizia que estava bem.
Parecia que eu já sabia, um pressentimento. Antes de dormir eu chorei muito, e pedi para que Deus não a levasse. Mas ao mesmo tempo, pensei "é coisa da minha cabeça".
De manhã quando acordei, cheguei no quarto dela, e a encontrei com as pernas para fora da cama. Quando tirei seu rosto do travesseiro, não tive duvidas: minha mãe estava morta.
Teve hemorragia e embolia pulmonar, causado pelo excessivo uso de remédios tarja-preta.
Fui morar com minha tia em outra cidade. Família tradicional. Minha tia e meu tio são bem de vida, e muito bem casados. Meus primos, alunos exemplares. E eu, a ovelha negra.
Me sentia totalmente deslocada naquela família. Não podia sair, tinha que obedecer as cobranças e exigências, ouvia a todo tempo o quanto eu estava gorda (engordei muito depois que minha mãe faleceu, creio que descontei toda minha ansiedade na comida).
Não deu outra: eu quis voltar para minha cidade, e morar com meu pai. 15 dias após minha mãe falecer, meu pai já estava com outra mulher dentro de casa. O que eu não sabia, é que essa mulher era uma bruxa!
Nessa época me faltou muito carinho. Todo o carinho que minha mãe me dava, eu perdi. Por mais que ela tivesse suas falhas, seus problemas, e me desse mais liberdade do que devia, ela me amava muito. Eu era o mundo dela. E quando ela se foi, isso acabou.
Meu pai só queria saber da mulher nova. Essa mulher, por sua vez, queria me ver longe do caminho dela.
Eu era nova demais, 14 anos! E na primeira oportunidade, saí de casa. Conheci um namoradinho, e fui morar com ele. A gente não tinha estrutura nenhuma, chegamos a morar em uma cozinha, e em um porão. Eu perdi todas as minhas mordomias, mas nunca mais voltei pra casa.
(Continua...)
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Rodando Bolsinha
Quase 5h da manhã, e eu aqui de calcinha e sutiã fumando um baseado com o notebook no colo.
Faz 6 meses que trabalho como garota de programa, e posso garantir que não é um dinheiro fácil. Mas como sempre falo: é um dinheiro rápido.
Fiz muita burrada na minha vida mas quando me vi com 25 anos, em um quarto úmido e mofado, há quase 2 meses sem ver minha filha, apanhando e vivendo praticamente refém de um relacionamento doentio, resolvi que era hora de fazer alguma coisa pela vida. Eu decidi que precisava ganhar dinheiro, pois andava numa fase que trabalhava hoje pra comer amanhã, e olhe lá. Havia acabado de sair de uma lanchonete, mal tinha dinheiro pra pagar o aluguel, e estava há tempo empurrando a vida com a barriga (uma hora vai melhorar, mas atitude que é bom nada). Arranjei 60 reais emprestado, e comprei formas e chocolates para fazer trufas, e saía todo dia para vendê-las. Mas o dinheiro das trufas não estava sendo suficiente. E então numa bela noite eu decidi ser puta. Não sou feia. Um amigo já havia me dado a idéia, mas me faltava coragem. Só que como dizem por aí, gato com fome lambe até sabão... Eu já tinha dado pra tanto mala por carência, que ganhar dinheiro pra fazer sexo não podia ser tão difícil assim. Comecei a ler blogs, sites, ver filmes, e reunir todas as informações possíveis sobre a prostituição. E quanto mais eu lia a respeito, mais coragem me dava.
Tanta menina faz isso, eu também posso conseguir.
Um dia fui na lan-house, pesquisei por "casa de massagem centro de Florianópolis", e liguei perguntando algo como "precisa de gente pra trabalhar?". Já no primeiro telefonema a resposta foi positiva, peguei o endereço e fiquei de passar lá a tarde.
Não tinha noção do que estava me esperando. No caminho tentava imaginar, os pole-dance, as mulheres estilo panicats peladas e lindas, a cafetina poderosa cheia de ouro, e tudo o mais que se espera na primeira vez que se vai em uma zona.
