Esses dias uma criatura me chamou no Whatsapp pedindo informações sobre meu atendimento, e depois perguntou se poderia penetrar sem camisinha. Minha resposta foi óbvia: é claro que não!
Ao ser questionada "porquê não?", respondi que se ele não tem amor a vida e a família eu tenho.
Imagine só, sair transando sem camisinha por aí!
E foi aí que tive uma resposta do tipo:
"Se você se preocupasse com a família não seria puta".
Não perdi meu tempo e nem gastei meus dedos digitando alguma resposta, apenas bloqueei - uma pessoa que até hoje não aprendeu a respeitar os outros e a ter humildade só aprende com a vida (isso é, SE aprender). Discutir não adianta quando a ignorância está falando...
O pior é que isso não é um caso isolado. Claro que nem todos os dias recebo esse tipo de mensagem (graças), mas o preconceito existe e já falei dele por aqui.
Tem homens que inclusive procuram garotas de programa, mas no fundo são cheios de preconceito. Tipo um "nojo", sabe?
Já atendi homens que mal encostaram em mim, como se eu tivesse uma doença contagiosa. E fazer sexo sem encostar em alguém é tipo colocar a pessoa de 4 na beirada da cama, meter, gozar, e ir embora. Muitas vezes sem trocar nem uma palavra direito.
Também já me perguntaram se meu noivo tem coragem de transar comigo sem camisinha. Oi? Gente, o fato de eu ser GP não me torna uma doida que sai dando pras pessoas sem preservativo. Tenho certeza que me cuido muito mais do que muitas mulheres que nunca colocaram o pé em uma zona, como eu coloquei um dia.
É muito ruim quando esse tipo de coisa acontece, me faz ver que existem pessoas com pensamentos bem primitivos ainda.
Mas num mundo em que as pessoas odeiam alguém por ser gay, ou negro, ou de uma religião/opinião diferente - e milhares de outros fatores, não é de se espantar que exista esse preconceito e pensamentos errados sobre as GPS.
Minha opinião (e quem sabe dica) é a seguinte:
Se você tem nojo de encostar em uma garota de programa, não procure uma. (Compre uma boneca inflável ou bata punheta).
Se você acha que a GP vai transar/chupar/beijar outro e depois disso não vai tomar banho/escovar os dentes, não a contrate. (A menos que esteja procurando uma GP de profissionalismo duvidoso)
Se você acha que a GP é uma pessoa errada, sem idéias, sem vida pessoal, sem noções de saúde/higiene, não marque nada. (Até porque uma mulher assim provavelmente não seja uma boa companhia).
Agora, se você viu anúncios, ou foi em um local/boate/casa de massagem e ESCOLHEU uma mulher, NÃO a trate mal, NÃO a trate como um ser inferior.
Gentileza gera gentileza.
Obrigada, de nada!
quinta-feira, 28 de julho de 2016
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Páginas Do Meu Diário
Tenho um caderno, desses grandes de matéria, que me acompanha desde meados de 2014 quando comecei a trabalhar.
Não escrevo nele todos os dias, mas de tempos em tempos. Em alguns momentos com mais frequência, outros com menos. Já fiquei mais de um mês sem escrever.
Nem sempre leio o que escrevi, mas as vezes é gostoso voltar no tempo, e ver como a gente melhora e se supera se tiver força de vontade.
Tenho muitas coisas escritas ali, momentos bem pessoais, bons e ruins.
Encontrei esse texto no início do caderno, escrevi nos primeiros meses de trabalho - ainda na casa de massagem.
Gostei de reler esse texto, pois eu estava despertando para a vida e superando meus próprios fantasmas. Foi o início da minha mudança interna!
02 de Dezembro de 2014
"Guarde a seriedade para momentos realmente necessários, como mortes, separações e afins" (Arnaldo Jabor)
-Decidi fazer isso da minha vida. Já passei tanta situação, fiz cada besteira, vivi tanta coisa que daria até pra escrever um livro.
Já "cai" inúmeras vezes, pensei que TUDO ia acabar. Já mudei de ideia, e perdi tempo com TANTA coisa desnecessária que hoje não saio do sério tão facilmente.
Quando a gente começa a entender melhor a vida e respeitá-la, as coisas começam a fluir. Deve ser isso que está acontecendo comigo. De repente, o universo começou a conspirar a meu favor. Acho que ele já conspirava, eu é que andava no sentido contrário!
Aprendi (até que enfim) que muitas vezes sofremos sem necessidade. Nos desesperamos, perdemos tempo, deixamos de viver por coisas passageiras - que daqui a pouco não farão diferença alguma.
Aprendi também que ninguém tem o direito de controlar ninguém. Não temos poder sobre a vida do próximo, e nem os outros podem ter poder sobre nós. Deixei de fazer muita coisa por causa de relacionamentos doentios. Hoje sei que a pessoa certa vai me amar do jeito que eu sou, e querer me ver progredindo.
Resolvi pensar mais em mim, nos MEUS sentimentos, no que EU quero da vida.
E é por isso que vou lutar!
Não escrevo nele todos os dias, mas de tempos em tempos. Em alguns momentos com mais frequência, outros com menos. Já fiquei mais de um mês sem escrever.
Nem sempre leio o que escrevi, mas as vezes é gostoso voltar no tempo, e ver como a gente melhora e se supera se tiver força de vontade.
Tenho muitas coisas escritas ali, momentos bem pessoais, bons e ruins.
Encontrei esse texto no início do caderno, escrevi nos primeiros meses de trabalho - ainda na casa de massagem.
Gostei de reler esse texto, pois eu estava despertando para a vida e superando meus próprios fantasmas. Foi o início da minha mudança interna!
02 de Dezembro de 2014
"Guarde a seriedade para momentos realmente necessários, como mortes, separações e afins" (Arnaldo Jabor)
-Decidi fazer isso da minha vida. Já passei tanta situação, fiz cada besteira, vivi tanta coisa que daria até pra escrever um livro.
Já "cai" inúmeras vezes, pensei que TUDO ia acabar. Já mudei de ideia, e perdi tempo com TANTA coisa desnecessária que hoje não saio do sério tão facilmente.
Quando a gente começa a entender melhor a vida e respeitá-la, as coisas começam a fluir. Deve ser isso que está acontecendo comigo. De repente, o universo começou a conspirar a meu favor. Acho que ele já conspirava, eu é que andava no sentido contrário!
Aprendi (até que enfim) que muitas vezes sofremos sem necessidade. Nos desesperamos, perdemos tempo, deixamos de viver por coisas passageiras - que daqui a pouco não farão diferença alguma.
Aprendi também que ninguém tem o direito de controlar ninguém. Não temos poder sobre a vida do próximo, e nem os outros podem ter poder sobre nós. Deixei de fazer muita coisa por causa de relacionamentos doentios. Hoje sei que a pessoa certa vai me amar do jeito que eu sou, e querer me ver progredindo.
Resolvi pensar mais em mim, nos MEUS sentimentos, no que EU quero da vida.
E é por isso que vou lutar!
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Cliente J
-Nossa! Quando o J te ver vai ficar louco. Ele costuma ficar horas e horas no quarto, é um cliente muito bom. - dizia a cafetina nos meus primeiros dias de trabalho.
J era um cliente conhecido nas madrugadas da casa de massagem assim que comecei a trabalhar.
Paralelamente, eu ouvia outras garotas falando:
-Ah, eu odeio atender o J. Ele é irritante.
E outras:
-Eu adoro, só fico lá deitada e deixo ele falar.
As opiniões eram divididas, algumas diziam que ele era querido, outras o achavam maluco, e eu - que estava iniciando "carreira" na putaria não conseguia imaginar o que esse tal J tinha de diferente.
Eu perguntava e ninguém me contava nada demais, o J era meio que uma piada interna:
-Ele é tranquilo. Quando você conhecer vai entender. - Algumas me falavam.
Até que pela terceira ou quarta noite o tal do J chegou. Devia ter entre 35 e 40 anos, alto, ruivo, e bem elegante.
A cafetina estava certa: ele gostou de mim, e me escolheu para irmos ao quarto.
Entramos, trocamos algumas palavras, e ele perguntou se eu me importaria se ele cheirasse cocaína ali. Eu deixei, afinal eu já tinha percebido que aquela cena seria mais comum do que ele mesmo podia imaginar.
Ele cheirou, sentou na beirada da cama ainda de roupa e começou a conversar.
Disse que gostava de curtir o momento, que nem sempre chegava a transar com as meninas. Pediu pra que eu não tirasse minha roupa, e então ele mesmo tirou meus sapatos e eu comecei a entender porque as meninas riam tanto ao falar nele.
Começou a fazer massagem nos meus pés e falava:
-Oxiiii... Que péjinho munito menina! - com a voz de bebê mais enjoada que você puder imaginar.
-Xabe Juju, eu goxtu muito muito muito di converxar...
E seguiu me fazendo perguntas bem banais tendo em vista o ambiente que nos encontrávamos, como comida preferida, tipo de filme, etc. Cheirou cocaína e conversou (com voz de bebê) durante umas 3 horas seguidas.