Levei minha caixa de trufas pra ir vendendo no caminho. Quanto mais perto chegava, mais frio na barriga me dava. "Vai dar certo. Vai dar certo. Vai dar certo". Cheguei no endereço indicado, uma casa azul bem no centro de Florianópolis, em meio a prédios residenciais e lojas comuns. Quando toquei a campainha uma menina bem magrinha e com o olho super carregado de maquiagem verde limão me atendeu. Corta a idéia das panicats. A casa nada mais era que uma sala com dois sofás, tinha um barzinho e 2 portas que eram os quartos. Nada de pole-dance. E lá veio a cafetina, com o cabelo em um coque de ficar em casa, uma bermuda manchada de Ki-Boa e uma camiseta de alguma banda de rock. Ok, a cafetina não é tão chique como eu imaginava. Fomos no bar, e ali ela me explicou como funcionava a casa, os horários, e os valores. R$70 meia hora e R$140 uma hora. Metade pra menina, metade pra ela.
"É muito pouco", pensei. "É, mas se você fizer 10 de meia hora por dia já são R$350" ela me respondeu. Ganhar R$350 por dia, na época, era incrível pra mim e eu não tinha noção de como consumia energia transar com 10 homens por dia!
Topei, e fiquei ali por 4 meses...
Faz 6 meses que trabalho como garota de programa, e posso garantir que não é um dinheiro fácil. Mas como sempre falo: é um dinheiro rápido.
Fiz muita burrada na minha vida mas quando me vi com 25 anos, em um quarto úmido e mofado, há quase 2 meses sem ver minha filha, apanhando e vivendo praticamente refém de um relacionamento doentio, resolvi que era hora de fazer alguma coisa pela vida. Eu decidi que precisava ganhar dinheiro, pois andava numa fase que trabalhava hoje pra comer amanhã, e olhe lá. Havia acabado de sair de uma lanchonete, mal tinha dinheiro pra pagar o aluguel, e estava há tempo empurrando a vida com a barriga (uma hora vai melhorar, mas atitude que é bom nada). Arranjei 60 reais emprestado, e comprei formas e chocolates para fazer trufas, e saía todo dia para vendê-las. Mas o dinheiro das trufas não estava sendo suficiente. E então numa bela noite eu decidi ser puta. Não sou feia. Um amigo já havia me dado a idéia, mas me faltava coragem. Só que como dizem por aí, gato com fome lambe até sabão... Eu já tinha dado pra tanto mala por carência, que ganhar dinheiro pra fazer sexo não podia ser tão difícil assim. Comecei a ler blogs, sites, ver filmes, e reunir todas as informações possíveis sobre a prostituição. E quanto mais eu lia a respeito, mais coragem me dava.
Tanta menina faz isso, eu também posso conseguir.
Um dia fui na lan-house, pesquisei por "casa de massagem centro de Florianópolis", e liguei perguntando algo como "precisa de gente pra trabalhar?". Já no primeiro telefonema a resposta foi positiva, peguei o endereço e fiquei de passar lá a tarde.
Não tinha noção do que estava me esperando. No caminho tentava imaginar, os pole-dance, as mulheres estilo panicats peladas e lindas, a cafetina poderosa cheia de ouro, e tudo o mais que se espera na primeira vez que se vai em uma zona.
Levei minha caixa de trufas pra ir vendendo no caminho. Quanto mais perto chegava, mais frio na barriga me dava. "Vai dar certo. Vai dar certo. Vai dar certo". Cheguei no endereço indicado, uma casa azul bem no centro de Florianópolis, em meio a prédios residenciais e lojas comuns. Quando toquei a campainha uma menina bem magrinha e com o olho super carregado de maquiagem verde limão me atendeu. Corta a idéia das panicats. A casa nada mais era que uma sala com dois sofás, tinha um barzinho e 2 portas que eram os quartos. Nada de pole-dance. E lá veio a cafetina, com o cabelo em um coque de ficar em casa, uma bermuda manchada de Ki-Boa e uma camiseta de alguma banda de rock. Ok, a cafetina não é tão chique como eu imaginava. Fomos no bar, e ali ela me explicou como funcionava a casa, os horários, e os valores. R$70 meia hora e R$140 uma hora. Metade pra menina, metade pra ela.
"É muito pouco", pensei. "É, mas se você fizer 10 de meia hora por dia já são R$350" ela me respondeu. Ganhar R$350 por dia, na época, era incrível pra mim e eu não tinha noção de como consumia energia transar com 10 homens por dia!
Topei, e fiquei ali por 4 meses...
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