No início eu achei que poderia ser um nojento com tendências pedofilas, mas ele não falou nada sobre sexo em nenhum momento - e nem tiramos a roupa. Apenas falava comigo e fazia carinho nas mãos e pés, não aparentava excitação sexual nenhuma.
As vezes me dava vontade de rir ao ver aquele homem falando daquele jeito. Mas eu me continha, afinal vai saber a reação da criatura, né? Eu ia dando assunto, e deixando ele falar.
Ele continuou frequentando a casa durante um bom tempo. Na grande maioria das vezes a cena se repetia: conversava por horas com voz de bebê (só ele, claro haha). Acho que transamos uma vez só, quando ele apareceu falando normalmente - nem parecia o mesmo J.
Em todas as vezes, já no final do atendimento (quando a droga tinha acabado), ele começava a se arrepender por estar ali, falava que estava gastando muito dinheiro e as vezes até chorava.
A depressão não durava muito, pois sempre sumia por no máximo um mês.
Depois que saí de lá nunca mais vi o J, e nem sei que lugar anda frequentando.
Nunca tive coragem de perguntar se ele não achava interessante procurar um psicólogo ou analista. Mas no fim das contas torço pra que esteja bem e, quem sabe, recuperado. Pois apesar de toda aparente loucura, sei que ele era uma boa pessoa!
J era um cliente conhecido nas madrugadas da casa de massagem assim que comecei a trabalhar.
Paralelamente, eu ouvia outras garotas falando:
-Ah, eu odeio atender o J. Ele é irritante.
E outras:
-Eu adoro, só fico lá deitada e deixo ele falar.
As opiniões eram divididas, algumas diziam que ele era querido, outras o achavam maluco, e eu - que estava iniciando "carreira" na putaria não conseguia imaginar o que esse tal J tinha de diferente.
Eu perguntava e ninguém me contava nada demais, o J era meio que uma piada interna:
-Ele é tranquilo. Quando você conhecer vai entender. - Algumas me falavam.
Até que pela terceira ou quarta noite o tal do J chegou. Devia ter entre 35 e 40 anos, alto, ruivo, e bem elegante.
A cafetina estava certa: ele gostou de mim, e me escolheu para irmos ao quarto.
Entramos, trocamos algumas palavras, e ele perguntou se eu me importaria se ele cheirasse cocaína ali. Eu deixei, afinal eu já tinha percebido que aquela cena seria mais comum do que ele mesmo podia imaginar.
Ele cheirou, sentou na beirada da cama ainda de roupa e começou a conversar.
Disse que gostava de curtir o momento, que nem sempre chegava a transar com as meninas. Pediu pra que eu não tirasse minha roupa, e então ele mesmo tirou meus sapatos e eu comecei a entender porque as meninas riam tanto ao falar nele.
Começou a fazer massagem nos meus pés e falava:
-Oxiiii... Que péjinho munito menina! - com a voz de bebê mais enjoada que você puder imaginar.
-Xabe Juju, eu goxtu muito muito muito di converxar...
E seguiu me fazendo perguntas bem banais tendo em vista o ambiente que nos encontrávamos, como comida preferida, tipo de filme, etc. Cheirou cocaína e conversou (com voz de bebê) durante umas 3 horas seguidas.
No início eu achei que poderia ser um nojento com tendências pedofilas, mas ele não falou nada sobre sexo em nenhum momento - e nem tiramos a roupa. Apenas falava comigo e fazia carinho nas mãos e pés, não aparentava excitação sexual nenhuma.
As vezes me dava vontade de rir ao ver aquele homem falando daquele jeito. Mas eu me continha, afinal vai saber a reação da criatura, né? Eu ia dando assunto, e deixando ele falar.
Ele continuou frequentando a casa durante um bom tempo. Na grande maioria das vezes a cena se repetia: conversava por horas com voz de bebê (só ele, claro haha). Acho que transamos uma vez só, quando ele apareceu falando normalmente - nem parecia o mesmo J.
Em todas as vezes, já no final do atendimento (quando a droga tinha acabado), ele começava a se arrepender por estar ali, falava que estava gastando muito dinheiro e as vezes até chorava.
A depressão não durava muito, pois sempre sumia por no máximo um mês.
Depois que saí de lá nunca mais vi o J, e nem sei que lugar anda frequentando.
Nunca tive coragem de perguntar se ele não achava interessante procurar um psicólogo ou analista. Mas no fim das contas torço pra que esteja bem e, quem sabe, recuperado. Pois apesar de toda aparente loucura, sei que ele era uma boa pessoa!
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Nem Pagando
"Nem pagando", esse é o termo que eu usei para muitos clientes na noite. São clientes que simplesmente não dava de atender, por N motivos.
Eu nunca fui de ficar escolhendo cliente por aparência, e até já falei sobre isso aqui. Mas atender cliente mal educado, grosseiro ou porco, não dá mesmo.
No início, atendi muitos que hoje não encararia novamente, algumas criaturas que apareciam de madrugada na casa de massagem, ou até mesmo nas boates, exalando cigarro e cachaça eram monstruosas em todos os quesitos. Eu era inexperiente, e não sabia que podia simplesmente negar quando um cliente me escolhesse - não queria que a cafetina me criticasse (e ela era muito boa nisso) e muito menos queria criar confusão com o sujeito em questão.
Aos poucos fui aprendendo a me impor, descobri que não era pelo fato de ser garota de programa que precisava me sujeitar a qualquer coisa, e comecei a me dar o devido respeito.
É inacreditável como alguns homens acham que pelo fato de estarem pagando por um programa podem tratar a mulher como um objeto, e acredite: os que menos pagam, são os piores. Geralmente (nem sempre) os que pagam mais sabem agradar uma mulher - ou ao menos se esforçam pra isso.
Certa vez simplesmente parei de aceitar esse tipo de coisa. Já tinha percebido que nem todos seriam agradáveis, mas alguns não dava de tolerar mesmo. Foi quando comecei a dizer não, a mandar ir embora se necessário.
A primeira vez que isso aconteceu o cliente me entregou o dinheiro, foi tirando a roupa e mandou eu ficar de 4 na beirada da cama. Eu tentei puxar um assunto, quebrar o gelo, e ele disse:
-Não vim pra conversar. Aluguei você por meia hora, não foi? Fica de 4 aí.
Me senti o lixo dos lixos. Aluguei você, aquelas palavras ecoavam na minha cabeça. Não entendo como as pessoas não enxergam o outro ser humano ali, na sua frente.
Falei que não trabalhava dessa forma, que tudo bem que ele estava pagando (uma miséria por sinal), mas eu não precisava ser tratada daquela maneira. Devolvi o dinheiro e saí do quarto. Antes disso mandei ele tomar no orifício anal.
Outra vez o cara tirou a roupa e o "cheiro" de axilas infestou o quarto. Perguntei se ele queria tomar um banho e ele disse
-Depois eu tomo, se der tempo. Tô pagando meia hora e quero fuder primeiro.
Engoli seco, e falei que o cheiro estava forte (era impossível que ele não tenha notado).
-Tomei banho ontem a noite, antes de sair de casa.
Ele me disse isso na maior cara de pau. Era sábado, quase 15h. Ele tinha tomado banho na sexta a noite! No mínimo ele estava virado, sem dormir, e como se não bastasse ainda se achou na razão.
Foi reclamar para a cafetina, falando que ela deveria colocar ordem nessas meninas. Como se fôssemos animais, ou sei lá o que.
Bati o pé e falei que realmente não atenderia.
Uma pessoa nojenta (em todos aspectos) como essa, nem me pagando muito bem.
Já na boate, conversei com um senhor e acertamos o cachê para ir pro quarto. Eu havia deixado bem claro que não faço sexo anal, e na hora H ele começou a insistir, forçando a barra. Até que parei tudo e falei que não era isso que a gente havia combinado.
Tive que ouvir ele me falar coisas horríveis, dentre elas que eu não servia nem pra puta - pois dar o ** deveria ser minha obrigação.
Eu precisava muito daquele dinheiro, mas eu preferi devolver a me deitar com um ser assim.
Nos dias atuais, que considero meu "auge" em termos de clientes, a maioria se encaixa mais no perfil "daria até de graça" - gracias! Em sua grande maioria são legais, cheirosos, educados e principalmente: conseguem enxergar o ser humano alem-vagina.
Bom se sempre fosse assim, comigo e com todas. Mas no fundo acho que sempre existirão aqueles que não merecem a companhia e o toque de uma mulher - nem pagando!
Eu nunca fui de ficar escolhendo cliente por aparência, e até já falei sobre isso aqui. Mas atender cliente mal educado, grosseiro ou porco, não dá mesmo.
No início, atendi muitos que hoje não encararia novamente, algumas criaturas que apareciam de madrugada na casa de massagem, ou até mesmo nas boates, exalando cigarro e cachaça eram monstruosas em todos os quesitos. Eu era inexperiente, e não sabia que podia simplesmente negar quando um cliente me escolhesse - não queria que a cafetina me criticasse (e ela era muito boa nisso) e muito menos queria criar confusão com o sujeito em questão.
Aos poucos fui aprendendo a me impor, descobri que não era pelo fato de ser garota de programa que precisava me sujeitar a qualquer coisa, e comecei a me dar o devido respeito.
É inacreditável como alguns homens acham que pelo fato de estarem pagando por um programa podem tratar a mulher como um objeto, e acredite: os que menos pagam, são os piores. Geralmente (nem sempre) os que pagam mais sabem agradar uma mulher - ou ao menos se esforçam pra isso.
Certa vez simplesmente parei de aceitar esse tipo de coisa. Já tinha percebido que nem todos seriam agradáveis, mas alguns não dava de tolerar mesmo. Foi quando comecei a dizer não, a mandar ir embora se necessário.
A primeira vez que isso aconteceu o cliente me entregou o dinheiro, foi tirando a roupa e mandou eu ficar de 4 na beirada da cama. Eu tentei puxar um assunto, quebrar o gelo, e ele disse:
-Não vim pra conversar. Aluguei você por meia hora, não foi? Fica de 4 aí.
Me senti o lixo dos lixos. Aluguei você, aquelas palavras ecoavam na minha cabeça. Não entendo como as pessoas não enxergam o outro ser humano ali, na sua frente.
Falei que não trabalhava dessa forma, que tudo bem que ele estava pagando (uma miséria por sinal), mas eu não precisava ser tratada daquela maneira. Devolvi o dinheiro e saí do quarto. Antes disso mandei ele tomar no orifício anal.
Outra vez o cara tirou a roupa e o "cheiro" de axilas infestou o quarto. Perguntei se ele queria tomar um banho e ele disse
-Depois eu tomo, se der tempo. Tô pagando meia hora e quero fuder primeiro.
Engoli seco, e falei que o cheiro estava forte (era impossível que ele não tenha notado).
-Tomei banho ontem a noite, antes de sair de casa.
Ele me disse isso na maior cara de pau. Era sábado, quase 15h. Ele tinha tomado banho na sexta a noite! No mínimo ele estava virado, sem dormir, e como se não bastasse ainda se achou na razão.
Foi reclamar para a cafetina, falando que ela deveria colocar ordem nessas meninas. Como se fôssemos animais, ou sei lá o que.
Bati o pé e falei que realmente não atenderia.
Uma pessoa nojenta (em todos aspectos) como essa, nem me pagando muito bem.
Já na boate, conversei com um senhor e acertamos o cachê para ir pro quarto. Eu havia deixado bem claro que não faço sexo anal, e na hora H ele começou a insistir, forçando a barra. Até que parei tudo e falei que não era isso que a gente havia combinado.
Tive que ouvir ele me falar coisas horríveis, dentre elas que eu não servia nem pra puta - pois dar o ** deveria ser minha obrigação.
Eu precisava muito daquele dinheiro, mas eu preferi devolver a me deitar com um ser assim.
Nos dias atuais, que considero meu "auge" em termos de clientes, a maioria se encaixa mais no perfil "daria até de graça" - gracias! Em sua grande maioria são legais, cheirosos, educados e principalmente: conseguem enxergar o ser humano alem-vagina.
Bom se sempre fosse assim, comigo e com todas. Mas no fundo acho que sempre existirão aqueles que não merecem a companhia e o toque de uma mulher - nem pagando!
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Casarão
Quando saí da casa de massagem fiquei perdida. Saí de lá em meio a uma discussão com a cafetina e outra garota, com 250 reais na carteira, aluguel e babá por vencer e sem saber pra onde correr, pois eu não conhecia outros lugares.
Voltei à estaca zero e comecei a ligar pra várias casas de massagem perguntando se precisavam de garotas. Algumas já estavam cheias, e outras fui visitar. Contei a saga toda por aqui.
O problema é que era muito difícil encontrar um ambiente "decente". A casa onde eu trabalhava podia ser horrível em questão de tratamento com as garotas, valor e clientes, mas era muito limpa e isso eu não posso negar.
Quando fui visitar outras, vi algumas que além de tudo de ruim, ainda por cima eram sujas, não trocavam nem o lençol e as toalhas.
Em uma dessas "visitas" em casas, fui parar num casarão desses antigos. Quando cheguei me deparei com a dona, uma coroa de biquíni amarelo.
Entrei e ela começou a me mostrar a casa. Na hora já não gostei, os quartos eram improvisados e alguns em vez de porta tinha apenas uma cortina, mas fiquei sem jeito de falar pra ela na hora.
Então ela foi me mostrar a "área de lazer".
-A gente gosta de deixar os clientes à vontade. Às vezes eles ficam na piscina, bebendo, depois resolvem fazer algum programa.
Quero que nesse momento, querido leitor, você imagine a cena que vou descrever: a parte dos fundos de um casarão antigo, grama precisando ser cortada urgentemente, sacos de lixo nos cantos das paredes, latas de cerveja e bituca de cigarro por tudo quanto é canto. Eis a piscina: de plástico, com suporte de ferro, a água devia bater na altura do meu joelho, mais ou menos. Ao lado, uns 4 homens e umas meninas nada simpáticas se revezando em cadeiras plástica e cadeiras de praia meio rasgadas e enferrujadas. O cenário perfeito para propagação de dengue, zika, chycungunha, micose, tétano e toda sorte de doenças imagináveis.
Queria sair dali correndo.
-Ah! E você ganha 2 reais por cada cerveja que o cliente pagar pra você.
Uau! Parece tentador hein! (Só que não).
-Você pode se trocar naquele banheiro ali. SAI DAÍ JENIFER! A MENINA VAI SE ARRUMAR! - A dona da casa disse enquanto me levava até o banheiro, enxotando outra menina que estava retocando a maquiagem.
Eu realmente queria ir embora dali. Mas fiquei com vergonha de falar, não sabia como dizer que me senti péssima naquele ambiente e não entendia como as garotas e os clientes se sujeitavam aquilo.
-Poxa, agora que lembrei. Esqueci de trazer meu buscopam, estou com uma cólica terrível. Vou na farmácia e já volto.
Sim, eu sei que poderia ter simplesmente ido embora, mas na hora preferi inventar uma desculpa.
Qual foi minha surpresa quando a dona falou que eu não precisava sair que tinha remédio lá.
Me entregou, e disse que qualquer coisa estaria na piscina.
Entrei no banheiro, esperei 2 minutos e saí de volta.
Fui em direção a porta de saída, uma das garotas ficou me encarando e eu disse:
-Vou ali e já volto.
Desci aquela rua sem olhar pra trás, com os passos mais rápidos que eu podia. Nunca mais voltei!
Voltei à estaca zero e comecei a ligar pra várias casas de massagem perguntando se precisavam de garotas. Algumas já estavam cheias, e outras fui visitar. Contei a saga toda por aqui.
O problema é que era muito difícil encontrar um ambiente "decente". A casa onde eu trabalhava podia ser horrível em questão de tratamento com as garotas, valor e clientes, mas era muito limpa e isso eu não posso negar.
Quando fui visitar outras, vi algumas que além de tudo de ruim, ainda por cima eram sujas, não trocavam nem o lençol e as toalhas.
Em uma dessas "visitas" em casas, fui parar num casarão desses antigos. Quando cheguei me deparei com a dona, uma coroa de biquíni amarelo.
Entrei e ela começou a me mostrar a casa. Na hora já não gostei, os quartos eram improvisados e alguns em vez de porta tinha apenas uma cortina, mas fiquei sem jeito de falar pra ela na hora.
Então ela foi me mostrar a "área de lazer".
-A gente gosta de deixar os clientes à vontade. Às vezes eles ficam na piscina, bebendo, depois resolvem fazer algum programa.
Quero que nesse momento, querido leitor, você imagine a cena que vou descrever: a parte dos fundos de um casarão antigo, grama precisando ser cortada urgentemente, sacos de lixo nos cantos das paredes, latas de cerveja e bituca de cigarro por tudo quanto é canto. Eis a piscina: de plástico, com suporte de ferro, a água devia bater na altura do meu joelho, mais ou menos. Ao lado, uns 4 homens e umas meninas nada simpáticas se revezando em cadeiras plástica e cadeiras de praia meio rasgadas e enferrujadas. O cenário perfeito para propagação de dengue, zika, chycungunha, micose, tétano e toda sorte de doenças imagináveis.
Queria sair dali correndo.
-Ah! E você ganha 2 reais por cada cerveja que o cliente pagar pra você.
Uau! Parece tentador hein! (Só que não).
-Você pode se trocar naquele banheiro ali. SAI DAÍ JENIFER! A MENINA VAI SE ARRUMAR! - A dona da casa disse enquanto me levava até o banheiro, enxotando outra menina que estava retocando a maquiagem.
Eu realmente queria ir embora dali. Mas fiquei com vergonha de falar, não sabia como dizer que me senti péssima naquele ambiente e não entendia como as garotas e os clientes se sujeitavam aquilo.
-Poxa, agora que lembrei. Esqueci de trazer meu buscopam, estou com uma cólica terrível. Vou na farmácia e já volto.
Sim, eu sei que poderia ter simplesmente ido embora, mas na hora preferi inventar uma desculpa.
Qual foi minha surpresa quando a dona falou que eu não precisava sair que tinha remédio lá.
Me entregou, e disse que qualquer coisa estaria na piscina.
Entrei no banheiro, esperei 2 minutos e saí de volta.
Fui em direção a porta de saída, uma das garotas ficou me encarando e eu disse:
-Vou ali e já volto.
Desci aquela rua sem olhar pra trás, com os passos mais rápidos que eu podia. Nunca mais voltei!
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Sobre Gratidão
Ontem eu estava com meu primeiro horário livre, e como de costume parei pra apreciar o mar.
A vista aqui do meu local (ap onde atendo os clientes) é muito bonita, uma pena que seja impróprio devido a poluição - mas a beleza visual continua, e eu aproveito dela.
Respirei fundo e me senti grata.
Ah, a gratidão! Na minha opinião, uma das palavras mais bonitas do nosso vocabulário. E poderosa também! Eu sinto que quanto mais eu agradeço, mais coisas boas acontecem.
É engraçado como depois de um certo tempo a gente para de se preocupar com coisas banais, e vê que os sentimentos ruins não nos levam a lugar nenhum.
E percebe também que ser grato nos faz bem.
Às vezes vivemos correndo tanto, com tantas preocupações na cabeça, que esquecemos de apreciar os pequenos momentos, as coisas mais simples.
Lembrei do quanto sofri quando minha filha não estava morando comigo. Antes de eu começar a fazer programa ela passou uns meses com a avó e o pai, pois na época eu realmente estava sem condições financeiras de trabalhar e pagar alguém pra cuidar dela. Quantas noites e manhãs vazias passei chorando, por não estar perto pra dar um beijo de boa noite ou servir o café da manhã pra ela.
Pode parecer coisa tão banal, mas hoje agradeço por cada um desses momentos. Chegar em casa e ver aqueles olhinhos brilhando contando como foi o dia não tem preço, dá aquela sensação de que todo esforço vale a pena.
Encontrei vários outros motivos pra ser grata todos os dias. Desde a força pra me levantar da cama de manhã, até o cobertor quentinho na hora de dormir. Aprendi a apreciar momentos como um almoço com pessoas que a gente gosta, ou uma simples caminhada na praia jogando conversa fora. É desses momentos que a vida é feita!
Não importa se vai sujar louça, ou a roupa, ou a casa. Não importa se vai demorar um pouco mais, se vai sair da sua rotina ou quem sabe fugir um pouco do orçamento. A vida passa rápido, e se a gente quiser realmente se sentir bem os pequenos momentos devem ser aproveitados com intensidade.
Como GP, aprendi a agradecer também, pelos clientes, pela grana, pelas coisas que consegui - e por que não agradeceria por isso? Afinal, é minha vida, minha história, minha jornada, é o caminho que escolhi traçar.
Esse detalhe é importante: tudo depende das nossas escolhas. Todos os dias temos alternativas: ser feliz, ou não. Agradecer, ou não. Correr atrás dos objetivos, ou não.
Sempre lembrando que do céu só cai chuva, mas quando a gente vai atrás e aprende a realmente apreciar as coisas ao invés de reclamar, tudo muda.
Se você aceitar um conselho vindo de uma garota de programa, meu conselho seria esse: agradeça mais, sorria mais, corra atrás dos seus sonhos, encontre sentido para sua vida, aproveite melhor os momentos.
Seja feliz!
A vista aqui do meu local (ap onde atendo os clientes) é muito bonita, uma pena que seja impróprio devido a poluição - mas a beleza visual continua, e eu aproveito dela.
Respirei fundo e me senti grata.
Ah, a gratidão! Na minha opinião, uma das palavras mais bonitas do nosso vocabulário. E poderosa também! Eu sinto que quanto mais eu agradeço, mais coisas boas acontecem.
É engraçado como depois de um certo tempo a gente para de se preocupar com coisas banais, e vê que os sentimentos ruins não nos levam a lugar nenhum.
E percebe também que ser grato nos faz bem.
Às vezes vivemos correndo tanto, com tantas preocupações na cabeça, que esquecemos de apreciar os pequenos momentos, as coisas mais simples.
Lembrei do quanto sofri quando minha filha não estava morando comigo. Antes de eu começar a fazer programa ela passou uns meses com a avó e o pai, pois na época eu realmente estava sem condições financeiras de trabalhar e pagar alguém pra cuidar dela. Quantas noites e manhãs vazias passei chorando, por não estar perto pra dar um beijo de boa noite ou servir o café da manhã pra ela.
Pode parecer coisa tão banal, mas hoje agradeço por cada um desses momentos. Chegar em casa e ver aqueles olhinhos brilhando contando como foi o dia não tem preço, dá aquela sensação de que todo esforço vale a pena.
Encontrei vários outros motivos pra ser grata todos os dias. Desde a força pra me levantar da cama de manhã, até o cobertor quentinho na hora de dormir. Aprendi a apreciar momentos como um almoço com pessoas que a gente gosta, ou uma simples caminhada na praia jogando conversa fora. É desses momentos que a vida é feita!
Não importa se vai sujar louça, ou a roupa, ou a casa. Não importa se vai demorar um pouco mais, se vai sair da sua rotina ou quem sabe fugir um pouco do orçamento. A vida passa rápido, e se a gente quiser realmente se sentir bem os pequenos momentos devem ser aproveitados com intensidade.
Como GP, aprendi a agradecer também, pelos clientes, pela grana, pelas coisas que consegui - e por que não agradeceria por isso? Afinal, é minha vida, minha história, minha jornada, é o caminho que escolhi traçar.
Esse detalhe é importante: tudo depende das nossas escolhas. Todos os dias temos alternativas: ser feliz, ou não. Agradecer, ou não. Correr atrás dos objetivos, ou não.
Sempre lembrando que do céu só cai chuva, mas quando a gente vai atrás e aprende a realmente apreciar as coisas ao invés de reclamar, tudo muda.
Se você aceitar um conselho vindo de uma garota de programa, meu conselho seria esse: agradeça mais, sorria mais, corra atrás dos seus sonhos, encontre sentido para sua vida, aproveite melhor os momentos.
Seja feliz!
segunda-feira, 6 de junho de 2016
A Jessica Tá Louca
Dizem que nessa vida é difícil encontrar amigas verdadeiras, mas eu posso dizer que encontrei algumas pelo meio do caminho sim!
Meu conceito de amizade não é aquele de "tem que falar todo dia" ou "viver na casa do outro". Pelo contrário... Na minha opinião bons amigos são aqueles que seguem caminhos diferentes mas ao mesmo tempo estão sempre por perto, que a gente sabe que pode contar e vice-versa.
Minha amizade com a Jessica (nome de guerra) é assim. Ela tem a vida dela e eu a minha, não nos vemos com tanta frequência, mas temos um carinho grande uma pela outra e já tivemos boas provas de amizade.
Lembro do primeiro dia que ela chegou pra trabalhar na boate. Eu ja estava lá a alguns meses e pude notar que ela estava perdida: nunca havia trabalhado. Sempre gostei de dar uma mão pras meninas que estavam começando, porque sei que o começo é bem assustador e difícil, então eu e a Jessica começamos a conversar, beber, e rir juntas todas as noites. Logo ela estava craque, cheia de clientes, uma puta de primeira. Eu brincava que ela havia nascido pra isso, hahaha.
Quando comecei a fazer show de strip (sim gente, na noite eu me virava nos 30 pra garantir dinheiro no bolso rsrs) convidei ela pra fazer também, mas a danada morria de vergonha de ficar lá pelada na frente de todo mundo... Até que a tequila entrou na vida dela.
Certa noite um cliente começou a pagar doses de tequila, e a Jessica se empolgou. Não lembro o número exato de doses, mas ela tomou muitas. Resultado: em poucos minutos já estava dançando em cima do balcão, e não demorou muito pra tirar a roupa toda - a vergonha foi embora e ela alegrou a noite dos homens que estavam lá hahaha!
O cliente que estava pagando as doses era um velho conhecido, daquele que até os funcionários da zona conhecem pelo nome. Então ele convidou a Jessica para ir dormir na casa dele, e ela foi.
Detalhe: ela foi só de sobretudo, descalça, sem nada por baixo. Entraram no carro e tchau.
Dizem que chegando lá nem fizeram nada direito, pois estavam pra lá de Bagdá.
O melhor de tudo foi o dia seguinte: como ela ia fazer pra ir embora, sem roupa?
Pois chamaram um táxi, e ela foi novamente de sobretudo, sem nada por baixo, de volta pra zona, pra pegar o sapato e as roupas que tinham ficado por lá, descabelada, pálida, e morrendo de dor de cabeça.
Tem histórias que não dá pra deixar passar. Como uma boa amiga, eu não poderia deixar de registrar esse capítulo da tequila!!
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